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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Frevo: A Magia Pernambucana


O frevo é um ritmo típico do estado de Pernambuco que também deu origem a uma dança de mesmo nome. Surgiu da mistura do maxixe com a marcha. A palavra frevo origina-se da expressão ferver, que na linguagem popular era pronunciada “frever”. O ritmo surgiu no fim do século XIX e era executado durante o carnaval, onde haviam muitos conflitos entre blocos rivais. Para intimidar os demais blocos, costumava-se desfilar com capoeiristas protegendo o cortejo e o estandarte, algo que deu origem ao passo de frevo.

As sombrinhas do frevo surgiram pelo fato dos capoeiristas utilizarem porretes e velhos guarda-chuvas como armas pra se defenderem tanto dos grupos rivais como de eventuais conflitos com a polícia. Existem mais de 120 passos catalogados do frevo, que além de trazerem elementos da capoeira, trazem também semelhanças com a dança dos cossacos.

No dia 9 de fevereiro de 1907, o Jornal Pequeno, que na época possuía uma importante seção sobre o carnaval do Recife, fez uma matéria sobre o ensaio do clube Empalhadores do Feitosa do bairro do Hipódromo no qual se tocava entre outras músicas o frevo. Por conta desta publicação, o dia 9 de fevereiro é hoje tido como aniversário do frevo, que comemorou no ano de 2007 seu 100º ano.

No dia 14 de setembro se comemora o Dia Nacional do Frevo. A data foi escolhida em homenagem ao jornalista Osvaldo da Silva Almeida, que segundo pesquisas foi o primeiro a chamar o ritmo pelo nome de frevo. A data é o aniversário de Osvaldo. Porém, em Recife a data mais comemorada é o 9 de fevereiro.

Existem três tipos distintos de frevo, divisão surgida na década de 1930: frevo de bloco; frevo canção e frevo de rua.

Frevo de Bloco:


Têm sua origem ligada as serenatas e também é chamado de marcha-de-bloco. Sua orquestra é formada por violões, cavaquinhos, bandolins, banjos, violinos e por instrumentos de palhetas como o clarinete. É chamada de orquestra de pau e cordas. É cantado geralmente por um coral. Iniciou-se com a participação mais efetiva das mulheres na folia de Pernambuco.


Muitas pessoas tendem a chamar estes blocos de “blocos carnavalescos líricos”. Dentre os compositores mais conhecidos deste gênero estão os irmãos Edgard e Raul Moraes, Cláudio Almeida, Fátima de Castro, Nelson Ferreira, Capiba, Luiz Faustino, Romero Amorim, João Santiago, Bráulio de Castro e Getúlio Cavalcanti.

As músicas mais conhecidas são: Eu Quero Mais (Bráulio de Castro e Fátima Castro); Valores do Passado (Edgard Moraes); O Bom Sebastião (Getúlio Cavalcanti); Evocação nº1 (Nelson Ferreira); Madeira Que o Cupim Não Roi (Capiba); Último Regresso (Getúlio Cavalcanti); etc.


Frevo Canção:


O frevo canção é derivado da ária e cantado por um solista. Tem uma orquestração rica em metais. Inicia-se com uma introdução orquestral aos moldes do frevo-de-rua, seguido de uma melodia cantada e finalizando com a volta da orquestra tocando a parte instrumental.



Os principais compositores do gênero são Capiba, Nelson Ferreira, J. Michilles., dentre outros. Alguns dos intérpretes famosos são Alceu Valença e Claudionor Germano.

As mais famosas canções de frevo são: Olinda nº 2 (Clóvis Vieira e Clidio Nigro); Hino da Pitombeira; Hino de Ceroula; Recife nº 3 (Capiba); Bom Demais (J. Michilles); etc.


Frevo-de-rua:


Consiste num gênero puramente instrumental, caracterizado por uma orquestração em que se destacam os metais. É subdividido em quatro tipos: frevo-do-abafo, frevo-coqueiro, frevo-ventania e frevo de salão.

Frevo-do-Abafo: predominam as notas longas tocadas pelos metais que visam abafar o som das orquestras rivais.




Frevo-Coqueiro: é uma variante do frevo-do-abafo, mas se caracteriza por notas curtas e andamento rápido.


Frevo-Ventania: possui uma linha melódica movimentada.




Frevo-de-Salão: é um misto dos três acima citados e foi desenvolvido para ser tocado nos salões.


Outros compositores importantes de frevo são: Maestro Duda, Carnéra, Severino Araújo, Lourival Oliveira, Clóvis Maméde, Clóvis Pereira, etc. Os arranjadores mais conhecidos são: Ademir Araújo, Clóvis Pereira, Maestro Duda, Edson Rodrigues, José Menezes, Maestro Nunes, Spok, etc.

Parceiro: Casa da Musika

Referência:

https://www.calendariobr.com.br/dia-do-frevo#.XXwajbdv8wA

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Um Passo Á Frente E Você Não Está No Mesmo Lugar: Chico Science


Francisco de Assis França Caldas Brandão é o nome deste Olindense, nascido em 13 de março de 1966. Em sua breve passagem por este planeta, não poderia passar despercebido. Com seu chapéu "coquinho de palha" e seus grandes óculos escuros no estilo "besouro", foi o porta-voz de um movimento que começou com a cena local de Pernambuco e explodiu pelo Brasil afora.


Chico fazia parte de grupos de dança e hip hop. Iniciou a carreira musical com as bandas Orla Orbe e Loustal, ainda com influências da música norte americana, soul, funk e hip hop. Ao ter contato com o bloco afro Lamento Negro, de Peixinhos, surgiu a Nação Zumbi, no ano de 1991, que misturava os ritmos de ciranda, maracatú, frevo, embolada e outros ritmos regionais aos arranjos de funk, hip hop e rock.


Juntamente com Fred 04 e a Mundo Livre S/A, surge o movimento Maguebeat. PENNA apud ANJOS (2015, p 109), destaca que o movimento surge como "uma forma de reação/integração à globalização. Fred 04 lança o manifesto do Manguebeat, intitulado "Caranguejos com Cérebro" (1992), cujo símbolo é uma antena parabólica enfiada na lama.


A carreira de Chico Science foi, no entanto, meteórica. Interrompida em uma avenida de Olinda, a vida de Chico teve fim aos 30 anos de idade e dois discos lançados com a Nação Zumbi. Da Lama ao Caos, lançado em 1994, traz entre suas principais faixas as músicas "A Cidade", "Rios, Pontes e Overdrives" e o clássico "A Praieira", com seu famoso refrão "uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor".


Também destacamos o conteúdo social inserido numa época marcada pela acensão do Plano Real, que estabilizou a economia, mas gerou grandes problemas nos campos de saneamento básico
"O Plano Real tirou 8 milhões de brasileiros da linha de pobreza. Entretanto, o alto índice de desemprego, os pífios investimentos em áreas sociais, o déficit histórico de investimentos em infraestrutura e moradia deixavam milhões de brasileiros sem esgoto tratado e água encanada. Em 'A Cidade', de Chico Science e Nção Zumbi, para ser feliz era preciso sair da 'lama e enfrentar os urubus." (DINIZ, CUNHA, 2014, p. 159)
O segundo álbum da banda se chama "Afrociberdelia, lançado em 1996, marcado por ritmos misturados à música eletrônica e pop. Dentre suas principais faixas estão "Maracatú Atômico", regravação de Jorge Mautner e Nélson Jacobina, "Macô" e "Manguetown". Em Manguetown, Chico mais uma vez questiona a vida nas grandes cidades sem saneamento básico.
"Estou enfiado na lama 

É um bairro sujo 
Onde os urubus têm casas 
E eu não tenho asas 
Mas estou aqui em minha casa 
Onde os urubus têm asas 
Vou pintando segurando as paredes do mangue do meu quintal"
(Manguetown - Chico Science. Lúcio Maia, Dengue)


Podemos dizer que o Manguebeat é uma influência dos movimentos Tropicalistas dos anos 60, no qual a música nacional, em especial a música regional e os ritmos folclóricos, são misturados às guitarras e a influência da música norte americana. Chico chegou a admitir esta influência, tendo iniciado inclusive uma breve parceria com Gilberto Gil, um dos pilares do Tropicalismo (CALADO, 2010, p. 300)


Fato é que, mesmo 20 anos após sua morte, a música de Chico Science ainda é aclamada no Brasil afora, e até fora, na Europa, onde Chico chegou a fazer algumas apresentações. A Nação Zumbi segue fazendo música, agora com Jorge Du Peixe nos vocais, bem como o movimento Mangue ainda possui atividade com a Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio, dentre outros.


Certa vez, Chico Science disse "um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar". E o passo à frente de Chico o colocou no lugar de ícone e lenda da música brasileira.

Referências:

CALADO, Carlos. Tropicália: a história de uma revolução musical. São Paulo, Ed. 34. 2ª edição, 2010.

DINIZ, André.A República Cantada: do choro ao funk, a história do Brasil através da música. Rio de Janeiro, ed. Zahar, 2014.

PENNA, Maura. Música(s) e Seu Ensino. Porto Alegre, ed. Sulina, 2ª edição, 2015.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chico_Science

https://pt.wikipedia.org/wiki/Da_Lama_ao_Caos

https://pt.wikipedia.org/wiki/Afrociberdelia

https://www.letras.mus.br/nacao-zumbi/117925/

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Parceiro: Casa da Musika