domingo, 19 de março de 2017

Chuck Berry: O Pai do Rock n' Roll


"Se o Rock-and-Roll tivesse que ser renomeado, ele teria que se chamar 'Chuck Berry' e nada mais". Nas palavras de John Lennon, o respeito e o reconhecimento sobre aquele que foi um dos pioneiros do Rock, juntamente com Ike Turner, Muddy Waters e Little Richard.



Charles Edward Anderson Berry nasceu em St. Louis em 18 de outubro de 1926. Vindo de uma família de classe média, Berry cresceu em uma América marcada pelo racismo, porém, como dizia o próprio, nunca passou fome. Teve diversos problemas com a lei, sendo talvez um dos primeiros bad boys do Rock, contrastando com o bom-mocismo do coroado "Rei do Rock" Elvis Presley. Apesar de pobre, Elvis contava com a qualidade de ser branco e religioso, o que ajudou o Rock a entrar nas rádios e programas de televisão. Mas foi Berry quem realmente "juntou as peças" para criar o estilo.

Chuck Berry ladeado por Eric Clapton e Keith Richards


A música de Berry não era profunda. Não falava de amor, nem de política, tampouco de questões sociais. Era o Rock bruto, até meio bobo em suas letras que falavam de pegar garotas e andar em carrões. O próprio Berry desdenhou dos temas abordados em suas canções no documentário "Hail! Hail! Rock n' Roll". Disse que fez apenas para ganhar dinheiro, pois já contava quase 30 anos quando compôs músicas quase adolescentes. O fato é que ele as criou. E sem ele, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Beatles e Rolling Stones talvez nunca tivessem existido. Keith Richards chegou a dizer que Berry fora "o sujeito que fez com que ele pegasse numa guitarra e não a largasse mais para o resto da vida",


Berry morreu no dia 18 de março de 2017, aos 90 anos de idade, quando se preparava para lançar seu álbum Chuck. O primeiro com gravações inéditas desde 1979.

A guitarra

Chuck Berry é também considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos, estando na posição de número 7 na lista da revista Rolling Stones.

Sua paixão era o modelo ES-350T da Gibson. Com esta guitarra, realizou a gravação de todos os seus discos. Muito embora tenha usado outros modelos em apresentações ao longo da vida.



Alguns dos solos mais memoráveis de sua carreira estão nas músicas Roll Over Beethoven e Johnny B. Good. Ambas as músicas obtiveram inúmeras regravações, o que desagradava Berry por ter feito canções que viriam a enriquecer produtores e cantores brancos.

Além de Keith Richards, Berry influenciou uma grande quantidade de guitarristas. Jeff Beck declarou que "roubou" um pouco do estilo de Berry. Outro que sentiu de perto esta influência foi Bruce Springsteen, que chegou a se apresentar algumas vezes ao lado do ídolo.

Bruce Springsteen e Chuck Berry

Hail! Hail! Rock And Roll

Em 1987 foi lançado o documentário Hail! Hail! Rock and Roll, em homenagem aos 60 anos de Chuck Berry. Dirigido por Taylor Hackford e produzido por Keith Richards, Stephanie Bennet e o próprio Berry, o filme se propõe a resgatar um pouco da história do Rock e do próprio Berry, cuja carreira despencou a partir dos anos 60 devido em grande parte aos seus problemas judiciais.



A produção do documentário é descrita por Keith Richards como um pesadelo. Muito por causa do gênio explosivo e arrogante do próprio Berry. Seja como for, o documentário é uma importante peça para a história do Rock e conseguiu colocar de volta Chuck Berry no pedestal em que ele merce estar.

Duck Walk

Além de sua versatilidade na guitarra, sua voz (que ele se inspirou em seu ídolo Nat King Cole) e do ritmo e letras peculiares de sua música, Chuck ficou conhecido por um estilo diferente de performance de palco, o Duck Walk, ou andar de pato.

Chuck Berry e Angus Young do AC/DC


Com os joelhos levemente dobrados, Chuck pulava com um dos pés à frente do outro, semelhante a um andar de pato. Esse estilo foi copiado por Angus Young, guitarrista do AC/DC e eternizado no filme De Volta Para o Futuro.


Parceiro: Casa da Musika
Referências:

Guitar Collection Vol. 12. Editora Salvat do Brasil. São Paulo, 2014.

http://chuckberry.com/biography/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuck_Berry

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/03/1867858-chuck-berry-foi-o-maior-idolo-do-rock-and-roll.shtml

http://g1.globo.com/musica/noticia/como-chuck-berry-juntou-as-pecas-para-inventar-o-rock-and-roll.ghtml

https://en.wikipedia.org/wiki/Hail!_Hail!_Rock_'n'_Roll

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dan%C3%A7a_do_pato

http://www.suasletras.com/fotos_artista/ff91571e3909c952c0940e56f35b963e.jpg

https://www.morrisonhotelgallery.com/images/big/55887206.jpg

http://s4.reutersmedia.net/resources/r/?m=02&d=20170319&t=2&i=1177116552&w=780&fh=&fw=&ll=&pl=&sq=&r=2017-03-19T003014Z_25948_MRPRC15116B26D0_RTRMADP_0_PEOPLE-BERRY

http://i0.wp.com/www.theadditionstudio.com/wp-content/uploads/21GibsonEs350ChuckBerry.jpg

http://media.themalaymailonline.com/uploads/articles/2017/2017-03/Springsteen_Chuck_Berry_190317.JPG

http://images.livrariasaraiva.com.br/imagemnet/imagem.aspx/?pro_id=9392951&qld=90&l=430&a=-1

https://www.acdcbrasil.net/wp-content/uploads/angus-young-e-chuck-berry-duck-walk.jpg

segunda-feira, 13 de março de 2017

Heitor Villa-Lobos: Da Infância à Juventude


O som ecoa pelas frestas da porta do quarto. O pequeno Tuhu se sente atraído pela música que toca na sala de sua casa. Desce a escada e esconde-se atrás de um móvel para ouvir, até que é avistado pelo seu pai, que lhe dá uma bronca e o manda subir. A mãe do jovem chega para colocá-lo em sua cama e ouve a indagação: "Por que não posso ouvir aquelas músicas? Não é injustiça?". Logo sua mãe acalmava-o dizendo: "As crianças devem dormir cedo para acordar cedo e aproveitar bem o dia, como os passarinhos". "Os passarinhos cantadores?", e assim adormecia o menino.



Foi numa destas escapadelas que o pequeno Tuhu, ouviu pela primeira vez a obra de Bach. E como ficar imune a esta música celestial? Desceu alguns degraus da escada e pôs-se a escutar, adormecendo ali mesmo. Sua mãe o coloca de volta em sua cama e ele desperta com uma pergunta:


- Mãe, que música era aquela que parecia vir do céu? 
- Bach.
- Quem é Bach?
- Foi um grande compositor que viveu há muitos anos.
- Já morreu? Está no céu?
- Está.
- Pois um dia, no céu da música, vou me encontrar com Bach. (Silva, 1974)
Vendo que não havia outro jeito, senão incentivar seu filho a estudar música, seu pai então começa a dar-lhe aulas de violoncelo. Contando com apenas 4 anos, Raul manda adaptar um espigão em uma viola, criando assim um cello especial ao pequeno Villa.

Aos 6 anos, um evento especial na vida do pequeno Heitor. Sua família passou uma temporada em Bicas e em Cataguases, no interior de Minas, fugindo de uma possível perseguição política devido a oposição de Raul Villa-Lobos à Floriano Peixoto. Lá, Tuhu conheceu o som da viola sertaneja, das rabecas e sanfonas.


Apaixonado por aquela moda, o menino fugia constantemente de casa para estar entre os violeiros nas rodas regadas a cachaça, o que tirava o sossego de sua mãe. Ele perguntava aos músicos com quem haviam estudado, e ficava encantado ao saber que aprendiam de ouvido. Também se encantou com os sons da natureza, das vacas a mugir e dos pássaros a cantar. Essa experiência serviria anos depois para as buscas e composições do maestro Villa-Lobos.

Aos 8 anos, escondido do pai, resolve experimentar o clarinete deste. Ao ouvir os sons estridentes, o pai chega ao pé de Tuhu e com a cara amarrada lhe dá a ordem: "Pega a clarineta já! E logo mais tens que me tocar toda a escala, ouviste?". (SILVA, 1974, p. 45). Ao chegar mais tarde, o menino toca para ele as escalas maiores e menores no instrumento. O pai sorri por dentro de sua aparente dureza, pois havia em sua linhagem um filho músico.

O professor Raul era exigente. Ao surgir qualquer som, seja de um bonde a passar, um apito ou um arrastar de cadeira, perguntava ao jovem Heitor: "Qual o tom?" e este lhe respondia sempre corretamente 

Aos 11 anos, uma tragédia. Seu pai Raul falece, com apenas 39 anos, de varíola. Perde um pai e um professor. A música deveria ficar em segundo plano. Sua mãe desejava que ele fosse médico. Mas não havia mais volta. Heitor nascera para ser músico. Aos 12 anos começa a compor. E, para desespero de sua mãe, fugia às noites para meter-se em rodas de chorões.
Villa-Lobos aos 18 anos

O clarinete e o violoncelo eram uma alegria para Heitor. Mas era o violão a sua verdadeira paixão. E nele, Villa-Lobos iria compor algumas de suas obras mais notáveis.

Continuem a jornada pela vida de Villa~Lobos nos próximos artigos.
 Aproveitem e leiam o primeiro capítulo da série


Referências:

BUENO, Roberto. Pedagogia da Música - Vol. 1. Keybord Editora Musical LTDA. Jundiaí, 2011

SILVA, Francisco Pereira da. Villa-Lobos. Ed. Três. São Paulo, 1974

Grandes Compositores da Música Clássica: Villa-Lobos. Abril Coleções. São Paulo, 2009

Antônio Carlos Gomes, José Pablo Moncayo, Heitor Villa-Lobos, Alberto Ginastera: Royal Philharmonic Orchestra. Mediasat Group S.A.: texto e documentação Eduardo Rincón: tradução Eliana Rocha. Publifolha. São Paulo 2005 (Coleção Folha de Música Clássica)

https://br.pinterest.com/pin/128563764341402028/

http://www.happyfamilyinlove.com/2016/05/20-compositores-e-musicos-da-musica.html

segunda-feira, 6 de março de 2017

Villa-Lobos: Uma Vida de Paixão


Em comemoração aos 130 anos do Mestre Heitor Villa-Lobos, este blog inicia uma série de artigos em homenagem a este que é provavelmente o maior nome da música brasileira.

No dia 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro, nascia o pequeno Tuhu (seu apelido de criança). Filho de Raul Villa-Lobos, professor e funcionário da Biblioteca Nacional, e de Noêmia Monteiro Villa-Lobos, filha do músico Santos Monteiro, notável autor de quadrilhas. Seu pai também foi um grande incentivador da música. Fundou a Sociedade de Concertos Sinfônicos do Rio de Janeiro, a primeira desta cidade, e com eles realizava saraus 2 vezes por semana em sua casa.

Villa-Lobos teve pressa em nascer. O pequeno veio ao mundo com 7 meses de gestação. Mas assim que começou a dar seus primeiros passos, tornou-se um saudável menino, astuto e travesso, que sempre achava uma forma de se esgueirar pelas escadas à noite para ouvir os saraus de seu pai. E nestas audições, ouviu e se apaixonou pela música de Bach, jurando que quando crescesse, faria música tão bela como a deste.

"O amor de Villa-Lobos, desde cedo, pela música, vem do avô materno – o autor de Quadrilha das moças – e principalmente vem do pai. Nas noites de música que o professor Raul promovia em sua casa, Villa-Lobos conseguia escapulir do leito, sem ser notado pela mãe, e aproximava-se da sala onde o pai e os amigos tocavam. "(SILVA, 1974, p.41)


Falaremos um pouco mais do pequeno Villa-Lobos nos próximos artigos.

Neste ambiente musical intenso, Villa-Lobos teve seus primeiros professores e deu seus primeiros passos na música. Foi músico orquestral e popular, compositor, pesquisador aos moldes de Bartók (viajando pelas diversas regiões do país e catalogando formas e estilos musicais) e teve um dos seus maiores destaques como educador musical. Seu método de Canto Orfeônico foi difundido por décadas nas salas de aula do país.

Também foi um dos principais personagens da Semana de Arte Moderna de 1922. Nacionalista do fio do cabelo até a unha do pé, podemos dizer que Villa-Lobos foi o primeiro compositor brasileiro da chamada música erudita a se desligar completamente das escolas europeias e criar um estilo genuinamente brasileiro,

Acompanhem nas próximas postagens mais sobre a vida e a obra de Heitor Villa-Lobos.

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

BUENO, Roberto. Pedagogia da Música - Vol. 1. Keybord Editora Musical LTDA. Jundiaí, 2011

SILVA, Francisco Pereira da. Villa-Lobos. Ed. Três. São Paulo, 1974

Grandes Compositores da Música Clássica: Villa-Lobos. Abril Coleções. São Paulo, 2009

Antônio Carlos Gomes, José Pablo Moncayo, Heitor Villa-Lobos, Alberto Ginastera: Royal Philharmonic Orchestra. Mediasat Group S.A.: texto e documentação Eduardo Rincón: tradução Eliana Rocha. Publifolha. São Paulo 2005 (Coleção Folha de Música Clássica)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Rumours: 40 anos


O icônico álbum Rumours, do Fleetwood Mac chega à meia idade com a força de um dos mais bombásticos e confessionais trabalhos no ramo da música Pop em todos os tempos.

No ano de 1977, o Fleetwood já era um grupo calejado, tendo passado por diversas formações e estilos musicais. Estava naquela que seria sua principal formação. Lindsey Buckingham na guitarra e vocais, Stevie Nicks nos vocais, Christine McVie nos teclados e vocais, John McVie no baixo e Mick Fleetwood na bateria (os dois últimos remanescentes da formação original). O álbum anterior, o primeiro com esta formação, intitulado Fletwood Mac e lançado em 1976 alcançou grande sucesso, o que aumentava a pressão por um novo sucesso.

Fleetwood Mac - Fleetwood Mac (1976)

Porém o grupo passava por uma série de traumas e problemas pessoais. O casal Christine e John McVie se encontravam em um doloroso processo de separação no qual sequer se falavam socialmente, reportando-se um ao outro apenas sobre assunto da banda. O outro casal do grupo, os eternos namorados Lindsey Buckingham e Stevie Nicks também estavam em processo de desencontros e idas e vindas. Já o baterista Mick Fleetwood descobriu que estava sendo traído por sua esposa. Este ambiente complexo na vida amorosa do quinteto se refletiu nas composições, muitas das quais falam em separações.

Da esquerda para a direita - John McVie, Christine McVie, Mick Fleetwood
Stevie Nicks e Lindsey Buckingham


Ao mesmo tempo em que lidavam com os problemas pessoais, o quinteto teve ainda que lidar com as fofocas da imprensa, que a cada passo de um deles, surgiam enxurradas de notícias falsas. Rumores de traições surgiam a cada instante. Mesmo a filha de Fleetwood não escapou das fofocas, sendo noticiado que ela era na realidade fruto da relação de Buckingham e Nicks.

Christine McVie e Stevie Nicks ladeadas por John McVie
Mick Fleetwood e Lindsey Buckingham


Mesmo passando por "enormes esforços emocionais", como relataria mais tarde Fleetwood, o grupo conseguiu se reunir em estúdio para produzir aquele que seria dado como a obra prima do grupo. Dentre seus destaques estão os singles "Dreams", "Don't Stop", "Go Your Way" e "You Make Loving Fun". Muitas delas foram regravadas por outras bandas. O seriado americano Glee teve em sua 2ª temporada um episódio dedicado ao álbum.

Cena do seriado Glee - Rumours


As gravações não foram fáceis e regadas à excessos de cocaína e noites em claro. Mas o resultado foi um álbum que atingiu a marca de 40 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo, 19 discos de platina e o prêmio Grammy de álbum do ano. O grupo segue fazendo turnês até os dias atuais, intercalando com períodos de trabalhos solo. Stevie Nicks é detentora da mais sólida carreira solo do grupo. Christine McVie esteve afastada do quinteto até o ano de 2014.

Da esquerda para a direita - Mick Fleetwood, Stevie Nicks, Lindsey Buckingham
John McVie e Christine McVie
Setlist:

1. "Second Hand News"   Lindsey Buckingham 2:53
2. "Dreams"   Stevie Nicks 4:14
3. "Never Going Back Again"   Lindsey Buckingham 2:15
4. "Don't Stop"   Christine McVie 3:12
5. "Go Your Own Way"   Lindsey Buckingham 3:38
6. "Songbird"   Christine McVie 3:21
7. "The Chain"   Buckingham, Mick Fleetwood, C. McVie, John McVie, S. Nicks 4:31
8. "You Make Loving Fun"   Christine McVie 3:31
9. "I Don't Want to Know"   Stevie Nicks 3:15
10. "Oh Daddy"   Christine McVie 3:58
11. "Gold Dust Woman"  Stevie Nicks



Referências:

https://noisey.vice.com/pt_br/article/fleetwood-mac-rumours-aniversario?utm_source=noiseyfacebr

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rumours#Legado

https://en.wikipedia.org/wiki/Rumours_(Glee)

http://ksassets.timeincuk.net/wp/uploads/sites/55/2016/02/10fleetwoodMacRumours201010-2.jpg

https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/51%2BFr8VowTL.jpg

http://entertainista.com/wp-content/uploads/2011/04/GLEE-Rumors-Boys.jpg

http://rollingspoon.com/wp-content/uploads/2014/11/fleetwood-mac-featured.jpg

http://drakaronline.com/image/The_Story_of_Fleetwood_Mac_ZYrY38e0Jnk.jpg

http://img.wennermedia.com/social/rs-221546-fleetwood.jpg

Parceiro: Casa da Musika

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Um Passo Á Frente E Você Não Está No Mesmo Lugar: Chico Science


Francisco de Assis França Caldas Brandão é o nome deste Olindense, nascido em 13 de março de 1966. Em sua breve passagem por este planeta, não poderia passar despercebido. Com seu chapéu "coquinho de palha" e seus grandes óculos escuros no estilo "besouro", foi o porta-voz de um movimento que começou com a cena local de Pernambuco e explodiu pelo Brasil afora.


Chico fazia parte de grupos de dança e hip hop. Iniciou a carreira musical com as bandas Orla Orbe e Loustal, ainda com influências da música norte americana, soul, funk e hip hop. Ao ter contato com o bloco afro Lamento Negro, de Peixinhos, surgiu a Nação Zumbi, no ano de 1991, que misturava os ritmos de ciranda, maracatú, frevo, embolada e outros ritmos regionais aos arranjos de funk, hip hop e rock.


Juntamente com Fred 04 e a Mundo Livre S/A, surge o movimento Maguebeat. PENNA apud ANJOS (2015, p 109), destaca que o movimento surge como "uma forma de reação/integração à globalização. Fred 04 lança o manifesto do Manguebeat, intitulado "Caranguejos com Cérebro" (1992), cujo símbolo é uma antena parabólica enfiada na lama.


A carreira de Chico Science foi, no entanto, meteórica. Interrompida em uma avenida de Olinda, a vida de Chico teve fim aos 30 anos de idade e dois discos lançados com a Nação Zumbi. Da Lama ao Caos, lançado em 1994, traz entre suas principais faixas as músicas "A Cidade", "Rios, Pontes e Overdrives" e o clássico "A Praieira", com seu famoso refrão "uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor".


Também destacamos o conteúdo social inserido numa época marcada pela acensão do Plano Real, que estabilizou a economia, mas gerou grandes problemas nos campos de saneamento básico
"O Plano Real tirou 8 milhões de brasileiros da linha de pobreza. Entretanto, o alto índice de desemprego, os pífios investimentos em áreas sociais, o déficit histórico de investimentos em infraestrutura e moradia deixavam milhões de brasileiros sem esgoto tratado e água encanada. Em 'A Cidade', de Chico Science e Nção Zumbi, para ser feliz era preciso sair da 'lama e enfrentar os urubus." (DINIZ, CUNHA, 2014, p. 159)
O segundo álbum da banda se chama "Afrociberdelia, lançado em 1996, marcado por ritmos misturados à música eletrônica e pop. Dentre suas principais faixas estão "Maracatú Atômico", regravação de Jorge Mautner e Nélson Jacobina, "Macô" e "Manguetown". Em Manguetown, Chico mais uma vez questiona a vida nas grandes cidades sem saneamento básico.
"Estou enfiado na lama 

É um bairro sujo 
Onde os urubus têm casas 
E eu não tenho asas 
Mas estou aqui em minha casa 
Onde os urubus têm asas 
Vou pintando segurando as paredes do mangue do meu quintal"
(Manguetown - Chico Science. Lúcio Maia, Dengue)


Podemos dizer que o Manguebeat é uma influência dos movimentos Tropicalistas dos anos 60, no qual a música nacional, em especial a música regional e os ritmos folclóricos, são misturados às guitarras e a influência da música norte americana. Chico chegou a admitir esta influência, tendo iniciado inclusive uma breve parceria com Gilberto Gil, um dos pilares do Tropicalismo (CALADO, 2010, p. 300)


Fato é que, mesmo 20 anos após sua morte, a música de Chico Science ainda é aclamada no Brasil afora, e até fora, na Europa, onde Chico chegou a fazer algumas apresentações. A Nação Zumbi segue fazendo música, agora com Jorge Du Peixe nos vocais, bem como o movimento Mangue ainda possui atividade com a Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio, dentre outros.


Certa vez, Chico Science disse "um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar". E o passo à frente de Chico o colocou no lugar de ícone e lenda da música brasileira.

Referências:

CALADO, Carlos. Tropicália: a história de uma revolução musical. São Paulo, Ed. 34. 2ª edição, 2010.

DINIZ, André.A República Cantada: do choro ao funk, a história do Brasil através da música. Rio de Janeiro, ed. Zahar, 2014.

PENNA, Maura. Música(s) e Seu Ensino. Porto Alegre, ed. Sulina, 2ª edição, 2015.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Science

https://pt.wikipedia.org/wiki/Da_Lama_ao_Caos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Afrociberdelia

https://www.letras.mus.br/nacao-zumbi/117925/

https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/c7/d0/e8/c7d0e8480a16d7b3af4d528206ffb0fe.jpg

http://www.kboing.com.br/fotos/imagens/4c7fa102bf3ac.jpg

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhISGr8z8pMEQ5fj-TDqZMoi6GaVKqEhvU95keA_cgPQzJY6UXOzziGnJdu43Tic9jaKP79qXoB7QoKOuR0ynh6HOW0Sh_JLnf5kTEd3R53PQS_p4VDLitFZQxUz8jPDqH5fWFFxD5NWX8/s1600/capa.jpg

http://www.discosdobrasil.com.br/discosdobrasil/capas/DI02048.JPG

http://images.tcdn.com.br/img/img_prod/300126/1103_1.jpg

http://lulacerda.ig.com.br/wp-content/uploads/2016/12/GPD30f001jpeg.jpg

http://macaxeirageral.net.br/wp-content/uploads/2011/02/lama2.jpg

Parceiro: Casa da Musika

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O que é Musicoterapia

INTRODUÇÃO À MUSICOTERAPIA

Amanda Viana Pontual
Palestra na Acorde’s Escola de Música
Setembro, 2015



Música inspira, transpira, exala emoções. Desde a canção que toca nas rádios até a maior das sinfonias. Dos bregas que embalam as “dores de cotovelo” aos “batidões” que fazem o corpo dançar. A música, antes de ser arte, é expressão.
Essa expressão que nos move e comove, que também fere e incomoda. As reações diversas e adversas de combinações sonoras que nos fazem tanto bem, como também podem nos fazer mal. E a música é terapia em si mesma. Porém, assim como ampla é a gama de utilizações da música, amplos são os caminhos que levam a música a ser mais do que tocar, ensinar ou utilizar a música para outros fins.
A Musicoterapia é um destes caminhos. O caminho que não visa o estético, nem o aprendizado propriamente dito da música. Mas que utiliza a combinação de sons como um canal de comunicação, que visa, acima de qualquer coisa, a promoção da saúde.
“A Musicoterapia é fruto do encontro entre os saberes ligados à arte e à ciência” (CHAGAS & PEDRO, 2008, p. 37). Talvez seja esta a frase que melhor resume o que é a Musicoterapia hoje. Afinal, este campo que tanto permeou entre o místico, o artístico e que mais do que nunca tenta fincar raízes no científico, tem se revelado uma junção destas bases, assim como era no passado, quando a ciência e a filosofia não eram seccionadas. Quando os saberes eram interligados.
A música enquanto elemento terapêutico não se constitui numa teoria nova. Se buscarmos no passado, veremos que a mesma é utilizada desde o início da civilização moderna. Ou até mesmo antes disso.
Rolando Benenzon (1985), relata que os primeiros escritos sobre a utilização da música para fins terapêuticos datam de 1500 antes de Cristo. Papiros encontrados em Kahum no Egito, por Petri em 1899 já trazem relatos sobre a utilização da música na fertilidade das mulheres. Bem como em passagens bíblicas, como em Samuel (16:23), no qual é citado que Davi utiliza a harpa para afastar os maus espíritos de Saul.
O berço da civilização, a Grécia, traz a música sob uma ótica científica. “O conceito de uma força terapêutica ou ‘harmonizadora’ na música tem prevalecido na estética e educação musical desde a Grécia antiga.” (RUDD, 1990, p. 15). Filósofos, matemáticos e pensadores. Homens como Pitágoras, Platão e Aristóteles utilizavam a música como meio de se chegar a uma harmonia de corpo, mente e espírito, promovendo a saúde e o bem estar.

Na Antiguidade, Pitágoras, sábio grego que acreditava no princípio numérico como base da existência do universo, escutava o som das estrelas e por meio dessa sonoridade curava seus discípulos. Platão e Aristóteles, por sua vez, indicavam melodias construídas em determinados intervalos e escalas com o objetivo de colaborar com a formação dos jovens. A música foi ciência. (CUNHA, 2009, p. 2).



Porém, a visão totalitária da ciência foi sendo abandonada ao longo dos séculos, sendo substituída pela razão e experimentação. Toda ação, para ser aceita no meio científico, deve passar por uma série de testes que comprovem sua eficácia. A química se sobrepõe aos demais tratamentos.

A música perdeu, no entanto, por todo o século XIX, muito de sua influencia como “poder terapêutico” usual devido ao enfraquecimento geral do conceito de estética em medicina e ao crescimento da filosofia positivista de ciência, enfatizando o método experimental de procedimentos baseados na ciência natural. (RUUD, 1990. P. 17)

O caminho de volta da música ao campo científico da promoção da saúde começou a ser galgado meio que ao acaso. Músicos profissionais foram contratados no pós guerra, nos Estados Unidos, como meio de distrair soldados egressos das batalhas. Mutilados física e psicologicamente, estes soldados passam a ter uma melhora em seus quadros ao serem submetidos às sessões com música. “A experiência musical provocou uma mudança no quadro clínico daquelas pessoas” (CHAGAS &. PEDRO, 2008, p. 37).
Porém, aos poucos foi-se percebendo que, para se obter melhores resultados, não bastava apenas que o profissional fosse um bom músico. Era preciso que o mesmo fosse também um terapeuta. A diferença está na visão e no plano a ser abordado com cada paciente. A visão de um músico é basicamente estética, e sua abordagem prioriza a execução musical. Um terapeuta irá traçar um plano para cada situação, cada paciente ou grupo de pacientes, com uma visão muito mais voltada para a promoção da saúde do que para o sentido estético da música.
Para tanto, era preciso estabelecer um plano de formação para esta nova área. “Eles avaliaram, então, a necessidade de se estabelecer um plano para a formação de profissionais especializados na aplicação científica da música e seus elementos: ritmo, altura, intensidade e timbre” (CUNHA, 2009, p.3).
Desta forma, foram surgindo cursos em níveis de especialização e graduação em Musicoterapia, com a finalidade de preparar o profissional Musicoterapeuta para o campo de atuação.
A Musicoterapia abrange áreas com as de reabilitação motora, no tratamento de paciente neurológicos, psíquicos, ou simplesmente de prevenção de doenças. Não há um campo único e exclusivo para o uso da Musicoterapia. A mesma é tida também como terapia complementar à fisioterapia, psicologia, psiquiatria, fonoaudiologia, etc.

Atualmente, a Musicoterapia tem sido utilizada em diversos campos distintos, como na reabilitação motora, no tratamento de problemas psicológicos, e até mesmo como prevenção de enfermidades, promovendo, acima de tudo, saúde. A Musicoterapia pode e deve ser associada a outras práticas clínicas para que obtenha melhores resultados e possa contribuir de maneira mais eficaz com os planos de tratamentos propostos. (PONTUAL, 2014, p. 33)
O profissional Musicoterapeuta atua com o CBO (Código Brasileiro de Ocupações) número 2263-05, como subárea de “Profissionais das terapias criativas, equoterápicas e naturológicas”, como consta no Portal do Trabalho e Emprego, do Governo Federal (2015). É reconhecido o profissional com graduação em Musicoterapia e os portadores de especialização na referida área.
O conceito de Musicoterapia variou durante anos. A última convenção da Word Federation of Music Therapy assim a descreve:

A utilização da música e/ou de seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia), por um Musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender às necessidades físicas, mentais, sociais e cognitivas.
A Musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor organização intra e/ou interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento. (WORLD FEDERATION OF MUSIC THERAPY, 1996, apud CHAGAS et PEDRO, 2008, p. 39)


Enquanto campo de atuação, a Musicoterapia ainda busca seu espaço e reconhecimento, muito embora tenha crescido consideravelmente nos últimos anos, muito em virtude das políticas de humanização da saúde.
A Musicoterapia ainda compete com a desinformação, que leva muitas instituições a contratarem músicos sem formação específica para atuarem no campo terapêutico. A luta do profissional Musicoterapeuta se dá pelo reconhecimento da área com bases nos estudos científicos que comprovam a eficácia da utilização da música na promoção da saúde, aliada ao plano de tratamento proposto pelo profissional, que difere em sua base do plano da educação musical.

Casa da Musika oferece atendimentos em musicoterapia para diversas áreas. Em 2018, a instituição inicia também uma parceria com a ONG Mães Guerreiras da Cidade de Paulista, realizando atendimentos a crianças autistas que não tem como pagar este tipo de terapia.





REFERÊNCIAS:

BENENZON, Rolando O. Manual de Musicoterapia. Tradução de Clementina Nastari. Rio de Janeiro: Enelivros, 1985.

CHAGAS, Marly; PEDRO, Rosa. Musicoterapia: Desafios entre a modernidade e a contemporaneidade - Como sofrem os híbridos e como se divertem. Rio de Janeiro: Mauad X-Bapera, 2008.

CUNHA, Rosemyriam. Musicoterapia na Abordagem ao Portador de Doença de Alzheimer. 2009. Disponível em www.fap.pr.gov.br_arquivos_File_RevistaCientifica2_rosemyriamcunha Acesso em 07 de março de 2012.


PONTUAL, Amanda Viana. Musicoterapia como Terapia Complementar ao Tratamento das Perdas Neurodegenerativas da Memória da Doença de Alzheimer. Monografia de conclusão do Curso de Especialização em Musicoterapia da FACHO. 2014

Portal do Trabalho e Emprego. Disponível em http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTituloResultado.jsf Acesso em 12 de setembro de 2015.

RUUD, Even. Caminhos da Musicoterapia. Tradução Vera Wrobel. São Paulo: Summus, 1990.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Família dos Instrumentos: Metais



Os metais.


Os principais instrumentos são os trompas, os trompetes, os tubas e os trombones.

Trompa: Surgiu na França, por volta de 1650. Como um desenvolvimento da trompa de caça, que, por sua vez, se originou dos primitivos instrumentos feitos com chifres de animais. Já no final do século XVII foi integrada à orquestra.
Trompa de caça

Consiste num longo tubo cilíndrico de 2 metros, recurvado sobre si mesmo numa espiral de duas voltas. Na extremidade mais estreita, localiza-se o bocal, em forma de funil, e, na outra, o pavilhão. O som é controlado por 3 válvulas, incorporadas ao instrumento no início do século XIX pelos fabricantes Blühmel e Stölzel (alemães) e Leopold Uhlmann (austríaco). Esse mecanismo permitiu a execução de todos os sons cromáticos da escala.
A trompa emite um som aveludado e suave e sua afinação é em fá ou si bemol. Alcança 2 oitavas e uma Quinta (si3 a fá4). Considerada indispensável na orquestra a partir de 1830, foi utilizada também como solista por inúmeros compositores. Um dos efeitos utilizados na trompa é a “surdina”, que se consegue quando o intérprete coloca a mão ou uma peça de madeira no pavilhão, obtendo um apagamento do som.



Trompete: O mais agudo entre os metais, o trompete se originou, provavelmente, no Egito Antigo, no II milênio antes de Cristo, tendo adquirido importância como instrumento musical a partir do século XVII, ao ser introduzido na orquestra.
Sua forma atual data da primeira metade do século XIX, quando os fabricantes alemães Blühmel e Stölzel criaram o sistema de 3 pistões, que tornou o instrumento mais versátil, aumentando seu registro e tornando sua execução menos difícil. Pode ser afinado em ré ou, mais comumente, em si bemol ou dó.
Consiste num tubo cilíndrico recurvado sobre si mesmo, em cujas extremidades ficam o pavilhão e o bocal. A qualidade do som pode ser modificada com a surdina, peça de madeira introduzida no pavilhão. Alcança 2 oitavas e meia, começando do fá abaixo do dó médio.
Tem sonoridade brilhante e penetrante. É muito usado pelos compositores em uníssono com as cordas e as madeiras da orquestra, como também em solos.



Tuba: O mais grave entre os metais, a tuba surgiu por volta de 1835, em Berlim, inventada por Wilhelm Wieprecht e construída por Johann G. Moritz. No entanto, o modelo mais comumente empregado na orquestra foi desenvolvido, por volta de 1845, pelo belga Adolphe Sax.
Consiste num tubo cilíndrico, recurvado sobre si mesmo, e que termina num pavilhão em forma de sino. O som é controlado por válvulas ou pistões, cujo número varia de 3 a 5. De timbre suave e surpreendentemente ágil, apesar de seu grande porte, a tuba foi introduzida na orquestra por volta de 1850. É afinada em fá e alcança 3 oitavas (fá1 a fá3).
Indispensável na orquestra sinfônica foi por vezes utilizada em solos orquestrais. É muito usada também nas bandas militares.

                                          

A “tuba wagneriana”, idealizada por Wagner para a sua tetralogia O anel dos Nibelungos, possui estrutura semelhante à da trompa (bocal e pavilhão recurvado). É afinada em si bemol e em fá e sua extensão vai do mi bemol1 ao ré4. Além de Wagner, Bruckner, R. Staruss e Stravinsky utilizaram-na em algumas de suas obras.

                 Tuba Wagneriana
                                                        

Trombone: Surgiu provavelmente na França quinhentista, a partir de modificações introduzidas no trompete. Sua principal característica são as varas corrediças, cuja função é controlar a emissão e a altura do som.
O corpo principal; do instrumento, extremamente simples, é formado por dois tubos paralelos, presos um ao outro. Numa extremidade está o bocal e na outra o pavilhão. Atualmente, é construído em 3 tamanhos: tenor, contralto e baixo. O primeiro é o mais utilizado em orquestras sinfônicas e é afinado em si bemol, soando uma oitava abaixo do trompete.  No registro baixo, também pode ser afinado em Sol.
Indispensável à orquestra, na qual foi introduzido por Beethoven, foi tratado como solista por muitos outros compositores também.
No século XIX, um outro tipo de trombone, denominado de êmbolos, com 3 válvulas, era muito empregado nas orquestras, mas acabou perdendo seu lugar para o trombone de vara.

 

Leiam também as outras matérias sobre as famílias dos intrumentos.




Parceiro: Casa da Musika