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sexta-feira, 1 de março de 2019

Dia Mundial da Musicoterapia


O Dia Mundial da Musicoterapia foi instituído pela World Federation of Music Therapy em 1º de Março de 2018. A data tem como objetivo principal difundir a Musicoterapia, promovendo uma campanha cibernética em prol da mesma.

A World Federation of Music Therapy (WFMT) é uma organização sem fins lucrativos, localizada na Carolina do Norte, EUA. Sua função é a de promover a Musicoterapia ao redor do mundo.

Dentre os objetivos propostos pela WFMT estão:

1) Postar nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, etc) sobre o Dia Mundial da Musicoterapia, utilizando os seguintes critérios:

     a) Compartilhar fotos do Musicoterapeuta, seus instrumentos, seu local de trabalho, estimulando o entendimento sobre a importância da Musicoterapia.
     b) Escrever sobre fatos da Musicoterapia
     c) Updates sobre o status da Musicoterapia
     d) Novas histórias sobre a Musicoterapia
  e) O uso da logo do Dia Mundial da Musicoterapia (juntamento com um agradecimento à musicheals.com pela criação da mesma).
     f) Vídeos do musicoterapeuta e/ou seus colegas celebrando este dia.
     g) Propagandas sobre Programas e oportunidades na área de Musicoterapia
     h) Sessões de Perguntas e Respostas sobre Musicoterapia

2) Repostar o que outras pessoas e instituições postam sobre a Musicoterapia
3) Incluir a hastag #WorldMusicTherapyDay em suas postagens
4) Participar d concurso de Meme da WFMT
5) Escrever, gravar e postar músicas nas redes sociais
6) Apresentar comemorações do Dia Mundial da Musicoterapia, cara-a-cara ou online em suas redes sociais
7) Contactar a mídia local para divulgação da Musicoterapia, serviços e celebrações do Dia Mundial da Musicoterapia

Para saber um pouco mais sobre o que é a Musicoterapia e suas áreas de atuação, acesse O Que É Musicoterapia? em nosso blog.


Referências:

https://www.wfmt.info/wfmt-new-home/about-wfmt/

https://www.wfmt.info/2018/01/27/world-music-therapy-day-is-coming-up-on-march-1-2018/

http://ajournalofmusicalthings.com/march-1-is-world-music-therapy-day/

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

15 de Setembro: Dia do Musicoterapeuta



DIA DO MUSICOTERAPEUTA


A Musicoterapia é uma arte e um ofício. É uma profissão, ao mesmo tempo que é um ato de amor. Em tempos em que nos vemos cada vez mais em uma sociedade adoecida pelas urgências diárias, pela pressa e pelas exigências, em que não temos tempo de nos conectar conosco, as terapias tem sido cada vez mais necessárias na nossa vida.

Uma grande aliada no nosso cotidiano tem sido a música, elemento artístico e de expressão cada vez mais presente na nossa sociedade. A Musicoterapia vem aliar a necessidade terapêutica e a linguagem musical, canal que tem sido um facilitador em muitas formas de terapia, sejam elas de reabilitação, paliativas ou psicológicas, exatamente pelo forte laço que une os seres humanos e a música.

Porém a profissão do Musicoterapeuta ainda enfrenta diversos desafios. Desde a luta pelo reconhecimento da profissão perante as esferas públicas até às lições populares para instruir que apenas pode exercer a Musicoterapia aquele profissional cuja formação englobe o curso superior ou pós graduação.

O dia 15 de setembro representa uma luta da UBAM - União Brasileira das Associações de Musicoterapia, que gerou o Projeto de Lei Nº 386 de 1988 do Estado de São Paulo, escrito pelo Deputado Moisés Lipnik. Em 30 de abril de 1991, o então governador de São Paulo Antônio Fleury Filho tornou oficial por meio da Lei 7177/91 o dia 15 de setembro como o Dia do Musicoterapeuta, data que mais tarde se tornaria nacional.

Apesar da data ter sido instituída em 1991, apenas em 2010 a profissão de Musicoterapeuta foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Atualmente, o profissional Musicoterapeuta atua com o CBO (Código Brasileiro de Ocupações) número 2263-05, como subárea de “Profissionais das terapias criativas, equoterápicas e naturológicas”, como consta no Portal do Trabalho e Emprego, do Governo Federal (2015). É reconhecido o profissional com graduação em Musicoterapia e os portadores de especialização na referida área.

Está em tramitação na Câmara dos Deputados Federal o Projeto de Lei 6379/2019 de autoria da deputada federal Marília Arraes que visa a regulamentação da profissão do Musicoterapeuta. 

Ainda há muito o que galgar na profissão de Musicoterapeuta. Seguimos na luta. Enquanto isto, parabenizamos a todos os profissionais desta bela e árdua profissão.

Parceiro: Casa da Musika

domingo, 23 de julho de 2017

10 Filmes Sobre O Poder Da Música

Que a música é um elemento indispensável na vida moderna da humanidade, isso todos nós já sabemos. Mas além de alegrar o nosso dia a dia, a música tem um verdadeiro poder transformador. E o cinema tem aproveitado o tema para realizar algumas da películas mais emocionantes da telona.

Aqui estão alguns exemplos dos melhores filmes sobre o poder da música:

10 - Música do Coração (Music Of The Heart, 1999)

O filme conta a história real de Roberta Guaspari (Meryl Streep), uma violinista que foi abandonada pelo marido e se vê obrigada a dar aulas numa escola pública de East Harlem. O que começa como uma tarefa obrigatória, acaba como um ato de amor, dedicação e transformação de uma comunidade. Após alguns anos, a luta de Roberta é para manter o programa de música, após um corte na verba escolar.

9 - Mr. Holland - Adorável Professor (Mr. Holland's Opus, 1995)

Gene Holland (Richard Dreyfuss) é um compositor que planeja completar sua sinfonia. No ano de 1964, decide lecionar em uma escola em um período inicial de 4 anos para completar sua renda. Porém, sua esposa engravida e seu filho nasce com deficiência auditiva, fazendo com que Holland adie seus sonhos de compositor para manter sua família. O que poderia ser a grande frustração da vida de Holland, torna-se em seu maior feito. Como professor, ele irá transformar a vida de seus alunos e a sua própria.

8 - O Pianista (The Pianist, 2002)

O filme conta a trajetória do pianista polonês Wladyslaw Szpilman (Adrian Brody) que tenta sobreviver após o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939. Inspirado em fatos reais da vida do músico, o filme ganhador de vários prêmios, incluindo o Oscar de melhor ator para Brody, é um importante relato de uma das épocas mais sombrias da história moderna.

7 - A Voz do Coração ( Les Choiristes, 2003)

Em um pensionato para crianças consideradas delinquentes, o professor Clément Mathieu (Gerárd Jugnot) tem a missão de formar um coro com os meninos, enquanto lida com os métodos não ortodoxos do diretor. Quem narra a história é um dos seus alunos, Pierre Morhange (Jacques Perrin), uma das mais brilhantes vozes do coro.

6 - O Solista (The Solist, 2009)

O colunista do Los Angeles Times Steve Lopez (Robert Downey Jr) é um homem problemático que vive em busca de uma história incomum. Ele encontra nas ruas um mendigo que ganha seus trocados tocando Beethoven ao violino nas ruas. Encantado pela destreza do músico, Lopez decide fazer uma matéria sobre ele, descobrindo que Nathaniel Ayers (Jamie Foxx) é na verdade um ex prodígio do violoncelo que sofre de esquizofrenia. Eles desenvolvem uma intensa amizade, com Lopez tentando ressocializar Ayers e devolvê-lo ao mundo da música.

5 - A Família Bélier (Le Famille Bélier, 2014)

Paula Bélier (Louane Emera) é uma jovem com uma família bem diferente, seus pais e seu irmão são deficientes auditivos, sendo ela a única na família que ouve. Sendo assim, acaba sendo intérprete dos seus familiares em seus trabalhos na fazenda, consultas médicas, e em outras atividades, o que proporciona ao filme algumas cenas hilárias. Paula porém descobre o talento para o canto e tem a oportunidade de viajar para Paris para se aprimorar. É então que entra o dilema, deixar seus pais ou seguir seu sonho. Um filme emocionante e com final surpreendente. 

4 - O Quarteto (Quartet, 2012)

O Quarteto é um filme emocionante sobre envelhecer com a música ao seu lado. Três ex cantores líricos encontram-se morando em um lar para idosos. Cissy (Pauline Collins), Reggie (Tom Courtenay) e Wilfred (Billy Connolly) passam seus dias ensaiando e cantando juntos para seus colegas de casa. A chegada de Jean (Maggie Smith), ex esposa de Reggie, traz novos conflitos e uma grande oportunidade ao quarteto, reviver a parceria de sucesso na ópera Rigoletto.

3 - O Último Concerto (A Late Quartet, 2012)

Peter Mitchell (Christopher Walken), Robert Gelbart (Phillip Seymour Hoffman), Julliette Gelbart (Catherine Keener) e Daniel Lerner (Mark Ivanir) formam um dos mais famosos quartetos de cordas dos EUA. Porém, uma notícia trágica irá mudar os rumos do grupo. O fundador do quarteto, Peter é diagnosticado com Mal de Parkinson e decide deixar o grupo. Planeja então um concerto que marcará sua despedida. A notícia abalará a já frágil relação dos membros do quarteto, que terão de aprender a superar suas dificuldades e problemas pessoais para celebrar a história do quarteto. O filme é o último registro cinematográfico do ator Phillip Seymour Hoffman, que cometeu suicídio antes do lançamento do filme.

2 - Canção Para Marion (Song For Marion, 2013)

Marion (Vanessa Redgrave) está com câncer terminal. Sua maior alegria é cantar. Seu rabugento marido Arthur (Terence Stamp), mesmo sem entender o amor da esposa pela música, a leva sempre aos ensaios do coro. Após a morte da esposa, Arthur fica cada vez mais solitário. É então que entra em ação a regente do coro, Elizabeth (Gemma Arterton), numa busca para trazer a alegria de viver à Arthur, através da música. Um filme emocionante. Destaque para Redgrave cantando True Collors.

1 - A Música Nunca Parou (The Music Never Stopped, 2011)

Gabriel Sawyer (Lou Taylos Pucci) é um jovem que abandonou sua casa e manteve-se a distância de sua família. Vinte anos depois, seus pais o reencontram, mas descobrem que Gabriel possui um tumor no cérebro, e grande parte de sua memória é perdida. Seu pai, Henry (J. K. Simmons), trava então uma batalha para se conectar com seu filho que, apesar de não conseguir produzir novas memórias, bem como não conseguir dialogar com este, responde de forma surpreendente à música. Ao lado deles está a musicoterapeuta Dianne Daley (Julia Ormond), na busca por reabilitar as memórias de Gabriel através das músicas que marcaram a vida dele.

Menção Honrosa - Tempo de Despertar (Awakenings, 1990)

O filme Tempo de Despertar é baseado no livro homônimo do neurologista Oliver Sacks. Nele, o neurologista Malcolm Sayer (Robin Williams), começa a trabalhar em um hospital psiquiátrico com pacientes com uma forma agressiva de catatonia. Ele utiliza uma droga experimental, L-DOPA e promove um "despertar" no quadro destes pacientes. Embora não lide diretamente com a temática musical, o filme conta com uma cena em que mostra que uma de suas pacientes se movimenta espontaneamente ao som da música. Em outra ceno, o personagem principal diminui consideravelmente os tremores durante a dança com uma amiga.
Parceiro: Casa da Musika

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Villa-Lobos e o Violão



O ano era 1903. Santos Dumont acabara de chegar de sua vitoriosa empreitada em Paris. Dentre as muitas homenagens que recebeu, uma se destacou em seu coração. Um grupo de "chorões" toca uma música de Eduardo Neves:

"A Europa curvou-se ante o Brasil
E clamou parabéns em meigo tom
Brilhou lá no céu mais uma estrela
Apareceu - Santos Dumont"

Dentre o grupo, encontrava-se um rapaz magrinho que tocava a ocarina. Mas que já era mestre ao violão, e com ele, ajudava no sustento da família, dando lições a cinco mil-réis por mês. O jovem era ninguém menos do que Heitor Villa-Lobos, ou simplesmente Villa. Já não era mais o "fujão" Tuhu. Trazia nos ombros a responsabilidade de ser o "homem da casa" após a morte de seu pai. Já não havia em sua casa a ilusão de que iria tornar-se médico. Deveria ser músico. Melhor guiar-se pelo coração seresteiro do que torna-se um mau médico, como diria a sua amada tia Fifina.




Villa-Lobos passou a integrar o grupo de choro Cavaquinho de Ouro, que tocava músicas de Ernesto Nazareth, Joaquim Callado, dentre outros. Convivia com Quincas Laranjeira, João Pernambuco, Pixinguinha, Donga, Catullo da Paixão Cearense, dentre outros. Mas não se resumiu ao choro. Estudou a técnica dos grandes nomes do violão europeu, como Tárrega, Carcassi e Sor. Em seu famoso encontro com Andrés Segóvia, disse-lhe que "não era violonista, mas sabia toda a técnica de Carulli, Sor, Aguado, Carcassi, etc" (TABORDA, 2011)

Joaquim Callado


As primeiras composições de Villa-Lobos para o violão datam de 1899, com a "Mazurka em Ré" e "Panqueca". Infelizmente estas obras foram extraviadas. Mas o velho Villa ainda iria nos deixar grandes obras para o instrumento, compondo até 1950 para o mesmo. Mesmo tendo estudado técnicas europeias, a música de Villa traria sempre o caráter nacionalista. Entre os anos de 1908-12 ele escreve a "Suíte Popular Brasileira", composta por 5 peças (Mazurca-choro, Schottisch-choro, Valsa-choro, Gavota-choro e Chorinho).

Choros, Estudos e Prelúdios

Em 1920, Villa-Lobos compõe o "Choro nº 1", em homenagem ao mestre Ernesto Nazareth. Esta obra é o "abre-alas" para uma série de 17 choros, que refletem o virtuosismo deste e a habilidade em juntar a técnica e a expressão popular em uma única obra. Em suas próprias palavras, Villa-Lobos afirma que os Choros são construídos "segundo uma forma técnica especial, baseada nas manifestações sonoras dos hábitos e costumes dos nativos brasileiros, assim como nas impressões psicológicas que trazem certos tipos populares, extremamente marcantes e originais" (TABORDA, 2011).
Ernesto Nazareth


Trecho da partitura do Choro nº1



Entre os anos de 1924-29, mais uma vez um mestre é alvo das homenagens de Villa. A série de 12 peças intituladas "Estudos" é composta e dedicada a Andrés Segóvia. Até os tempos atuais, tanto os "Choros" como os "Estudos" são repertório obrigatório aos violonistas que ambicionam o profissionalismo e o aprimoramento técnico e virtuosístico.

Andrés Segóvia


A série "Prelúdios" conta com 5 peças dedicadas a sua segunda esposa Arminda, a qual ele chamava carinhosamente de Mindinha. Foram escritas na década de 40.

Concerto Para Violão e Orquestra

Por encomenda de Segóvia, Villa-Lobos compôs uma "Fantasia Concertante" para violão e orquestra. Villa prontamente atendeu seu pedido, que a princípio não contava com a tradicional cadenza entre o segundo e terceiro movimento. Esta seria sua última composição para o violão. o ano era 1951, a saúde de Villa-Lobos começava a abandoná-lo. 8 anos depois, viria a falecer.
Segóvia e Villa-Lobos

Nesta obra, Villa adiciona uma autocitação no segundo movimento, extraído do tema principal das "Bachianas Brasileiras nº 4". Para o primeiro movimento, Villa se inspirou no Nordeste brasileiro. Aliás, como veremos nos próximos capítulos, Villa-Lobos era um grande viajante e pesquisador da música brasileira. E fazia questão de imprimir toda essa "brasilidade" em suas composições. E assim como a cultura de nosso país é abrangente, diversa é a obra de Villa.


Porém, Villa-Lobos resolveu escrever a cadenza e dar de presente a Segóvia, tornando a Fantasia no "Concerto para Violão e Orquestra". Uma obra que encerra com chave de ouro a contribuição do velho Villa ao seu amado instrumento violão.

Em breve voltaremos com mais um capítulo da épica saga de Heitor Villa-Lobos pelo mundo da música. Leiam também a primeira e segunda parte desta jornada.



Referências:

BUENO, Roberto. Pedagogia da Música - Vol. 1. Keybord Editora Musical LTDA. Jundiaí, 2011

SILVA, Francisco Pereira da. Villa-Lobos. Ed. Três. São Paulo, 1974]

TABORDA, Márcia. Violão e Identidade Nacional. Ed, Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 2011

Grandes Compositores da Música Clássica: Villa-Lobos. Abril Coleções. São Paulo, 2009

Antônio Carlos Gomes, José Pablo Moncayo, Heitor Villa-Lobos, Alberto Ginastera: Royal Philharmonic Orchestra. Mediasat Group S.A.: texto e documentação Eduardo Rincón: tradução Eliana Rocha. Publifolha. São Paulo 2005 (Coleção Folha de Música Clássica)

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O que é Musicoterapia

INTRODUÇÃO À MUSICOTERAPIA

Amanda Viana Pontual
Palestra na Acorde’s Escola de Música
Setembro, 2015



Música inspira, transpira, exala emoções. Desde a canção que toca nas rádios até a maior das sinfonias. Dos bregas que embalam as “dores de cotovelo” aos “batidões” que fazem o corpo dançar. A música, antes de ser arte, é expressão.
Essa expressão que nos move e comove, que também fere e incomoda. As reações diversas e adversas de combinações sonoras que nos fazem tanto bem, como também podem nos fazer mal. E a música é terapia em si mesma. Porém, assim como ampla é a gama de utilizações da música, amplos são os caminhos que levam a música a ser mais do que tocar, ensinar ou utilizar a música para outros fins.
A Musicoterapia é um destes caminhos. O caminho que não visa o estético, nem o aprendizado propriamente dito da música. Mas que utiliza a combinação de sons como um canal de comunicação, que visa, acima de qualquer coisa, a promoção da saúde.
“A Musicoterapia é fruto do encontro entre os saberes ligados à arte e à ciência” (CHAGAS & PEDRO, 2008, p. 37). Talvez seja esta a frase que melhor resume o que é a Musicoterapia hoje. Afinal, este campo que tanto permeou entre o místico, o artístico e que mais do que nunca tenta fincar raízes no científico, tem se revelado uma junção destas bases, assim como era no passado, quando a ciência e a filosofia não eram seccionadas. Quando os saberes eram interligados.
A música enquanto elemento terapêutico não se constitui numa teoria nova. Se buscarmos no passado, veremos que a mesma é utilizada desde o início da civilização moderna. Ou até mesmo antes disso.
Rolando Benenzon (1985), relata que os primeiros escritos sobre a utilização da música para fins terapêuticos datam de 1500 antes de Cristo. Papiros encontrados em Kahum no Egito, por Petri em 1899 já trazem relatos sobre a utilização da música na fertilidade das mulheres. Bem como em passagens bíblicas, como em Samuel (16:23), no qual é citado que Davi utiliza a harpa para afastar os maus espíritos de Saul.
O berço da civilização, a Grécia, traz a música sob uma ótica científica. “O conceito de uma força terapêutica ou ‘harmonizadora’ na música tem prevalecido na estética e educação musical desde a Grécia antiga.” (RUDD, 1990, p. 15). Filósofos, matemáticos e pensadores. Homens como Pitágoras, Platão e Aristóteles utilizavam a música como meio de se chegar a uma harmonia de corpo, mente e espírito, promovendo a saúde e o bem estar.

Na Antiguidade, Pitágoras, sábio grego que acreditava no princípio numérico como base da existência do universo, escutava o som das estrelas e por meio dessa sonoridade curava seus discípulos. Platão e Aristóteles, por sua vez, indicavam melodias construídas em determinados intervalos e escalas com o objetivo de colaborar com a formação dos jovens. A música foi ciência. (CUNHA, 2009, p. 2).



Porém, a visão totalitária da ciência foi sendo abandonada ao longo dos séculos, sendo substituída pela razão e experimentação. Toda ação, para ser aceita no meio científico, deve passar por uma série de testes que comprovem sua eficácia. A química se sobrepõe aos demais tratamentos.

A música perdeu, no entanto, por todo o século XIX, muito de sua influencia como “poder terapêutico” usual devido ao enfraquecimento geral do conceito de estética em medicina e ao crescimento da filosofia positivista de ciência, enfatizando o método experimental de procedimentos baseados na ciência natural. (RUUD, 1990. P. 17)

O caminho de volta da música ao campo científico da promoção da saúde começou a ser galgado meio que ao acaso. Músicos profissionais foram contratados no pós guerra, nos Estados Unidos, como meio de distrair soldados egressos das batalhas. Mutilados física e psicologicamente, estes soldados passam a ter uma melhora em seus quadros ao serem submetidos às sessões com música. “A experiência musical provocou uma mudança no quadro clínico daquelas pessoas” (CHAGAS &. PEDRO, 2008, p. 37).
Porém, aos poucos foi-se percebendo que, para se obter melhores resultados, não bastava apenas que o profissional fosse um bom músico. Era preciso que o mesmo fosse também um terapeuta. A diferença está na visão e no plano a ser abordado com cada paciente. A visão de um músico é basicamente estética, e sua abordagem prioriza a execução musical. Um terapeuta irá traçar um plano para cada situação, cada paciente ou grupo de pacientes, com uma visão muito mais voltada para a promoção da saúde do que para o sentido estético da música.
Para tanto, era preciso estabelecer um plano de formação para esta nova área. “Eles avaliaram, então, a necessidade de se estabelecer um plano para a formação de profissionais especializados na aplicação científica da música e seus elementos: ritmo, altura, intensidade e timbre” (CUNHA, 2009, p.3).
Desta forma, foram surgindo cursos em níveis de especialização e graduação em Musicoterapia, com a finalidade de preparar o profissional Musicoterapeuta para o campo de atuação.
A Musicoterapia abrange áreas com as de reabilitação motora, no tratamento de paciente neurológicos, psíquicos, ou simplesmente de prevenção de doenças. Não há um campo único e exclusivo para o uso da Musicoterapia. A mesma é tida também como terapia complementar à fisioterapia, psicologia, psiquiatria, fonoaudiologia, etc.

Atualmente, a Musicoterapia tem sido utilizada em diversos campos distintos, como na reabilitação motora, no tratamento de problemas psicológicos, e até mesmo como prevenção de enfermidades, promovendo, acima de tudo, saúde. A Musicoterapia pode e deve ser associada a outras práticas clínicas para que obtenha melhores resultados e possa contribuir de maneira mais eficaz com os planos de tratamentos propostos. (PONTUAL, 2014, p. 33)
O profissional Musicoterapeuta atua com o CBO (Código Brasileiro de Ocupações) número 2263-05, como subárea de “Profissionais das terapias criativas, equoterápicas e naturológicas”, como consta no Portal do Trabalho e Emprego, do Governo Federal (2015). É reconhecido o profissional com graduação em Musicoterapia e os portadores de especialização na referida área.
O conceito de Musicoterapia variou durante anos. A última convenção da Word Federation of Music Therapy assim a descreve:

A utilização da música e/ou de seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia), por um Musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou grupo, em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender às necessidades físicas, mentais, sociais e cognitivas.
A Musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele ou ela alcance uma melhor organização intra e/ou interpessoal e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento. (WORLD FEDERATION OF MUSIC THERAPY, 1996, apud CHAGAS et PEDRO, 2008, p. 39)


Enquanto campo de atuação, a Musicoterapia ainda busca seu espaço e reconhecimento, muito embora tenha crescido consideravelmente nos últimos anos, muito em virtude das políticas de humanização da saúde.
A Musicoterapia ainda compete com a desinformação, que leva muitas instituições a contratarem músicos sem formação específica para atuarem no campo terapêutico. A luta do profissional Musicoterapeuta se dá pelo reconhecimento da área com bases nos estudos científicos que comprovam a eficácia da utilização da música na promoção da saúde, aliada ao plano de tratamento proposto pelo profissional, que difere em sua base do plano da educação musical.

Casa da Musika oferece atendimentos em musicoterapia para diversas áreas. Em 2018, a instituição inicia também uma parceria com a ONG Mães Guerreiras da Cidade de Paulista, realizando atendimentos a crianças autistas que não tem como pagar este tipo de terapia.





REFERÊNCIAS:

BENENZON, Rolando O. Manual de Musicoterapia. Tradução de Clementina Nastari. Rio de Janeiro: Enelivros, 1985.

CHAGAS, Marly; PEDRO, Rosa. Musicoterapia: Desafios entre a modernidade e a contemporaneidade - Como sofrem os híbridos e como se divertem. Rio de Janeiro: Mauad X-Bapera, 2008.

CUNHA, Rosemyriam. Musicoterapia na Abordagem ao Portador de Doença de Alzheimer. 2009. Disponível em www.fap.pr.gov.br_arquivos_File_RevistaCientifica2_rosemyriamcunha Acesso em 07 de março de 2012.


PONTUAL, Amanda Viana. Musicoterapia como Terapia Complementar ao Tratamento das Perdas Neurodegenerativas da Memória da Doença de Alzheimer. Monografia de conclusão do Curso de Especialização em Musicoterapia da FACHO. 2014

Portal do Trabalho e Emprego. Disponível em http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pages/pesquisas/BuscaPorTituloResultado.jsf Acesso em 12 de setembro de 2015.

RUUD, Even. Caminhos da Musicoterapia. Tradução Vera Wrobel. São Paulo: Summus, 1990.