domingo, 16 de maio de 2021

Afrociberdelia: 25 anos


 

"'To enfiado na lama

É um bairro sujo
Onde os urubus têm casas
E eu não tenho asas
Mas estou aqui em minha casa
Onde os urubus têm asas
Vou pintando, segurando a parede
No mangue do meu quintal Manguetown"



Esses versos da canção Manguetown une duas das maiores características do movimento Manguebeat: a critica social e a referência ao mangue, ecossistema que percorre a maior parte da Região Metropolitana do Recife e que tem sido aterrado e destruído para dar lugar a casas, prédios e outros empreendimentos imobiliários.

Afrociberdelia é um neologismo composto pela aglutinação de Afro com cibernética e psicodelia. Refere-se aos ritmos que compõem a base do disco, desde o afro ao rock psicodélico e música eletrônica. É o segundo álbum da banda Chico Science e Nação Zumbi. O disco sucede ao Da Lama Ao Caos, primogênito da banda oriunda de Olinda.



O compositor e escritor paraibano Bráulio Tavares define o termo Afrociberdelia no encarte do disco: No jargão das gangs e na gíria das ruas, o termo "afrociberdelia" é usado de modo mais informal:

a) Mistura criativa de elementos tribais e high-tech:

"Pode-se dizer que o romance The Embedding, de Ian Watson, é um precursor da ficção-científica afrociberdélica"

b) Zona, bagunça em alto-astral, bundalelê festivo:

"A festa estava marcada pra começar às dez, mas só rolou afrociberdelia lá por volta das duas horas da manhã"




Além de Manguetown, o disco traz hits como Macô e a regravação de Maracatú Atômico de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. Produzido por Eduardo Bid, o disco foi lançado após uma turnê da banda pelos Estados Unidos e Europa.


O disco acabou sendo o último de Chico Science, que viria a falecer menos de um ano depois de seu lançamento devido a um acidente de carro.




FAIXAS:


1) Mateus Enter (Chico Science & Nação Zumbi)

2) O Cidadão do Mundo (Chico Science & Nação Zumbi, Eduardo Bidlovsky)

3) Etnia (Chico Science, Lúcio Maia)

4) Quilombo Groove (Chico Science & Nação Zumbi)

5) Macô (Chico Science, Jorge Du Peixe, Eduardo Bidlovsky)

6) Um Passeio no Mundo Livre (Dengue, Pupilo, Gira, Jorge Du Peixe, Lúcio Maia)

7) Samba do Lado (Chico Science & Nação Zumbi)

8) Maracatú Atômico (Jorge Mautner, Nelson Jacobina)

9) O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu (H. D. Mabuse, Jorge Du Peixe)

10) Corpo de Lama (Chico Science, Jorge Du Peixe, Gira, Dengue, Lúcio Maia)

11) Sobremesa (Chico Science, Jorge Du Peixe, Renato L.)

12) Manguetown (Dengue, Lúcio Maia)

13) Um Satélite na Cabeça (Bitnik Generation) (Chico Science & Nação Zumbi)

14) Baião Ambiental (Dengue, Lúcio Maia, Gira)

15) Sangue de Bairro (Chico Science & Nação Zumbi, Ortinho)

16) Enquanto o Mundo Explode (Chico Science & Nação Zumbi)

17) Interlude Zumbi (Bola Oito, Gira, Toca Gam)

18) Criança de Domingo (Cadão Volpato, Ricardo Salvagni

19) Amor de Muito (Chico Science & Nação Zumbi)

20) Samidarish (Dengue, Lúcio Maia)

21) Maracatú Atômico (Atomic Version)

22) Maracatú Atômico (Ragga Mix)

23) Maracatú Atômico (Trip Hop)


Referências:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Afrociberdelia


https://jc.ne10.uol.com.br/cultura/2021/05/12124300-classico-da-nacao-zumbi-afrociberdelia-completa-25-anos-e-segue-sendo-referencia.html


http://conteudo.ebc.com.br/portal/projetos/2016/chicoscience/

sábado, 15 de maio de 2021

Pet Sounds 55 anos

Texto de Amanda Pontual originalmente escrito para o blog www.acordesrecife.blogspot.com em maio de 2016

O ano era 1966. O dia, 16 de maio. Esta foi a data de lançamento de um dos álbuns mais icônicos da história do Rock. O gênio de Brian Wilson chegava ao seu ápice, antes que as drogas psicoativas e a iminente doença mental lhe roubassem a juventude e o brilhantismo.

Pet Sounds é mais que um álbum de Rock and Roll. É quase uma odisseia. Separa a história da música moderna em antes e depois. Nem mesmo os geniais Beatles ficaram imunes às inovações apresentadas neste disco. Aliás, Foram os mesmos Beatles a inspiração para a concepção deste trabalho. Ao ouvir "Rubber Soul" do quarteto de Liverpool, Brian Wilson sentiu-se tão inspirado e instigado que prometeu a si mesmo que lançaria o maior álbum da história do Rock.



Decerto, ele conseguiu, pelo menos pelo período de 1 ano, até ser superado pelo Sgt. Pepper's dos Beatles. São estes os álbuns que ocupam a 2ª e 1 posições respectivamente na lista da revista Rolling Stones dos 500 Melhores Álbuns da História.



Os Beach Boys eram, até então, conhecidos como a expressão da vida Californiana. Sempre com a temática do Surf e canções alegres, o grupo ajudou a imortalizar a imagem de praia, belas mulheres e um rock alegre que caracteriza a Califórnia. Já Pet Sounds é bem mais intimista, mais ousado e distante da antiga fórmula de sucesso adotada pelo grupo.



À época da concepção do álbum, Brian Wilson tinha apenas 23 anos. Assim como seus irmão Carl e Dennis Wilson, também membros da banda, era praticamente autodidata, tendo aprendido música com seu violento pai, à quem também se credita uma série de abusos físicos e psicológicos. É dito inclusive que a surdez de 95% a qual Brian é acometido no ouvido direito deve-se a uma surra imposta por Murry Wilson.



Para a concepção das faixas, Wilson abandonou os shows do Beach Boys e pôs-se exclusivamente a trabalhar em estúdio. Dentre as inovações do álbum estão a utilização de arranjos vocais bem elaborados, arranjos orquestrais e a utilização de instrumentos átipicos, como o Theremin. Há ainda a  utilização de sons incomuns como latidos de cachorros, latas de Coca-Cola, sinos de bicicleta e som de locomotiva.






O nome do álbum é, na verdade, uma homenagem ao produtor Phil Spector, de quem Brian era adversário e, ao mesmo tempo, fã. Ele se utiliza das iniciais do produtor para nomear o seu "Pet Sounds", que pode ser traduzido aqui como sons de estimação.



O novo som pensado pelo gênio de Brian Wilson gerou uma grande polêmica entre os integrantes do grupo, em especial ao vocalista Mike Love. Os atritos entre os dois músicos foi intenso e provocou mudanças nas letras e atrasos no lançamento do álbum. Averso às inovações promovidas por Brian, Mike Love afirmava que ninguém ouviria aquele disco. A história provou que ele estava errado. Não apenas Pet Sounds foi e é um sucesso como mudou os rumos do Rock. O produtor George Martin, dos Beatles, chegou a afirmar que, sem Pet Sounds, Sgt Pepper's nunca teria existido.

Hoje Brian Wilson é aclamado como um dos grandes gênios da música popular dos últimos anos. Pet Sounds atinge às Bodas de Ouro como a grande obra de arte de um gênio que perdeu-se na loucura antes de se encontrar com o reconhecimento e admiração dos amantes da boa música.


Curiosamente, Pet Sounds foi gravado todo em sistema Mono. Nesta época já era comum que as gravações utilizarem o sistema stereo, porém Brian Wilson decidiu não adotá-lo. Os motivos para tal decisão são muitos. Primeiramente, havia o fato de Phil Spector gravar em mono. Os rádios, programas de tv e os toca-discos também utilizavam o sistema mono. Porém a razão mais aceita é a de que Wilson decidiu usar o sistema Mono devido à sua própria condição de surdez parcial. Como ele só ouvia por um de seus ouvidos, não havia sentido gravar em sistema stereo.

Um dos maiores sucessos do Beach Boys, a canção Good Vibrations, ficou de fora da versão final de Pet Sounds, sendo lançada ainda em 1966 como compacto. O grupo iniciou as gravações do seu álbum Smile, mas a esquizofrenia mal tratada de Brian Wilson, aliada ao seu abuso de LSD impediram que o projeto fosse adiante. A banda entrou em hiato após o lançamento de Smiley Smile em 1967 retornando às paradas na década de 80. Porém sem nunca conseguir um feito histórico como Pet Sounds.


Tracking List:

1. Wouldn't It Be Nice
2. You Still Believe In Me
3. That's Not Me
4. Don't Talk (Put Your Head On My Shoulder)
5. I'm Waiting For The Day
6. Let's Go Away For Awhile
7. Sloop John B
8. God Only Knows
9. I Know There's An Answer
10. Here Today
11. I Just Wasn't Made For These Times
12. Pet Sounds
13. Caroline No



Referências:

http://www.glidemagazine.com/glide/wp-content/uploads/2016/03/beachboys33.jpg
https://kellmill.files.wordpress.com/2012/04/brian_wilson.jpg
https://www.jazz88.org/Images/brian_wilson_2.jpg
http://cdn8.openculture.com/wp-content/uploads/2014/10/ul.jpg
https://philspector.files.wordpress.com/2013/04/wrecking-crew-studio.gif
http://www.somvinil.com.br/wp-content/uploads/2012/04/sgt_pepper_cover2.jpg
http://d817ypd61vbww.cloudfront.net/sites/default/files/tile/image/RubberSoul_1.jpg
http://cultura.estadao.com.br/blogs/sonoridades/wp-content/uploads/sites/102/2016/05/pets.jpg
https://consequenceofsound.files.wordpress.com/2016/01/screen-shot-2016-01-25-at-8-19-14-am.png?w=807
https://nyoobserver.files.wordpress.com/2015/07/226096_10151357877914140_292684985_n.png
http://cdn2.pitchfork.com/longform/357/BrianWilson_GettyImages-74286442_1440x720.jpg
https://en.wikipedia.org/wiki/Murry_Wilson
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pet_Sounds
http://www.allmusic.com/album/pet-sounds-mw0000398074
http://www.beatrix.pro.br/mofo/beach.htm
http://www.rollingstone.com/music/lists/500-greatest-albums-of-all-time-20120531/the-beach-boys-pet-sounds-20120524


sexta-feira, 30 de abril de 2021

30 de Abril: Dia Internacional do Jazz



 Falar sobre jazz não é falar apenas sobre um estilo musical. O jazz é uma expressão artística e política. É uma manifestação cultural de uma parcela da sociedade oprimida, perseguida e esnobada. Mas que ganhou ares de elitismo devido à influencia branca que  retirou o jazz dos guetos e levou às salas de concerto, o que  fez com que o jazz virasse consumo de uma parcela da população dita mais culta e esnobe.



O jazz nasceu no sul dos Estados Unidos, mais precisamente em Nova Orleans no estado da Louisiana, terra de grande atividade agrícola no século XVIII e que dependia muito do trabalho escravo. Fundada por colonos franceses em 1718, a cidade é um berço multicultural, com a influencia francesa, espanhola, indígenas e afro-americanas. E foi justamente da atividade agrícola que as bases do jazz e de outro gêneros musicais nasceram.


Os negro spirituals, são canções acompanhadas movimentos rítmicos e corporais cujo texto se baseia nos textos bíblicos. Os escravos americanos já entoavam estes cantos antes da Revolução Americana de 1776, e tinham um tom de lamento e uma ideia política de luta contra a escravidão. Porém, os primeiros spirituals só foram catalogados em meados de 1860. Dos spirituals nasceu o Blues e da mistura do Blues e do Ragtime, nasceu o jazz. Outra forte influência são os cantos de trabalho que utilizam a forma de pergunta e resposta e que também influenciaria o estilo folk americano.


Por volta dos anos de 1900, começam a surgir as primeiras orquestras negras e em 1917 aparecem os primeiros discos de blues, ragtime e outras jass musics, como consta em CANDÉ, (2001, pag. 400). O termo jass apareceu por volta de 1917-1920 de uma gíria dos negros americanos relativa ao sexo. A Europa logo neste início se interessou pelo estilo, com turnês de conjuntos negros, como do clarinetista Sidney Bechet em 1919. Mas logo as orquestras brancas foram surgindo e tomando o lugar das orquestras negras, modificando suas raízes. A primeira gravação de jazz coube ao grupo branco Original Dixieland Jass Band, com a faixa "Livery Stable Blues"



Sidney Bechet


O Jazz se caracteriza pela improvização, polirritimia, pelo uso do blue note, chamadas e respostas e forma sincopada. Os instrumentos mais utilizados são os metais, a bateria e os instrumentos de palheta. Atualmente os baixos e guitarras também tem sido bastante utilizados, além do piano. É comum dentro de uma apresentação de jazz que cada componente da banda realize um solo improvisado dentro da apresentação.


Os Vários Estilos de Jazz.

Dixieland é um dos primeiros estilos de jazz que se tem notícia. É chamado também de Jazz Tradicional. O estilo foi criado em 1910 e foge do refinamento, além de utilizar muita irreverência. Alguns dos principais grupos e autores do gênero são Buddy Bolden, Louis Armstrong, Sidney Bechet e a Original Dixieland Jass Band.




Swing e Big Bands. O Swing surgiu nos anos 1930 e foi responsável pela crescente onda das Big Bands (orquestras que utilizam em sua maioria instrumentos de metais). Um dos primeiros estilos de jazz de grande destaque, foi responsável pela popularização do estilo na sociedade americana e, posteriormente, produto de exportação para o mundo. Destacam-se mais uma vez Louis Armstrong (conhecido como o "Rei do Jazz"), Ella Fitzgerald e Billie Holiday





Bebop e Hard Bop. São estilos mais radicais de jazz, com sonoridade mais rápida e complexa. Estilo mais rebuscado, apareceu nos anos de 1950 e inicia o processo de elitização do jazz. Dentre os destaques do estilo estão Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Bill Evans.




Cool Jazz e Soul Jazz. Este estilo vem como uma oposição aos demais estilos de jazz. De sonoridade calma e grande influência do Blues. Seu grande destaque é Miles Davis.



Free Jazz é mais experimental, livre e descompromissado com a simetria sonora. Surgiu no final dos anos 1950. Destaque para John Coltrane.



Fusion Jazz inicia uma nova etapa em que o jazz passa a fundir-se com outros estilos, em especial com o Rock. Destacam-se Herbie Hancock e Frank Zappa.



Jazz Latino mistura o Jazz americano com estilos como Mambo, Samba, Merengue e Salsa.




Destaco também a Bossa Nova, estilo brasileiro dos anos 1950 que mistura a improvisação do jazz com a cadência do samba.


Dia Internacional do Jazz

Celebrada pela primeira vez em 2012, a data foi anunciada pela UNESCO e pelo embaixador da Boa Vontade Herbie Hancock como forma de celebrar o estilo. A data foi sugerida por Hancock. Ao longo de 10 edições, apresentações musicais promovidas pela UNESCO e por outros grupos são realizados anualmente.

No ano de 2021 terá a participação de Herbie Hancock, Andra Day, Diane Reeves, Joe Lovano, Melissa Aldano e Ivan Lins.

Referências:


CANDÉ, Roland de. História Universal da Música: vol. 2. Tradução: Eduardo Brandão: revisão de tradução Marina Appenzeller. São Paulo: Martins Fontes, 2001

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jazz

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Orle%C3%A3es

https://brasilescola.uol.com.br/artes/jazz.htm

https://epoca.globo.com/cultura/noticia/2017/03/ha-um-seculo-o-jazz-comecou-conquistar-o-mundo.html#:~:text=Os%20cr%C3%ADticos%20acreditam%20que%20o,ritmo%20sincopado%20ent%C3%A3o%20na%20moda.

https://www.calendarr.com/portugal/dia-internacional-do-jazz/

https://pt.unesco.org/news/celebracao-do-dia-internacional-do-jazz-2020

https://pt.wikipedia.org/wiki/Luisiana#:~:text=Atualmente%2C%20a%20economia%20do%20estado,distribui%C3%A7%C3%A3o%20de%20petr%C3%B3leo%20e%20derivados.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Spiritual

https://en.wikipedia.org/wiki/Work_song

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sidney_Bechet

https://www.todamateria.com.br/jazz/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dixieland#:~:text=O%20Dixieland%20ou%20Jazz%20tradicional,em%201910%2C%20em%20Nova%20Orleans.

https://en.wikipedia.org/wiki/International_Jazz_Day


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

The Wall - A Ópera Rock do Pink Floyd. Parte 2

 "Eu estava sentado à mesa comendo algo e me senti muito mal. De repente, foi como tudo tivesse pegado outra dimensão. Tudo espalhou0se, tudo. Pensei: 'Diabo! Estou ficando louco. Deve ser assim.". De repente a realidade mudou completamente".

Um colapso nervoso de um homem que estava recentemente separado de sua esposa. Uma crise de pânico social invadiu Roger Waters que chegou a cuspir em um fã durante uma apresentação. Então a ideia de criar um muro entre ele e o público surgiu em sua caminhada ao hospital, após machucar o pé em um golpe de caratê errado, desferido contra um empresário. Faltava apenas o tema, o script de um concerto espetáculo com toques de tragédia grega e reviravoltas de um drama de ficção.


Waters veio ao estúdio com a demo de Bricks in the Wall. Sacramentou que este só funcionaria como álbum duplo. As opiniões foram divididas. Nick Mason disse que "era como um esqueleto com vários ossos faltando", mas no geral, gostou da ideia. David Gilmour achou "depressivo e chato", mas aprovou o conceito básico.

Bob Ezrin ficou com a incumbência de arrumar o roteiro que acreditava ser de um filme imaginário. Escreveu um livro de 40 páginas em uma noite, montando uma trama com a história pessoal de Waters e tentando enquadrar com as músicas já produzidas. "No dia seguinte, no estúdio, fizemos uma leitura de mesa, como seria feito com uma peça, mas com a banda inteira, e seus olhos brilhavam, porque conseguiram enxergar o álbum pronto" (BLAKE, pág. 292).

Uma vez aprovado, era hora de produzir história.


Uma Epopeia em Três Atos. Ato 1: Infância, Juventude e Vida Pessoal.



A primeira parte da história é baseada na vida pessoal de Waters. O personagem principal, nomeado de Pink, está rememorando sua vida. A primeira parte começa com a morte de seu pai na Segunda Guerra Mundial (o primeiro "tijolo no muro").

Faixa 1: In The Flesh? Uma apresentação ao público de que esta é uma obra tensa. Após algumas notas de um toque militar fúnebre, a banda entra com um som mais pesado. "Então você pensou que iria gostar de ir ao show. Para sentir aquele calafrio quente da confusão. Aquele ardor de um astronauta". Pink não está bem, nas palavras do locutor, que diz ser a banda substituta da noite. A música termina com o choro de um bebê.

Faixa 2: The Thin Ice. "Mamãe ama você. E papai ama você". Um acalanto para um órfão, que perceberá que passará a vida esquiando no gelo fino.

Faixa 3: Another Brick In The Wall (parte 1). Aqui a história começa a tomar corpo. É revelado que seu pai foi para a guerra e não retornou de lá. Este é o primeiro tijolo no muro que levará o jovem Pink a isolar-se do mundo.

Faixa 4: The Happiest Days Of Our Lives. Nesta faixa, Pink relata sobre o bullying sofrido na escola por parte de professores autoritários e que menosprezavam suas produções em sala de aula. Uma prática que ajudou a diminuir a auto estima do jovem Pink (ou seria o jovem Waters?).

Faixa 5: Another Brick In The Wall (parte 2).

  Neste momento, ainda falando sobre sua experiência ruim na escola, Pink diz que não precisamos deste tipo de educação e faz um apelo: deixem as crianças em paz. Aqui vemos uma crítica também ao modelo de sociedade que procura empurrar todos dentro de um padrão, e quem não se encaixar, será excluído dessa sociedade.

Faixa 6: Mother. Terminando o Lado A do primeiro disco da obra, Mother fala da relação entre mãe e filho. Sendo Pink órfão de pai, sua mãe se torna super protetora, Pink se torna dependente e aos poucos este excesso de zelo vai minando a capacidade de Pink em enfrentar o mundo. O muro vai se erguendo mais forte, sendo a mãe sua fonte de salvação contra o mundo cruel que está do lado de fora do muro.



Faixa 7: Goodbye Blue Sky. Ainda remetendo aos traumas causados pela guerra. Os bombardeios, o medo das bombas caindo. Atualmente, Waters usa esse momento para falar de outras guerras, passadas e presentes da nossa história.

Faixa 8: Empty Spaces. "O que devemos usar para preencher espaços vazios? Onde costumávamos falar? Como devo preencher os últimos lugares? Como posso completar o muro?" Reflexões de um homem atormentado pelo passado e presente.

Faixa 9: Young Lust. Neste momento da peça, Pink busca a luxúria como forma de encontrar prazeres na vida. Talvez em busca de uma mulher que seja o oposto de sua mãe. Os conflitos amorosos começam a ser abordados aqui. Para fechar de vez o muro imaginário da mente do personagem e o muro real do concerto, os relacionamentos entre Pink, sua mãe, seus professores e suas mulheres são apresentados como peças chave de uma receita que o levará a loucura.



Faixa 10: One Of My Turns. Intitulado de "Uma das minhas crises", este capitulo fala de um casamento se deteriorando, das crises de violência do marido e, consequentemente, do fim do relacionamento.

Faixa 11: Don't Leave Me Now. Pink apela para que sua esposa não o deixe.

Faixa 12: Another Brick In The Wall (parte 3). "Eu não preciso de braços ao meu redor. E eu não preciso de nenhuma droga para me acalmar. Eu vi a escrita na parede. Não acho que eu preciso nada. Não! Não acho que vou precisar de nada. No final, tudo era apenas tijolos no muro. No final, vocês eram apenas tijolos no muro". Pink se revolta com sua sorte e decide pelo fim de sua relação com a sociedade.

Faixa 13: Goodbye Cruel World. O último tijolo do muro é colocado. Pink se isola de vez da realidade da vida, das dores e decepções. É a sua loucura instalada.


Continua...


Leia também a primeira parte: The Wall - A Ópera Rock do Pink Floyd. Parte 1 

Bibliografia:

Pink Floyd: Behind The Waal. DVD. Dirigido por Bob Smeaton. 2000

BLAKE, Mark. Nos Bastidores do Pink Floyd. Tradução: Alexandre Callari. São Paulo: Évora, 2012






terça-feira, 1 de setembro de 2020

The Wall - A Ópera Rock do Pink Floyd. Parte 1


"Papai voou através do oceano deixando apenas uma memória. Uma foto no álbum de família. Papai, o que você deixou para mim? PAPAI, O QUE VOCÊ DEIXOU PARA TRÁS PARA MIM? No final, era só um tijolo no muro. No final,  eram apenas tijolos no muro."

Assim começa um dos álbuns mais icônicos da história do rock. com o desabafo de um homem de 36 anos que não conheceu o pai. Um homem cujo sucesso começava a deixar marcas negativas em seus relacionamentos pessoais e profissionais, trazendo à tona todos os traumas de um garoto marcado pela guerra direta e indiretamente. Seu avô, um mineiro de 26 anos, morreu na 1ª Guerra Mundial, na França. Seu pai, Eric Fletcher Waters, um comunista que acabou se tornando Tenente do 8º Batalhão dos Fuzileiros Reais, desapareceu na praia de Anzio, Itália na 2ª Guerra Mundial. "Presumidamente morto" era o que estava escrito na carta enviada à sua esposa e seu filho recém nascido. George Roger Waters leva o nome do seu avô e um legado de homens que naõ conheceram suas famílias.

O Tenente Eric Fletcher Waters, sua esposa Mary e seus 2 filhos, John e o bebê Roger
O Tenente Eric Fletcher Waters, sua esposa Mary e seus 2 filhos, John e o bebê Roger

Túmulo de G. H. Waters, avô de Roger Waters

Hoje, Roger Waters é um senhor. Pai e avô. De cabelos brancos, rosto marcado pelo tempo e muitos milhões em sua conta bancária. Mas ainda carrega a carta consigo. Ainda chora a morte de um pai que não conheceu. e este é o prólogo de sua semi autobiografia musical. Uma obra que atinge 3 esferas da arte: música, teatro e cinema. Uma ópera rock com todos os elementos dramáticos de um Mozart ou Puccini.
Roger Waters

Um Muro à Beira do Abismo

O Pink Floyd já era uma banda calejada no final dos anos 70. Sofreu um grande revés logo no início da carreira quando um dos seus fundadores e maiores mentes sucumbiu à loucura e ao vício em LSD. Syd Barret foi "convidado a sair" do Floyd depois de faltar shows, tocar com instrumento desafinado, tocar uma única nota durante todo um concerto, entre outras peripécias. David Gilmour foi chamado para ocupar a vaga do "diamante louco".
Syd Barret


E o Floyd prosperou. Sua obra Dark Side Of The Moon é um dos álbuns mais aclamados da história do Rock.tocavam em estádios lotados, com os mais caros efeitos de luz, cor e som. A banda elevou a experiencia musical a um nível de transcendentalidade, inspirados pelos Ragas hindus e a música de Ravi Shankhar.
Dark Side Of The Moon

Da esquerda para a direita, Richard Wright, Roger Waters, Nick Mason e David Gilmour


Mas 10 discos depois a banda se encontrava em um beco sem saída. Gilmour e Waters discordavam em quase tudo. Richard Wright havia sido demitido da banda que ajudou a construir, e depois recontratado como músico de apoio. Waters era tido como um ditador na banda, da mesma forma que acusa seus colegas de impedirem que ele cantasse por achá-lo muito desafinado. 

Financeiramente, a banda também não ia bem. Problemas com a Receita Federal e com contratos empresariais e uma série de erros gerenciais arrastaram a banda para uma situação desesperadora. Eles precisavam fazer dinheiro. Muito dinheiro. E de preferência, fora da Inglaterra. Isso obrigaria a banda a arrumar as malas com suas famílias e deixarem o Reino Unido, passando por uma experiência nômade, nas palavras de Gilmour.

O temperamento de Waters começava a piorar. Explosões de fúria aconteciam em shows e no estúdio. Seu casamento fracassado contribuía para o problema. Desde cuspe na cara de um fã durante um show da turnê In The Flesh até um golpe de caratê errado contra um empresário, que resultou num ferimento no pé, eram as atitudes de Waters mais difíceis.

Porém, destes eventos surgiram a centelha do The Wall. No caminho para o hospital, Roger, alguns amigos e um psiquiatra conversavam e Waters teria dito que imaginava criando um muro entre ele e o público. EUREKA! Nascia o embrião da obra prima de Waters.


Bibliografia:

Pink Floyd: Behind The Waal. DVD. Dirigido por Bob Smeaton. 2000

BLAKE, Mark. Nos Bastidores do Pink Floyd. Tradução: Alexandre Callari. São Paulo: Évora, 2012






terça-feira, 14 de julho de 2020

O Bom E Velho Rock And Roll

Artigo publicado originalmente em 04 de outubro de 2014
no blog  http://acordesrecife.blogspot.com.br/
Texto de Amanda Pontual

Rock and roll é o gênero musical nascido entre o final da década de 1940 e primórdios dos anos 1950. Nascido nos subúrbios americanos, descendente do rhythm and blues e country music. O popular R&B, febre entre os anos 30 e 40, havia perdido espaço para as big bands, cujo mercado abrigava mais artistas brancos (MÁXIMO, 2003, p. 85). A reação viria com uma reinvenção do gênero, que o tornasse mais comercial para o grande público.



"O modo de consegui-lo foi separar do R&B o elemento blues - de cujos cultores se exigia certo jeito, certa bossa, certo atavismo fundamentalmente negro e, como tal, intransferível - e deixar para o jovem branco o elemento rhythm, mais assimilável, ao alcance de todos. Assim, sem deixar de existir, o R&B gerou duas vertentes, uma inspirada no blues dos negros, mais tarde denominada soul, e a outra apoiada no rhythm que os brancos eram capazes de entender, gostar, tocar e adotar: o rock'n roll." (MÁXIMO, 2003, p.86)

Embora o rock'n roll se  infiltre na juventude branca norte-americana, não foi sem resistência que o mesmo se impôs. Tido como demoníaco, o rock foi perseguido em primeiras instâncias. Mesmo com grandes expoentes brancos levantando a sua bandeira. Lembremos que o EUA tem um grande histórico de segregação racial, que gerou uma espécie de guerra civil entre 1940 e 1965, ano que se institui o direito de voto dos afro-americanos. E a música, historicamente, tem um forte papel social e político. Deixar a música negra se infiltrar nas casas dos brancos era um ato político e também de relevância social, que precisava ser combatido pelas classes conservadoras.

Uma importante característica da formação básica do rock é o seu instrumental. Diferentemente das Big bands, que necessitam de muitos instrumentistas e trazem o peso dos metais em sua formação quase totalmente acústica, o rock é plugado, utiliza-se de instrumentos elétricos e distorções. Não é necessário mais do que uma guitarra, um baixo e uma bateria. Muito embora o rock posteriormente ampliou e muito este universo sonoro.

Os primórdios da guitarra elétrica vem da década de 1920 e 1930. Porém as guitarras de madeira maciça mais semelhantes com as que encontramos hj, se popularizaram por volta da década de 1940 (http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-guitarra-eletrica). Nas primeiras formações, o trio de rock trazia a guitarra elétrica, o baixo acústico e a bateria. Porém o baixo acústico gerava um certo problema de locomoção, devido ao seu tamanho e fragilidade. Em 51, Leo Fender criou o baixo elétrico, ou Fender Bass. Criado para substituir o contrabaixo acústico, de difícil transporte. (http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baixo_el%C3%A9trico)

Em 1951, a lendária gravadora Sun Records já trazia um esboço do que seria conhecido mais tarde como rock'n roll. O lendário produtor e dono do selo, Sam Phillips, já havia feito registros de artistas de blues, tal como B.B. King. E foi da Sun Records a que hoje é conhecida como a primeira gravação de rock. "Rocket 88" de Jackie Brenston e  Delta cats (banda de Ike Turner, futuro marido de Tina Turner).

A mesma Sun Records seria a responsável por apresentar ao mercado aquele que seria mais tarde conhecido como o Rei do Rock'n Roll. Elvis Presley, um jovem caipira nascido em Tupelo, que se mudou para a cidade de Memphis com seus pais. Tendo crescido em meio a música dos negros, o R&B e o gospel, além da country Music, Elvis já dava seus passos na música desde os primórdios da sua adolescência. Mas a chance de gravar um compacto se deu no verão de 1953. A gravadora realizava gravações de acetatos pelo preço de US$ 8,25. Elvis resolveu gravar um compacto para presentear a sua mãe (JORGENSEN, 2010, p. 24).

Elvis Presley


A princípio, gravou apenas baladas como "My Hapiness". Esperou por um contato futuro da gravadora que não aconteceu. Voltou em janeiro de 1954 para gravar mais um compacto. Meses depois, em Julho de 1959, Sam Phillips decidiu investir naquele rapaz que até então cantava apenas baladas. Juntou-o com o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black e gravaram 4 musicas, dentre elas "That's All Right Mama", que definiria o som adotado pelo rockeiro topetudo Elvis (JORGENSEN, 2010, p. 27).

Elvis ditou moda, não apenas pela sua característica voz de barítono e seu estiloso topete coberto de brilhantina e suas grandes costeletas. Ditou moda e transgrediu pela forma que se mexia no palco, com suas pernas trêmulas e seu gingado de quadris. Foi apelidado de "Elvis, The Pelvis". Sua sensualidade no palco enlouquecia as garotas, que gritavam e desmaiavam com o seu rebolado. Por esse motivo, foi censurado nas tv's americanas, que apenas estavam autorizadas a filmarem o astro da cintura para cima.

Mais tarde, o contrato de Elvis passaria para as mãos da RCA Records. Porém a Sun ainda teria muito o que contribuir para o mundo do Rock, com a inclusão em seu selo de artistas como Jerry Lee Lewis, Carl Perkins (compositor de Blue Suede Shoes) e o "cantor das penitenciárias" Johnny Cash. Jerry Lee se destacava por sua personalidade explosiva e por se apresentar ao piano, enquanto boa parte dos vocalistas de rock preferia o uso das guitarras.
Jerry Lee Lewis


Grandes expoentes do mercado de rock dos anos 50, Chuck Berry, Chubby Checker e Little Richard são talvez alguns dos autênticos "inventores" do então novo estilo musical. Assim como Jerry Lee, Little Richard se destacava por se apresentar ao piano, além de manter uma aparência extravagante. O guitarrista Chuck Berry é hoje conhecido como "o pai do rock'n roll" (www.chuckberry.com). Por se tratarem de artistas negros, não obtinham muito espaço nas mídias televisivas, embora aos poucos a música quebrou esta barreira.

Chuck Berry

Little Richard

Antes mesmo de Chuck Berry e Little Richard, uma mulher negra, de posse de sua guitarra elétrica, já fazia sucesso nas rádios uma década antes. Era Rosetta Nubin, também conhecida como Sister Rosetta Tharpe. Grande influenciadora de artistas como B.B. King, Chuck Berry e até mesmo o coroado Rei do Rock Elvis Presley, que dizem não perdia um programa seu nas rádios.

Sister Rosetta Tharpe


Em 3 de fevereiro de 1959, um pequeno avião com jovens estrelas do rock sofreu um acidente, matando todos os integrantes. Dentro do avião estavam Buddy Holly, J. P. "The Big Booper" Richardson e Ritchie Vallens. Charles Hardin Holley, ou Buddy Holly, era um cantor, compositor e guitarrista que vinha alçando grandes voos no mercado musical. Tinha 22 quando seu avião caiu em um milharal. Ritchie Valens, conhecido pela balada Donna e pelo hit La Bamba, tinha 17 anos quando o trágico acidente ocorreu. O evento ficou conhecido como O Dia em que a Música Morreu, e foi imortalizado na canção de Don McClean "American Pie".
Buddy Holly

Ritchie Vallens



Nos anos 60, juntamente com o grande movimento dos direitos civis, surge em Detroit a gravadora Motown Records, cujo dono era Berry Gordy Jr. A gravadora foi responsável por lançar uma série de artistas negros de grande porte como Diana Ross e as Supremes, Stevie Wonder e Michael Jackson e os Jackson 5.
Jackson Five
Diana Ross and The Supremes

Stevie Wonder




Na década de 60 também ocorre a "primeira invasão britânica". Com a difusão do rock no mundo, a Inglaterra se tornou um dos grandes  produtores do gênero, em especial com o surgimento dos Beatles.

Os 4 rapazes de Liverpool são responsáveis pela difusão do estilo iê-iê-iê que deu origem no Brasil ao movimento da Jovem Guarda. Os Beatles permaneceram na ativa até 1970, e são responsáveis pelos álbuns mais icônicos de todos os tempo.

The Beatles

Obstinados, os Beatles possuíam um grande empresário que soube colocar os rapazes na linha de frente da música mundial. Seu nome era Brian Epstein. Também contaram com os arranjos do compositor e maestro George Martin, que tornou ainda mais icônica a produção musical do grupo.
Os Beatles tinham uma excessiva agenda de shows entre os anos de 1962/63 e se lançaram em turnê pelos EUA em 1964.

34 dias de turnê, com 24 shows e estava instaurada a Beatlemania nos EUA. Exaustos da rotina de shows, os Beatles decidiram entre 1965/66 dedicar-se mais aos estúdios do que às apresentações ao vivo. Alguns dos maiores legados de álbuns da história do rock foram produzidos nesta fase, como Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band e o White Álbum.

Era de se esperar que após anos de convivência intensa, a parceria musical ficasse desgastada. Com Let It Be de 1970, encerra-se a banda, porém o mito perdura até os dias atuais. Cada integrante seguiu carreira solo. (THOMAS, 2010, p. 7)

Nos EUA a banda concorrente dos Beatles eram os Beach Boys. Comandada pelo gênio Brian Wilson, tendo seus irmãos e primos como formadores da banda, se destacavam pela temática de praia e surf e os vocais elaborados e uso de falsete. O álbum Pet Sounds é o destaque desse grupo.
Beach Boys - Capa do Pet Sounds


Na segunda metade da década de 60, experiências com o ácido lisergico, a droga LSD, trazem o psicodélico para a música. Outras drogas como a canabis, a cocaína e a heroína se tornam cada vez mais presentes no universo do rock.

O uso de LSD foi amplamente difundido por artistas como os Beatles. Também foi responsável por agravar problemas mentais, como aconteceu no caso de Brian Wilson dos Beach Boys e Syd Barret do Pink Floyd, ambos portadores de esquizofrenia.

Influenciados pela luta contra a violência, contra as guerras e exaltando os problemas das "pessoas simples" surge na metade dos anos 60 o movimento Folk Rock. Dentre alguns dos artistas desse movimento, destacam-se Bob Dylan, Joni Mitchell, Joan Baez e Peter, Paul and Mary.
Joan Baez e Bob Dylan

Joni Mitchell



Entre 15 e 18 de agosto de 1969 acontece o festival de woodstock. Um festival pela música, paz e que difundiu o movimento hippie do amor livre. Sexo, drogas e rock and roll são as palavras de ordem.

Os anos foram se passando e o rock foi sofrendo modificações e experimentações. O rock progressivo se difundiu na década de 70, misturando elementos da música erudita com elementos do rock clássico. Os concertos se tornaram mega shows. Alguns com características de composições sinfônicas.

Nasce a ópera rock, narrativa musical em forma de álbum que gerou grandes concertos ao vivo e filmes de sucesso. Entre essas obras, destacamos Tommy do grupo The Who, lançado como álbum em 1969 e como obra cinematográfica em 1975, e The Wall, mega projeto do Pink Floyd lançado em 1979 com versão para o cinema de 1982.
Capa da ópera rock Tommy
Capa do filme The Wall



Entre os anos 1970 e 1980, surgem o Hard Rock e o Heavy Metal, algumas das vertentes mais agressivas do rock. O punk rock surge também em 80 com bandas como Sex Pistols e The Clash, e tinha como intuito fazer uma música simples na questão harmônica, porém barulhenta e política.
The Clash


Outros vários gêneros foram se formando ao longo dos anos, como o Grunge, o Indie, Nu Metal, Metal Melódico, Gothic Metal e tantos outros.

A verdade é que ninguém mais fica imune ao impacto causado pelo rock no mundo. O rock não morre, se renova. Tal qual a Hidra de Lerna da mitologia grega, ao tentar se cortar uma cabeça, nascem duas em seu lugar. E assim, passam anos e décadas. Mas o bom e velho Rock and Roll continua a existir e arrastar multidões mundo afora.

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

JORGENSEN, Ernest. Elvis Presley: a vida na música: as sessões de gravações completas; tradução Estúdio Candombá. São Paulo, Larrousse do Brasil, 2010.

MÁXIMO, João. A Música do Cinema: Os 100 primeiros anos Vol. 2. Rio de Janeiro, Rocco, 2003.

THOMAS, Garret. Beatles: a história ilustrada. Tradução Heitor Pitombo. São Paulo, Editora Escala, 2010.

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baixo_el%C3%A9trico

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-guitarra-eletrica

www.chuckberry.com

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Rock_and_roll

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe