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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Sister Rosetta Tharpe: A Verdadeira Mãe do Rock N' Roll


O Rock coroou Elvis como seu Rei. Um rapaz branco e belo, nos anos 50, quando o Rock já não era mais novidade nos subúrbios e já não havia como segurar a febre que se alastrava nos meios sociais e junto ao público jovem. Uma forma de "aceitar" o rock em suas casas era torná-lo "branco". Mas sabemos que a realidade não era bem essa. O rock tinha mães e pais negros, descendia do Blues, do Rhytm and Blues e do Country, além do Gospel negro. E lá nos anos 30 e 40 ele já despontava, juntamente com o nascimento da guitarra elétrica, e começava a conseguir seus primeiros súditos. Inclusive o pequeno futuro rei Elvis, nascido na pequena Tupelo e de origem pobre, assim como o próprio Rock,

Há quem diga que o pequeno Elvis não perdia um certo programa de rádio no qual uma mulher negra tocava sua guitarra e cantava suas canções com fervor. Esta mulher se chamava Rosetta Nubin, mas era conhecida como Sister Rosetta Tharpe.

Nascida em Cotton Plant, Arkansas, em 20 de março de 1915, Sister Rosetta foi uma pioneira em quase todos os aspectos de sua vida. Desde sua vida musical, que começou com apenas 4 anos de idade, quando era chamada de 'Little Rosetta Nubin, the singing and guitar playing miracle", até sua vida pessoal, recheada de casamentos fracassados. Além de ter a coragem de se arriscar por um gênero musical que punha em risco o seu público gospel.


Seu jeito único de tocar a guitarra também foi uma inspiração para o mestre B. B. King. Bob Dylan, Johnny Cash, Aretha Franklin, Jerry Lee Lewis são apenas alguns dos grandes mestres influenciados por ela. Chuck Berry, para muitos o "pai" do Rock N' Roll, afirmava que "foi amor à primeira vista. Aquela mulher de energia possante parecia brincar com a guitarra".


Sister Rosetta dominou as rádios nos anos 30 e 40, época em que a televisão ainda não dominava e a imagem não era tão importante. Porém, o poder de sua voz, sua destreza na guitarra e sua música contagiante a mantiveram no auge, se apresentando para soldados nas guerras e em clubes de grande importância, mesmo em tempos de segregação racial.


Nos anos 60, já em seu terceiro casamento e com a carreira em declínio nos Estados Unidos, Sister Rosetta Tharpe se aventura pelo Reino Unido e Europa, conquistando mais uma legião de fans e mantendo viva a chama pura do Rock primitivo, com suas bases oriundas das Big Bands e seu gingado cadenciado.

Nos anos 70, a diabetes viria a obrigar-lhe a amputar uma perna, e Sister Rosetta encerrou sua carreira. Sofre derrame, vindo a falecer em 9 de outubro de 1973, aos 58 anos de idade.


Ao longo dos anos, muito tem sido feito para resgatar o prestígio e a história de Sister Rosetta. Em 2007 ela foi introduzida no Blues Hall Of Fame. Em 2008 foi realizado um show para angariar fundos para o seu túmulo. Foi colocada uma lápide em seu túmulo, e o dia 11 de janeiro foi declarado como o Dia de Sister Rosetta Tharpe na Pennsylvania.

Em 13 de dezembro de 2017, Sister Rosetta foi introduzida ao Rock And Roll Hall Of Fame.

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe

https://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/271328/Rosetta-Tharpe-Uma-mulher-negra-inventou-o-rock-and-roll.htm

https://whiplash.net/materias/news_789/246296.html

http://cdn.thedailybeast.com/content/dailybeast/articles/2016/05/28/the-first-badass-female-guitarist-meet-sister-rosetta-tharpe-the-godmother-of-rock-n-roll/jcr:content/body/inlineimage_1.img.800.jpg/48816411.cached.jpg

https://i.ytimg.com/vi/-88l-M0KgkI/maxresdefault.jpg

https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/71L9-AmJPxL._SX355_.jpg

http://thecatholiccatalogue.com/wp-content/uploads/2015/04/Mezzanine_630.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe

https://www.rollingstone.com/music/features/why-sister-rosetta-tharpe-belongs-in-the-rock-hall-of-fame-w513981


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

História da Guitarra: Parte 3



Texto de Amanda Pontual


Nossa viagem pela história da guitarra continua com o instrumento já consolidado no mercado. Indispensável em qualquer conjunto musical, seja o estilo que for, mas principalmente no Rock and Roll, que a partir dos final dos anos 50 se torna o principal estilo musical ouvido pelos jovens.

Amado por uns, odiado por outros, o Rock começa a atrair multidões cada vez maiores. E os clubes se tornam pequenos para as apresentações. Casas de shows cada vez maiores, com filas de fãs do lado de fora e, por fim, estádios de futebol. E haja potência para levar o som a todas as pessoas presentes.

A Rickenbacker (que vimos no primeiro capítulo que foi responsável pelos primeiros modelos de guitarras elétricas) é uma das empresas responsáveis também pela evolução dos amplificadores que permitiram a grandiosidade destes shows. E os grandes  "garotos propaganda" desta marca foram nada mais, nada menos do que os Beatles.

O modelo 325 da Rickenbacker era o favorito de John Lennon. Desenhada por Roger Rossmeisl, foi lançada em 1958 e possuía originalmente 3 controles: volume, tonalidade e um seletor dos captadores. Porém o modelo usado por Lennon já possuía 2 controles a mais: outro de volume e outro de tonalidade.



Se por um lado, os Beatles tomavam o mundo com suas Rickenbacker em mãos, do outro lado do pacífico. vulgo nos EUA, a briga era entre a Gibson e a Fender. Como vimos em capítulos anteriores, os modelos Telecaster e Stratocaster da Fender se tornaram praticamente imbatíveis dentro do mercado. Especialmente a Strato, com sua ponte móvel e suas inúmeras possibilidades. Mas a Gibson tinha um gênio em sua equipe, chamado Les Paul, que lançaria um dos mais belos designs de guitarras de todos os tempos, a Gibson Les Paul Standard.

Modelo sem escudo

Modelo com escudo
Lester William Polsfuss, ou simplesmente Les Paul buscava desde os anos 40 um modelo de corpo sólido para que o mesmo não ressoasse quando amplificado e a energia das cordas não dissipasse no sustain. Tentou levar sua ideia para a Gibson, que em primeiro momento a descartou. Porém com o sucesso das guitarras de corpo sólido da Fender e da Rickenbacker, resolveu apostar.

E em 1958 finalmente nasceu a Gibson Les Paul, cujos modelos Custom ou Standard variam de acordo com o gosto e o bolso do cliente. Com captadores de bobina dupla Humbucker PAF (Patent Applied For), elimina ruídos indesejados e proporciona melhor sonoridade nas distorções.


Dentre os famosos que aderiram aos modelos Gibson estão Jimmy Page, do Led Zeppelin e Slash do Guns and Roses. Jimmy Page possui inclusive um modelo de guitarra dupla, uma de 12 e outra de 6 cordas, exclusivo da marca Gibson.

Slash

Jimmy Page


Guitarra Dupla, modelo SG


Continuem acompanhando nossas matérias. Em breve, mais um capítulo sobre a história da guitarra.
Leiam os capítulos anteriores:



Parceiro: Casa da Musika
Referências: 

Coleção Instrumentos Musicais: Guitarra. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP, 2012.

Guitar Collection Vol 3: Guitarra Psicodélica. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP.

Guitar Collection Vol 13: Guitarra Rock Britânico. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP

http://www.thecanteen.com/John325bigsby.jpg

http://www.rickresource.com/register/user_images/19482/4-fullsize.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Rickenbacker_325

https://www.musicstore.de/INTERSHOP/static/WFS/MusicStore-Site/MusicStoreShop/MusicStore-MusicStoreShop/de_DE/longtext/GIT0039207-000/Gibson-Les-Paul-50s-Standard-Faded-Honey-Burst.jpg

http://archive.gibson.com/Files/USA/LesPauls/LP5_DBNH_Les_Paul_Std_50s_n_h.jpg

http://images.gibson.com/Lifestyle/English/aaFeaturesImages2010/slash-seated1.jpg

http://www.guitaraficionado.com/wp-content/uploads/2011/11/edit366GibsonSGPge.jpg

http://images.gibson.com/Lifestyle/English/aaFeaturesImages2009/Jimmy-Page_image004.jpg

terça-feira, 3 de outubro de 2017

História da Guitarra: Parte 2

Texto de Amanda Pontual

Postado originalmente em: www.acordesrecife.blogspot.com

No capítulo anterior, vimos os primórdios da guitarra elétrica e alguns de seus principais idealizadores. Neste segundo capítulo, abordaremos a consolidação deste que é um dos instrumentos mais populares dos séculos XX e XXI.

Em 1947, a guitarra de Paul A. Bigsby foi fabricada. A seguinte guitarra foi projetada pelo músico de country Merly Travis e, embora não tenha sido um grande sucesso comercial, possui uma característica que viria a se incorporar em grande parte dos modelos de guitarra de corpo maciço que surgiriam posteriormente. Todas as cravelhas se encontram do mesmo lado da cabeça, diferentemente dos primeiros modelos que possuíam 3 cravelhas em cada lado.

Guitarra de Paul A. Bigsby

Como vimos no capítulo anterior, no final dos anos 40 Leo Fender lança a guitarra Telecaster. O modelo trazia uma guitarra de corpo maciço, como fonocaptadores. O braço de madeira de bordo, cravelhas de um lado da cabeça, escudo preto e acabamento do corpo natural, dando à guitarra um design simples que rapidamente se popularizou.

Com a Telecaster, Fender queria um modelo simples e versátil, que conservasse o som puro das cordas, amplificando o seu volume.

Fender Telecaster


A Telecaster, no entanto, era apenas o prelúdio do que viria a seguir. Embora seja comercializada até os dias atuais, o modelo seguinte da Fender tornou-se a grande coqueluche do rock e é, até os dias atuais, um dos modelos mais requisitados pelos músicos.

Em 1954, nasce a Fender Stratocaster. O modelo possui 3 captadores de bobina simples, ao contrário da maioria das guitarras que possuem 2. Possui uma ponte móvel, com uma alavanca de trêmulo, que provoca variação na afinação do instrumento. Também possui um seletor de 5 posições: 1 Braço; 2 braço + centro; 3 centro; 4 centro + ponte; 5 ponte. (SALVAT, 2014)
Fender Stratocaster

O sucesso da Fender Stratocaster se confunde com a história de um dos mais meteóricos guitarristas de todos os tempos, o profeta da "religião elétrica": Jimmi Hendrix. A relação do Voodoo Child com suas guitarras era tão selvagem quanto sua relação com as mulheres. Ora doce, ora violento, dormia com suas guitarras e ateava fogo nelas em seus shows. Sempre executando malabarismos, tocando nas costas ou com os dentes. Até os dias atuais, é tido como um dos maiores guitarristas de todos os tempos, admirado por grandes papas como Éric Clapton.



"Ele tinha relacionamentos sérios e casos passageiros. Mas nada conseguia se colocar entre Jimmi e sua guitarra" revelou o baterista Mitch Mitchell (Comfort, 2010, p.38).


Jimmi Hendrix e sua Stratocaster


No mesmo ano de lançamento da Stratocaster, surge também a guitarra Semiacústica Gretsch White Falcon.

A fábrica de instrumentos Gretsch foi fundada pelo imigrante alemão Friedrich Gretsch em 1883. A Falcon surge como uma concorrente da Gibson. Diferentemente das guitarras Fender e seus modelos simples de guitarra de corpo sólido, a Falcon possui um design mais elaborado, com acabamentos dourados. Custava em média US$ 600,00, o que hj corresponderia a US$ 4 mil. Portanto era um sonho de consumo aos guitarristas.

Gretsch White Falcon

Alguns do ícones conhecidos por utilizarem este modelo de guitarra são Neil Young, Brian Jones(Rolling Stones) e Bono Vox
Bono Vox do U2
Nossa Viagem pela história da guitarra não pára por aqui. Em breve, um novo capítulo para os amantes deste instrumento. Aguardem!!!

Leiam também o primeiro capítulo desta série:
História da Guitarra: Parte 1

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

Comfort, David. O Livro dos Mortos do Rock: Revelações sobre a vida e a morte de sete lendas do Rock'N'Roll. tradução Ricardo Giassetti, Roberta Bronzatto - São Paulo: Aleph, 2010.

Coleção Instrumentos Musicais: Guitarra. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP, 2012.

Guitar Collection Vol 1: Guitarra Rock. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP.

Guitar Collection Vol 6: Guitarra Country Rock. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP.

http://www.premierguitar.com/ext/resources/archives/ba4454d4-3599-4536-b834-99b49e33b2b0.JPG

http://cdn.mos.musicradar.com/images/Guitarist/359/roland-g-5-vg-fender-stratocaster-630-80.jpg

http://truefire.com/blog/wp-content/uploads/2009/10/FenderBroadcaster.jpg

http://40.media.tumblr.com/tumblr_lely4uxH6U1qcfymlo1_1280.jpg

http://www.gretsch.com.br/padrao/padrao.php?link=produtos&linha=C0797]

http://i1.r7.com/data/files/2C92/94A4/2D46/BCBB/012D/575E/EF28/19C0/AP%20bono.jpg

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

História da Guitarra: Parte 1

Texto de Amanda Pontual

Publicado originalmente no Blog
 http://acordesrecife.blogspot.com.br/
em 05/11/2014
Guitarra, um instrumento musical que virou ícone, moda. Que se tornou símbolo de um movimento, sinônimo de mudança, de rebeldia, de subversão. Criado a partir da junção de música, tecnologia e eletrônica.

Sua origem é tão misteriosa quanto à de seu irmão mais velho, o violão. A guitarra clássica, que aqui chamamos de violão por razões que não serão abordadas nesse post, tem possível origem na península ibérica, provavelmente no século XV. A origem do nome guitarra pode ser atribuída ao músico italiano Leonardo Del Chitarino, que tocava um instrumento chamado de mandora ou Chitarino.
Mandora ou Chitarino

Mandora ou Chitarino
A guitarra elétrica surgiu da necessidade de impor um maior volume de som ao violão. Surgiu na década de 30 e não existe uma autoria da "invenção" do instrumento.

"A ideia era, além do mais, que soasse mais forte, obtendo uma imitação o mais fiel possível do som da música havaiana, muito em moda nos Estados Unidos naquele momento" (SALVAT, 2009)

As primeiras guitarras foram, portanto, as havaianas. Possuíam um braço comprido e corpo chato de alumínio. Ligada a um amplificador, a guitarra assumiu um papel de protagonista no conjunto instrumental.

A guitarra elétrica soa por vibração eletromagnética. Utiliza pedais de distorção e amplificadores. Embora não exista um "criador" do instrumento, dois nomes se destacam na elaboração de modelos e melhorias no instrumento. São eles Leo Fender e Les Paul.

Adolph Rickenbacker foi um dos pioneiros na construção de guitarras elétricas, provavelmente no ano de 1931. Fundou, juntamente com George Beauchamp e Paul Barth a Rickenbacker International Company (RIC), empresa que iniciou a fabricação de guitarras elétricas havaianas.

A primeira linha de guitarras da Rickenbacker foi a Frying Pan, projetada por Beauchamp. Possuía corpo de alumínio e podia vir com 6 ou 7 cordas. O nome oficial do instrumento é Rickenbacker Electro A-22, e seu apelido se deve à semelhança do instrumento com uma frigideira. A guitarra ainda possuía um certo problema de afinação e sua produção se estendeu de 1931 à 1939.

Rickenbacker Electro A-22 "Frying Pan"
Outros modelos célebres das décadas de 30-40 da Rickenbacker foram a Electro Spanish e Rickenbacker Electro Modelo B.

Electro Spanish

Model B

A Rickenbacker continua produzindo guitarras e baixos elétricos até os dias atuais. Os Beatles foram um dos grupos que preferiam o uso de instrumentos desta marca.
As guitarras de corpo maciço começaram a ser comercializadas entre as décadas de 30/40. Muitos foram os responsáveis pelos avanços obtidos na produção de um instrumento que, ao ser amplificado, mantivesse tanto sua afinação como uma boa qualidade sonora e de ressonância.
George Harrison com a sua Rickenbacker


Em 1936 a marca Gibson lança a ES150. A guitarra espanhola elétrica da Gibson foi o primeiro modelo de sucesso comercial. O nome ES refere-se à Eletricidade Spanish e 150 está relacionado ao preço cobrado pelo instrumento com cabo e amplificador, que girava em torno de US$ 150,00.
 Foi desenvolvido por Montgomery Ward e Spiegel May Stern. O modelo clássico possui os chamados F's presentes na família dos violinos. Um dos músicos mais famosos por utilizar este instrumento foi o guitarrista de Jazz Charlie Christian.

Gibson ES150


A fábrica Gibson Guitar Corporation descende da Gibson Brands, fundada em 1902 por Orville Gibson e que fabricava inicialmente bandolins. As guitarras Gibson são também conhecidas como Guitarras Semi Acústicas. São até os dias atuas, preferências do universo do Jazz e Blues.

Já na década de 40, a história da Gibson e de Lester William Polfus, mais conhecido como Les Paul, iriam se fundir. Les Paul criou nesta década a famosa guitarra "Log" que recebe este nome por ser formada de um bloco de madeira. Foi a primeira guitarra elétrica de corpo maciço.
Les Paul teve sua primeira experiência com a formulação de guitarras elétricas com 12 anos de idade. Ele introduziu um microfone de telefone nas cordas e uma cabeça de toca-discos no interior da guitarra acústica, ligando ao rádio dos seus pais. Fez essa experiência para conseguir amplificar o som do instrumento, pois ele tocava numa rede de fast-food e não era bem ouvido.

A sua “Log” foi apresentada à Gibson, mas inicialmente foi rejeitada. Les Paul foi ridicularizado e chamado de “o rapaz do pau de vassoura com pickups” (SALVAT, 2009). Uma década mais tarde, a Gibson lançaria as primeiras guitarras de corpo maciço em parceria com Les Paul.

Les Paul Log


Ainda na década de 40, Clarence Leo Fender funda a companhia K & F e passa a desenhar modelos de guitarra para a Rickenbacker.
Em 1946, Leo Fender funda a Fender Eletric Instruments Company. Dois anos mais tarde, associa-se a George Fullerton que irá contribuir nos designs das guitarras Telecaster ou Broadcaster, que serão largamente comercializadas na década de 50.
Este é apenas o início da comercialização de guitarras elétricas. Nas décadas seguintes, especialmente com a difusão do rock mundialmente, este instrumento passa a se tornar cada vez mais presente na música, e sendo aperfeiçoado ao longo dos anos.
Telecaster


Continua...

Parceiro: Casa da Musika

Bibliografia:

Coleção Instrumentos Musicais: Guitarra. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo – SP, 2012.

http://www.patguitar.com/images/Fender_Telecaster_229020/Fender_Telecaster_229020_01.jpg

http://www.fretboardjournal.com/files/u7/frying-pan-guitar.jpg

http://en.m.wikipedia.org/wiki/Guitar#

http://www.fredmeijer.nl/Portals/0/Rickenbacker%20Frying%20Pan.jpg

http://www.rickenbacker.com/history_early.asp

http://www.metmuseum.org/toah/images/h2/h2_64.101.1409.jpg

http://en.m.wikipedia.org/wiki/Frying_pan_(guitar)

http://www.vintagemartin.com/Rick_SpanishVibrolaGold_B011.jpg

http://www.earlymartin.com/RicknonoB_084.jpg

http://benbethea.files.wordpress.com/2013/07/georgeharrisonrickenbacker.jpg

http://www.12fret.com/wordpress/wp-content/gallery/gibson_es150_1949/Gibson_es150_1949_full_1.jpg

http://en.wikipedia.org/wiki/Gibson_ES-150

http://invention.smithsonian.org/centerpieces/electricguitar/pop-ups/02-07.htm

http://www.laparola.com.br/wp-content/uploads/2013/08/Log-Les-Paul1.jpg

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fender_Telecaster

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Villa-Lobos e o Violão



O ano era 1903. Santos Dumont acabara de chegar de sua vitoriosa empreitada em Paris. Dentre as muitas homenagens que recebeu, uma se destacou em seu coração. Um grupo de "chorões" toca uma música de Eduardo Neves:

"A Europa curvou-se ante o Brasil
E clamou parabéns em meigo tom
Brilhou lá no céu mais uma estrela
Apareceu - Santos Dumont"

Dentre o grupo, encontrava-se um rapaz magrinho que tocava a ocarina. Mas que já era mestre ao violão, e com ele, ajudava no sustento da família, dando lições a cinco mil-réis por mês. O jovem era ninguém menos do que Heitor Villa-Lobos, ou simplesmente Villa. Já não era mais o "fujão" Tuhu. Trazia nos ombros a responsabilidade de ser o "homem da casa" após a morte de seu pai. Já não havia em sua casa a ilusão de que iria tornar-se médico. Deveria ser músico. Melhor guiar-se pelo coração seresteiro do que torna-se um mau médico, como diria a sua amada tia Fifina.




Villa-Lobos passou a integrar o grupo de choro Cavaquinho de Ouro, que tocava músicas de Ernesto Nazareth, Joaquim Callado, dentre outros. Convivia com Quincas Laranjeira, João Pernambuco, Pixinguinha, Donga, Catullo da Paixão Cearense, dentre outros. Mas não se resumiu ao choro. Estudou a técnica dos grandes nomes do violão europeu, como Tárrega, Carcassi e Sor. Em seu famoso encontro com Andrés Segóvia, disse-lhe que "não era violonista, mas sabia toda a técnica de Carulli, Sor, Aguado, Carcassi, etc" (TABORDA, 2011)

Joaquim Callado


As primeiras composições de Villa-Lobos para o violão datam de 1899, com a "Mazurka em Ré" e "Panqueca". Infelizmente estas obras foram extraviadas. Mas o velho Villa ainda iria nos deixar grandes obras para o instrumento, compondo até 1950 para o mesmo. Mesmo tendo estudado técnicas europeias, a música de Villa traria sempre o caráter nacionalista. Entre os anos de 1908-12 ele escreve a "Suíte Popular Brasileira", composta por 5 peças (Mazurca-choro, Schottisch-choro, Valsa-choro, Gavota-choro e Chorinho).

Choros, Estudos e Prelúdios

Em 1920, Villa-Lobos compõe o "Choro nº 1", em homenagem ao mestre Ernesto Nazareth. Esta obra é o "abre-alas" para uma série de 17 choros, que refletem o virtuosismo deste e a habilidade em juntar a técnica e a expressão popular em uma única obra. Em suas próprias palavras, Villa-Lobos afirma que os Choros são construídos "segundo uma forma técnica especial, baseada nas manifestações sonoras dos hábitos e costumes dos nativos brasileiros, assim como nas impressões psicológicas que trazem certos tipos populares, extremamente marcantes e originais" (TABORDA, 2011).
Ernesto Nazareth


Trecho da partitura do Choro nº1



Entre os anos de 1924-29, mais uma vez um mestre é alvo das homenagens de Villa. A série de 12 peças intituladas "Estudos" é composta e dedicada a Andrés Segóvia. Até os tempos atuais, tanto os "Choros" como os "Estudos" são repertório obrigatório aos violonistas que ambicionam o profissionalismo e o aprimoramento técnico e virtuosístico.

Andrés Segóvia


A série "Prelúdios" conta com 5 peças dedicadas a sua segunda esposa Arminda, a qual ele chamava carinhosamente de Mindinha. Foram escritas na década de 40.

Concerto Para Violão e Orquestra

Por encomenda de Segóvia, Villa-Lobos compôs uma "Fantasia Concertante" para violão e orquestra. Villa prontamente atendeu seu pedido, que a princípio não contava com a tradicional cadenza entre o segundo e terceiro movimento. Esta seria sua última composição para o violão. o ano era 1951, a saúde de Villa-Lobos começava a abandoná-lo. 8 anos depois, viria a falecer.
Segóvia e Villa-Lobos

Nesta obra, Villa adiciona uma autocitação no segundo movimento, extraído do tema principal das "Bachianas Brasileiras nº 4". Para o primeiro movimento, Villa se inspirou no Nordeste brasileiro. Aliás, como veremos nos próximos capítulos, Villa-Lobos era um grande viajante e pesquisador da música brasileira. E fazia questão de imprimir toda essa "brasilidade" em suas composições. E assim como a cultura de nosso país é abrangente, diversa é a obra de Villa.


Porém, Villa-Lobos resolveu escrever a cadenza e dar de presente a Segóvia, tornando a Fantasia no "Concerto para Violão e Orquestra". Uma obra que encerra com chave de ouro a contribuição do velho Villa ao seu amado instrumento violão.

Em breve voltaremos com mais um capítulo da épica saga de Heitor Villa-Lobos pelo mundo da música. Leiam também a primeira e segunda parte desta jornada.



Referências:

BUENO, Roberto. Pedagogia da Música - Vol. 1. Keybord Editora Musical LTDA. Jundiaí, 2011

SILVA, Francisco Pereira da. Villa-Lobos. Ed. Três. São Paulo, 1974]

TABORDA, Márcia. Violão e Identidade Nacional. Ed, Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 2011

Grandes Compositores da Música Clássica: Villa-Lobos. Abril Coleções. São Paulo, 2009

Antônio Carlos Gomes, José Pablo Moncayo, Heitor Villa-Lobos, Alberto Ginastera: Royal Philharmonic Orchestra. Mediasat Group S.A.: texto e documentação Eduardo Rincón: tradução Eliana Rocha. Publifolha. São Paulo 2005 (Coleção Folha de Música Clássica)

http://brunomadeira.com/wp-content/uploads/2007/08/villa-lobos2.jpg

https://images.sul21.com.br/file/sul21site/2013/11/20131116villa-lobos-com-violao.jpg

http://assets.sheetmusicplus.com/product/Look-Inside/large/4004621_01.jpg

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http://jornalggn.com.br/sites/default/files/imagens/00_17_de_novembro_heitor_villa_6_e_andres_segovia.jpg

http://www.guitarsalon.com/blog/wp-content/uploads/2015/06/segovia4.jpg

http://imgsapp2.correiobraziliense.com.br/app/noticia_127983242361/2013/03/20/355676/20130320084440618326o.jpg

domingo, 19 de março de 2017

Chuck Berry: O Pai do Rock n' Roll


"Se o Rock-and-Roll tivesse que ser renomeado, ele teria que se chamar 'Chuck Berry' e nada mais". Nas palavras de John Lennon, o respeito e o reconhecimento sobre aquele que foi um dos pioneiros do Rock, juntamente com Ike Turner, Muddy Waters e Little Richard.



Charles Edward Anderson Berry nasceu em St. Louis em 18 de outubro de 1926. Vindo de uma família de classe média, Berry cresceu em uma América marcada pelo racismo, porém, como dizia o próprio, nunca passou fome. Teve diversos problemas com a lei, sendo talvez um dos primeiros bad boys do Rock, contrastando com o bom-mocismo do coroado "Rei do Rock" Elvis Presley. Apesar de pobre, Elvis contava com a qualidade de ser branco e religioso, o que ajudou o Rock a entrar nas rádios e programas de televisão. Mas foi Berry quem realmente "juntou as peças" para criar o estilo.

Chuck Berry ladeado por Eric Clapton e Keith Richards


A música de Berry não era profunda. Não falava de amor, nem de política, tampouco de questões sociais. Era o Rock bruto, até meio bobo em suas letras que falavam de pegar garotas e andar em carrões. O próprio Berry desdenhou dos temas abordados em suas canções no documentário "Hail! Hail! Rock n' Roll". Disse que fez apenas para ganhar dinheiro, pois já contava quase 30 anos quando compôs músicas quase adolescentes. O fato é que ele as criou. E sem ele, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Beatles e Rolling Stones talvez nunca tivessem existido. Keith Richards chegou a dizer que Berry fora "o sujeito que fez com que ele pegasse numa guitarra e não a largasse mais para o resto da vida",


Berry morreu no dia 18 de março de 2017, aos 90 anos de idade, quando se preparava para lançar seu álbum Chuck. O primeiro com gravações inéditas desde 1979.

A guitarra

Chuck Berry é também considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos, estando na posição de número 7 na lista da revista Rolling Stones.

Sua paixão era o modelo ES-350T da Gibson. Com esta guitarra, realizou a gravação de todos os seus discos. Muito embora tenha usado outros modelos em apresentações ao longo da vida.



Alguns dos solos mais memoráveis de sua carreira estão nas músicas Roll Over Beethoven e Johnny B. Good. Ambas as músicas obtiveram inúmeras regravações, o que desagradava Berry por ter feito canções que viriam a enriquecer produtores e cantores brancos.

Além de Keith Richards, Berry influenciou uma grande quantidade de guitarristas. Jeff Beck declarou que "roubou" um pouco do estilo de Berry. Outro que sentiu de perto esta influência foi Bruce Springsteen, que chegou a se apresentar algumas vezes ao lado do ídolo.

Bruce Springsteen e Chuck Berry

Hail! Hail! Rock And Roll

Em 1987 foi lançado o documentário Hail! Hail! Rock and Roll, em homenagem aos 60 anos de Chuck Berry. Dirigido por Taylor Hackford e produzido por Keith Richards, Stephanie Bennet e o próprio Berry, o filme se propõe a resgatar um pouco da história do Rock e do próprio Berry, cuja carreira despencou a partir dos anos 60 devido em grande parte aos seus problemas judiciais.



A produção do documentário é descrita por Keith Richards como um pesadelo. Muito por causa do gênio explosivo e arrogante do próprio Berry. Seja como for, o documentário é uma importante peça para a história do Rock e conseguiu colocar de volta Chuck Berry no pedestal em que ele merce estar.

Duck Walk

Além de sua versatilidade na guitarra, sua voz (que ele se inspirou em seu ídolo Nat King Cole) e do ritmo e letras peculiares de sua música, Chuck ficou conhecido por um estilo diferente de performance de palco, o Duck Walk, ou andar de pato.

Chuck Berry e Angus Young do AC/DC


Com os joelhos levemente dobrados, Chuck pulava com um dos pés à frente do outro, semelhante a um andar de pato. Esse estilo foi copiado por Angus Young, guitarrista do AC/DC e eternizado no filme De Volta Para o Futuro.


Parceiro: Casa da Musika
Referências:

Guitar Collection Vol. 12. Editora Salvat do Brasil. São Paulo, 2014.

http://chuckberry.com/biography/

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