sexta-feira, 2 de março de 2018

Dark Side Of The Moon: 45º Aniversário da Viagem ao Lado Obscuro da Lua


O dia era 1 de março de 1973. A atmosfera era o pós Woodstock, o movimento hippie, o amor livre e as drogas psicodélicas, como o LSD. A banda britânica Pink Floyd buscava reafirmar uma nova identidade, após a saída de seu fundador Syd Barret, afastado devido a problemas mentais. Em seu lugar, entra o guitarrista David Gilmour e uma não declarada guerra por autonomia artística da banda surge com o membro mais antigo e voraz, Roger Waters. Anos depois, Waters se afastaria do grupo, ficando décadas sem se apresentar com seus companheiros de Pink Floyd.
Syd Barret


Richard Wright, David Gilmour, Nick Mason e Roger Waters


Podemos dizer que, mesmo que haja uma batalha pela liderança artística do grupo, a sombra de Syd Barret ainda é mais forte. Tanto na concepção do álbum, a capa com o prisma e um feixe de luz que gera um arco-íris, como nas próprias canções, que falam de temas como loucura, ganância e morte. Barret, aliás, será citado em outros trabalhos do Floyd, como na música Shine On You Crazy Diamond do álbum Wish You Were Here.

Capa do Álbum Wish You Were Here

O álbum foi gravado nos estúdios Abbey Road de Londres, o mesmo em que gravavam os Beatles, entre os anos de 1972 e 1973. Parte das gravações está registrada no documentário Pink Floyd Live at Pompeii, dirigido por Adrian Maben e gravado nas ruínas do anfiteatro de Pompéia.

A ideia de utilizar canções com letras mais pessoais veio do tecladista Richard Wright e do baterista Nick Mason. Juntamente com o produtor Alan Parsons, o grupo inicia a composição do disco. E antes que o mesmo fosse lançado, o show já havia estreado, sendo realizado pela primeira vez em 17 de fevereiro de 1972 no Teatro Rainbow para uma platéia de críticos e jornalistas.

Dark Side Of The Rainbow

Em 1994, uma discussão no Site da Usenet alt.music.pink-floyd levantou a polêmica de que ao tocar simultaneamente o álbum Dark Side Of The Moon com a exibição do filme O Mágico de Oz, de 1939, haveriam muitos pontos em comum. Cenas se encaixariam perfeitamente com o clima ou mesmo com as letras das canções. 


A banda insiste que é puramente acidental. Acidental ou não, mesmo na repetição do disco (para dar continuidade ao filme cuja duração é o dobro do disco), as coincidências permanecem.


Faixas


Lado A
N.ºTítuloLetraVocaisDuração
1."Speak to Me"  MasonInstrumental01:30
2."Breathe"  Waters, Gilmour, WrightGilmour02:43
3."On the Run"  Gilmour, WatersInstrumental03:36
4."Time(incluso "Breathe (reprise)")Mason, Waters, Wright, GilmourGilmour, Wright07:01
5."The Great Gig in the Sky"  Wright, Clare TorryClare Torry04:36
Lado B
N.ºTítuloLetraVocaisDuração
1."Money"  WatersGilmour06:22
2."Us and Them"  Waters, WrightGilmour, Wright07:46
3."Any Colour You Like"  Gilmour, Mason, WrightInstrumental03:25
4."Brain Damage"  WatersWaters03:48
5."Eclipse"  WatersWaters02:03

Referências:

http://rocknoize.com.br/escute-remix-inedito-de-musica-do-pink-floyd/

https://theaudiophileman.com/dark-side-moon/

https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Dark_Side_of_the_Moon

https://www.rollingstone.com/music/features/pink-floyds-dark-side-of-the-moon-things-you-didnt-know-w517174

http://crazymetalmind.com/2013/02/21/o-misticismo-por-trs-de-the-dark-side-of-the-moon/

https://mundoestranho.abril.com.br/cultura/o-album-the-dark-side-of-the-moon-sincroniza-mesmo-com-o-magico-de-oz/

https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Dark_Side_of_the_Rainbow

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pink_Floyd:_Live_at_Pompeii

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Frevo: A Magia Pernambucana


O frevo é um ritmo típico do estado de Pernambuco que também deu origem a uma dança de mesmo nome. Surgiu da mistura do maxixe com a marcha. A palavra frevo origina-se da expressão ferver, que na linguagem popular era pronunciada “frever”. O ritmo surgiu no fim do século XIX e era executado durante o carnaval, onde haviam muitos conflitos entre blocos rivais. Para intimidar os demais blocos, costumava-se desfilar com capoeiristas protegendo o cortejo e o estandarte, algo que deu origem ao passo de frevo.

As sombrinhas do frevo surgiram pelo fato dos capoeiristas utilizarem porretes e velhos guarda-chuvas como armas pra se defenderem tanto dos grupos rivais como de eventuais conflitos com a polícia. Existem mais de 120 passos catalogados do frevo, que além de trazerem elementos da capoeira, trazem também semelhanças com a dança dos cossacos.

No dia 9 de fevereiro de 1907, o Jornal Pequeno, que na época possuía uma importante seção sobre o carnaval do Recife, fez uma matéria sobre o ensaio do clube Empalhadores do Feitosa do bairro do Hipódromo no qual se tocava entre outras músicas o frevo. Por conta desta publicação, o dia 9 de fevereiro é hoje tido como aniversário do frevo, que comemorou no ano de 2007 seu 100º ano.

No dia 14 de setembro se comemora o Dia Nacional do Frevo. A data foi escolhida em homenagem ao jornalista Osvaldo da Silva Almeida, que segundo pesquisas foi o primeiro a chamar o ritmo pelo nome de frevo. A data é o aniversário de Osvaldo. Porém, em Recife a data mais comemorada é o 9 de fevereiro.

Existem três tipos distintos de frevo, divisão surgida na década de 1930: frevo de bloco; frevo canção e frevo de rua.

Frevo de Bloco:


Têm sua origem ligada as serenatas e também é chamado de marcha-de-bloco. Sua orquestra é formada por violões, cavaquinhos, bandolins, banjos, violinos e por instrumentos de palhetas como o clarinete. É chamada de orquestra de pau e cordas. É cantado geralmente por um coral. Iniciou-se com a participação mais efetiva das mulheres na folia de Pernambuco.


Muitas pessoas tendem a chamar estes blocos de “blocos carnavalescos líricos”. Dentre os compositores mais conhecidos deste gênero estão os irmãos Edgard e Raul Moraes, Cláudio Almeida, Fátima de Castro, Nelson Ferreira, Capiba, Luiz Faustino, Romero Amorim, João Santiago, Bráulio de Castro e Getúlio Cavalcanti.

As músicas mais conhecidas são: Eu Quero Mais (Bráulio de Castro e Fátima Castro); Valores do Passado (Edgard Moraes); O Bom Sebastião (Getúlio Cavalcanti); Evocação nº1 (Nelson Ferreira); Madeira Que o Cupim Não Roi (Capiba); Último Regresso (Getúlio Cavalcanti); etc.


Frevo Canção:


O frevo canção é derivado da ária e cantado por um solista. Tem uma orquestração rica em metais. Inicia-se com uma introdução orquestral aos moldes do frevo-de-rua, seguido de uma melodia cantada e finalizando com a volta da orquestra tocando a parte instrumental.



Os principais compositores do gênero são Capiba, Nelson Ferreira, J. Michilles., dentre outros. Alguns dos intérpretes famosos são Alceu Valença e Claudionor Germano.

As mais famosas canções de frevo são: Olinda nº 2 (Clóvis Vieira e Clidio Nigro); Hino da Pitombeira; Hino de Ceroula; Recife nº 3 (Capiba); Bom Demais (J. Michilles); etc.


Frevo-de-rua:


Consiste num gênero puramente instrumental, caracterizado por uma orquestração em que se destacam os metais. É subdividido em quatro tipos: frevo-do-abafo, frevo-coqueiro, frevo-ventania e frevo de salão.

Frevo-do-Abafo: predominam as notas longas tocadas pelos metais que visam abafar o som das orquestras rivais.




Frevo-Coqueiro: é uma variante do frevo-do-abafo, mas se caracteriza por notas curtas e andamento rápido.


Frevo-Ventania: possui uma linha melódica movimentada.




Frevo-de-Salão: é um misto dos três acima citados e foi desenvolvido para ser tocado nos salões.


Outros compositores importantes de frevo são: Maestro Duda, Carnéra, Severino Araújo, Lourival Oliveira, Clóvis Maméde, Clóvis Pereira, etc. Os arranjadores mais conhecidos são: Ademir Araújo, Clóvis Pereira, Maestro Duda, Edson Rodrigues, José Menezes, Maestro Nunes, Spok, etc.

Parceiro: Casa da Musika

Referência:

https://www.calendariobr.com.br/dia-do-frevo#.XXwajbdv8wA

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Sister Rosetta Tharpe: A Verdadeira Mãe do Rock N' Roll


O Rock coroou Elvis como seu Rei. Um rapaz branco e belo, nos anos 50, quando o Rock já não era mais novidade nos subúrbios e já não havia como segurar a febre que se alastrava nos meios sociais e junto ao público jovem. Uma forma de "aceitar" o rock em suas casas era torná-lo "branco". Mas sabemos que a realidade não era bem essa. O rock tinha mães e pais negros, descendia do Blues, do Rhytm and Blues e do Country, além do Gospel negro. E lá nos anos 30 e 40 ele já despontava, juntamente com o nascimento da guitarra elétrica, e começava a conseguir seus primeiros súditos. Inclusive o pequeno futuro rei Elvis, nascido na pequena Tupelo e de origem pobre, assim como o próprio Rock,

Há quem diga que o pequeno Elvis não perdia um certo programa de rádio no qual uma mulher negra tocava sua guitarra e cantava suas canções com fervor. Esta mulher se chamava Rosetta Nubin, mas era conhecida como Sister Rosetta Tharpe.

Nascida em Cotton Plant, Arkansas, em 20 de março de 1915, Sister Rosetta foi uma pioneira em quase todos os aspectos de sua vida. Desde sua vida musical, que começou com apenas 4 anos de idade, quando era chamada de 'Little Rosetta Nubin, the singing and guitar playing miracle", até sua vida pessoal, recheada de casamentos fracassados. Além de ter a coragem de se arriscar por um gênero musical que punha em risco o seu público gospel.


Seu jeito único de tocar a guitarra também foi uma inspiração para o mestre B. B. King. Bob Dylan, Johnny Cash, Aretha Franklin, Jerry Lee Lewis são apenas alguns dos grandes mestres influenciados por ela. Chuck Berry, para muitos o "pai" do Rock N' Roll, afirmava que "foi amor à primeira vista. Aquela mulher de energia possante parecia brincar com a guitarra".


Sister Rosetta dominou as rádios nos anos 30 e 40, época em que a televisão ainda não dominava e a imagem não era tão importante. Porém, o poder de sua voz, sua destreza na guitarra e sua música contagiante a mantiveram no auge, se apresentando para soldados nas guerras e em clubes de grande importância, mesmo em tempos de segregação racial.


Nos anos 60, já em seu terceiro casamento e com a carreira em declínio nos Estados Unidos, Sister Rosetta Tharpe se aventura pelo Reino Unido e Europa, conquistando mais uma legião de fans e mantendo viva a chama pura do Rock primitivo, com suas bases oriundas das Big Bands e seu gingado cadenciado.

Nos anos 70, a diabetes viria a obrigar-lhe a amputar uma perna, e Sister Rosetta encerrou sua carreira. Sofre derrame, vindo a falecer em 9 de outubro de 1973, aos 58 anos de idade.


Ao longo dos anos, muito tem sido feito para resgatar o prestígio e a história de Sister Rosetta. Em 2007 ela foi introduzida no Blues Hall Of Fame. Em 2008 foi realizado um show para angariar fundos para o seu túmulo. Foi colocada uma lápide em seu túmulo, e o dia 11 de janeiro foi declarado como o Dia de Sister Rosetta Tharpe na Pennsylvania.

Em 13 de dezembro de 2017, Sister Rosetta foi introduzida ao Rock And Roll Hall Of Fame.

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe

https://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/271328/Rosetta-Tharpe-Uma-mulher-negra-inventou-o-rock-and-roll.htm

https://whiplash.net/materias/news_789/246296.html

http://cdn.thedailybeast.com/content/dailybeast/articles/2016/05/28/the-first-badass-female-guitarist-meet-sister-rosetta-tharpe-the-godmother-of-rock-n-roll/jcr:content/body/inlineimage_1.img.800.jpg/48816411.cached.jpg

https://i.ytimg.com/vi/-88l-M0KgkI/maxresdefault.jpg

https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/71L9-AmJPxL._SX355_.jpg

http://thecatholiccatalogue.com/wp-content/uploads/2015/04/Mezzanine_630.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe

https://www.rollingstone.com/music/features/why-sister-rosetta-tharpe-belongs-in-the-rock-hall-of-fame-w513981


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

História da Guitarra: Parte 3



Texto de Amanda Pontual


Nossa viagem pela história da guitarra continua com o instrumento já consolidado no mercado. Indispensável em qualquer conjunto musical, seja o estilo que for, mas principalmente no Rock and Roll, que a partir dos final dos anos 50 se torna o principal estilo musical ouvido pelos jovens.

Amado por uns, odiado por outros, o Rock começa a atrair multidões cada vez maiores. E os clubes se tornam pequenos para as apresentações. Casas de shows cada vez maiores, com filas de fãs do lado de fora e, por fim, estádios de futebol. E haja potência para levar o som a todas as pessoas presentes.

A Rickenbacker (que vimos no primeiro capítulo que foi responsável pelos primeiros modelos de guitarras elétricas) é uma das empresas responsáveis também pela evolução dos amplificadores que permitiram a grandiosidade destes shows. E os grandes  "garotos propaganda" desta marca foram nada mais, nada menos do que os Beatles.

O modelo 325 da Rickenbacker era o favorito de John Lennon. Desenhada por Roger Rossmeisl, foi lançada em 1958 e possuía originalmente 3 controles: volume, tonalidade e um seletor dos captadores. Porém o modelo usado por Lennon já possuía 2 controles a mais: outro de volume e outro de tonalidade.



Se por um lado, os Beatles tomavam o mundo com suas Rickenbacker em mãos, do outro lado do pacífico. vulgo nos EUA, a briga era entre a Gibson e a Fender. Como vimos em capítulos anteriores, os modelos Telecaster e Stratocaster da Fender se tornaram praticamente imbatíveis dentro do mercado. Especialmente a Strato, com sua ponte móvel e suas inúmeras possibilidades. Mas a Gibson tinha um gênio em sua equipe, chamado Les Paul, que lançaria um dos mais belos designs de guitarras de todos os tempos, a Gibson Les Paul Standard.

Modelo sem escudo

Modelo com escudo
Lester William Polsfuss, ou simplesmente Les Paul buscava desde os anos 40 um modelo de corpo sólido para que o mesmo não ressoasse quando amplificado e a energia das cordas não dissipasse no sustain. Tentou levar sua ideia para a Gibson, que em primeiro momento a descartou. Porém com o sucesso das guitarras de corpo sólido da Fender e da Rickenbacker, resolveu apostar.

E em 1958 finalmente nasceu a Gibson Les Paul, cujos modelos Custom ou Standard variam de acordo com o gosto e o bolso do cliente. Com captadores de bobina dupla Humbucker PAF (Patent Applied For), elimina ruídos indesejados e proporciona melhor sonoridade nas distorções.


Dentre os famosos que aderiram aos modelos Gibson estão Jimmy Page, do Led Zeppelin e Slash do Guns and Roses. Jimmy Page possui inclusive um modelo de guitarra dupla, uma de 12 e outra de 6 cordas, exclusivo da marca Gibson.

Slash

Jimmy Page


Guitarra Dupla, modelo SG


Continuem acompanhando nossas matérias. Em breve, mais um capítulo sobre a história da guitarra.
Leiam os capítulos anteriores:



Parceiro: Casa da Musika
Referências: 

Coleção Instrumentos Musicais: Guitarra. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP, 2012.

Guitar Collection Vol 3: Guitarra Psicodélica. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP.

Guitar Collection Vol 13: Guitarra Rock Britânico. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP

http://www.thecanteen.com/John325bigsby.jpg

http://www.rickresource.com/register/user_images/19482/4-fullsize.jpg

https://en.wikipedia.org/wiki/Rickenbacker_325

https://www.musicstore.de/INTERSHOP/static/WFS/MusicStore-Site/MusicStoreShop/MusicStore-MusicStoreShop/de_DE/longtext/GIT0039207-000/Gibson-Les-Paul-50s-Standard-Faded-Honey-Burst.jpg

http://archive.gibson.com/Files/USA/LesPauls/LP5_DBNH_Les_Paul_Std_50s_n_h.jpg

http://images.gibson.com/Lifestyle/English/aaFeaturesImages2010/slash-seated1.jpg

http://www.guitaraficionado.com/wp-content/uploads/2011/11/edit366GibsonSGPge.jpg

http://images.gibson.com/Lifestyle/English/aaFeaturesImages2009/Jimmy-Page_image004.jpg

terça-feira, 3 de outubro de 2017

História da Guitarra: Parte 2

Texto de Amanda Pontual

Postado originalmente em: www.acordesrecife.blogspot.com

No capítulo anterior, vimos os primórdios da guitarra elétrica e alguns de seus principais idealizadores. Neste segundo capítulo, abordaremos a consolidação deste que é um dos instrumentos mais populares dos séculos XX e XXI.

Em 1947, a guitarra de Paul A. Bigsby foi fabricada. A seguinte guitarra foi projetada pelo músico de country Merly Travis e, embora não tenha sido um grande sucesso comercial, possui uma característica que viria a se incorporar em grande parte dos modelos de guitarra de corpo maciço que surgiriam posteriormente. Todas as cravelhas se encontram do mesmo lado da cabeça, diferentemente dos primeiros modelos que possuíam 3 cravelhas em cada lado.

Guitarra de Paul A. Bigsby

Como vimos no capítulo anterior, no final dos anos 40 Leo Fender lança a guitarra Telecaster. O modelo trazia uma guitarra de corpo maciço, como fonocaptadores. O braço de madeira de bordo, cravelhas de um lado da cabeça, escudo preto e acabamento do corpo natural, dando à guitarra um design simples que rapidamente se popularizou.

Com a Telecaster, Fender queria um modelo simples e versátil, que conservasse o som puro das cordas, amplificando o seu volume.

Fender Telecaster


A Telecaster, no entanto, era apenas o prelúdio do que viria a seguir. Embora seja comercializada até os dias atuais, o modelo seguinte da Fender tornou-se a grande coqueluche do rock e é, até os dias atuais, um dos modelos mais requisitados pelos músicos.

Em 1954, nasce a Fender Stratocaster. O modelo possui 3 captadores de bobina simples, ao contrário da maioria das guitarras que possuem 2. Possui uma ponte móvel, com uma alavanca de trêmulo, que provoca variação na afinação do instrumento. Também possui um seletor de 5 posições: 1 Braço; 2 braço + centro; 3 centro; 4 centro + ponte; 5 ponte. (SALVAT, 2014)
Fender Stratocaster

O sucesso da Fender Stratocaster se confunde com a história de um dos mais meteóricos guitarristas de todos os tempos, o profeta da "religião elétrica": Jimmi Hendrix. A relação do Voodoo Child com suas guitarras era tão selvagem quanto sua relação com as mulheres. Ora doce, ora violento, dormia com suas guitarras e ateava fogo nelas em seus shows. Sempre executando malabarismos, tocando nas costas ou com os dentes. Até os dias atuais, é tido como um dos maiores guitarristas de todos os tempos, admirado por grandes papas como Éric Clapton.



"Ele tinha relacionamentos sérios e casos passageiros. Mas nada conseguia se colocar entre Jimmi e sua guitarra" revelou o baterista Mitch Mitchell (Comfort, 2010, p.38).


Jimmi Hendrix e sua Stratocaster


No mesmo ano de lançamento da Stratocaster, surge também a guitarra Semiacústica Gretsch White Falcon.

A fábrica de instrumentos Gretsch foi fundada pelo imigrante alemão Friedrich Gretsch em 1883. A Falcon surge como uma concorrente da Gibson. Diferentemente das guitarras Fender e seus modelos simples de guitarra de corpo sólido, a Falcon possui um design mais elaborado, com acabamentos dourados. Custava em média US$ 600,00, o que hj corresponderia a US$ 4 mil. Portanto era um sonho de consumo aos guitarristas.

Gretsch White Falcon

Alguns do ícones conhecidos por utilizarem este modelo de guitarra são Neil Young, Brian Jones(Rolling Stones) e Bono Vox
Bono Vox do U2
Nossa Viagem pela história da guitarra não pára por aqui. Em breve, um novo capítulo para os amantes deste instrumento. Aguardem!!!

Leiam também o primeiro capítulo desta série:
História da Guitarra: Parte 1

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

Comfort, David. O Livro dos Mortos do Rock: Revelações sobre a vida e a morte de sete lendas do Rock'N'Roll. tradução Ricardo Giassetti, Roberta Bronzatto - São Paulo: Aleph, 2010.

Coleção Instrumentos Musicais: Guitarra. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP, 2012.

Guitar Collection Vol 1: Guitarra Rock. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP.

Guitar Collection Vol 6: Guitarra Country Rock. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo - SP.

http://www.premierguitar.com/ext/resources/archives/ba4454d4-3599-4536-b834-99b49e33b2b0.JPG

http://cdn.mos.musicradar.com/images/Guitarist/359/roland-g-5-vg-fender-stratocaster-630-80.jpg

http://truefire.com/blog/wp-content/uploads/2009/10/FenderBroadcaster.jpg

http://40.media.tumblr.com/tumblr_lely4uxH6U1qcfymlo1_1280.jpg

http://www.gretsch.com.br/padrao/padrao.php?link=produtos&linha=C0797]

http://i1.r7.com/data/files/2C92/94A4/2D46/BCBB/012D/575E/EF28/19C0/AP%20bono.jpg

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

História da Guitarra: Parte 1

Texto de Amanda Pontual

Publicado originalmente no Blog
 http://acordesrecife.blogspot.com.br/
em 05/11/2014
Guitarra, um instrumento musical que virou ícone, moda. Que se tornou símbolo de um movimento, sinônimo de mudança, de rebeldia, de subversão. Criado a partir da junção de música, tecnologia e eletrônica.

Sua origem é tão misteriosa quanto à de seu irmão mais velho, o violão. A guitarra clássica, que aqui chamamos de violão por razões que não serão abordadas nesse post, tem possível origem na península ibérica, provavelmente no século XV. A origem do nome guitarra pode ser atribuída ao músico italiano Leonardo Del Chitarino, que tocava um instrumento chamado de mandora ou Chitarino.
Mandora ou Chitarino

Mandora ou Chitarino
A guitarra elétrica surgiu da necessidade de impor um maior volume de som ao violão. Surgiu na década de 30 e não existe uma autoria da "invenção" do instrumento.

"A ideia era, além do mais, que soasse mais forte, obtendo uma imitação o mais fiel possível do som da música havaiana, muito em moda nos Estados Unidos naquele momento" (SALVAT, 2009)

As primeiras guitarras foram, portanto, as havaianas. Possuíam um braço comprido e corpo chato de alumínio. Ligada a um amplificador, a guitarra assumiu um papel de protagonista no conjunto instrumental.

A guitarra elétrica soa por vibração eletromagnética. Utiliza pedais de distorção e amplificadores. Embora não exista um "criador" do instrumento, dois nomes se destacam na elaboração de modelos e melhorias no instrumento. São eles Leo Fender e Les Paul.

Adolph Rickenbacker foi um dos pioneiros na construção de guitarras elétricas, provavelmente no ano de 1931. Fundou, juntamente com George Beauchamp e Paul Barth a Rickenbacker International Company (RIC), empresa que iniciou a fabricação de guitarras elétricas havaianas.

A primeira linha de guitarras da Rickenbacker foi a Frying Pan, projetada por Beauchamp. Possuía corpo de alumínio e podia vir com 6 ou 7 cordas. O nome oficial do instrumento é Rickenbacker Electro A-22, e seu apelido se deve à semelhança do instrumento com uma frigideira. A guitarra ainda possuía um certo problema de afinação e sua produção se estendeu de 1931 à 1939.

Rickenbacker Electro A-22 "Frying Pan"
Outros modelos célebres das décadas de 30-40 da Rickenbacker foram a Electro Spanish e Rickenbacker Electro Modelo B.

Electro Spanish

Model B

A Rickenbacker continua produzindo guitarras e baixos elétricos até os dias atuais. Os Beatles foram um dos grupos que preferiam o uso de instrumentos desta marca.
As guitarras de corpo maciço começaram a ser comercializadas entre as décadas de 30/40. Muitos foram os responsáveis pelos avanços obtidos na produção de um instrumento que, ao ser amplificado, mantivesse tanto sua afinação como uma boa qualidade sonora e de ressonância.
George Harrison com a sua Rickenbacker


Em 1936 a marca Gibson lança a ES150. A guitarra espanhola elétrica da Gibson foi o primeiro modelo de sucesso comercial. O nome ES refere-se à Eletricidade Spanish e 150 está relacionado ao preço cobrado pelo instrumento com cabo e amplificador, que girava em torno de US$ 150,00.
 Foi desenvolvido por Montgomery Ward e Spiegel May Stern. O modelo clássico possui os chamados F's presentes na família dos violinos. Um dos músicos mais famosos por utilizar este instrumento foi o guitarrista de Jazz Charlie Christian.

Gibson ES150


A fábrica Gibson Guitar Corporation descende da Gibson Brands, fundada em 1902 por Orville Gibson e que fabricava inicialmente bandolins. As guitarras Gibson são também conhecidas como Guitarras Semi Acústicas. São até os dias atuas, preferências do universo do Jazz e Blues.

Já na década de 40, a história da Gibson e de Lester William Polfus, mais conhecido como Les Paul, iriam se fundir. Les Paul criou nesta década a famosa guitarra "Log" que recebe este nome por ser formada de um bloco de madeira. Foi a primeira guitarra elétrica de corpo maciço.
Les Paul teve sua primeira experiência com a formulação de guitarras elétricas com 12 anos de idade. Ele introduziu um microfone de telefone nas cordas e uma cabeça de toca-discos no interior da guitarra acústica, ligando ao rádio dos seus pais. Fez essa experiência para conseguir amplificar o som do instrumento, pois ele tocava numa rede de fast-food e não era bem ouvido.

A sua “Log” foi apresentada à Gibson, mas inicialmente foi rejeitada. Les Paul foi ridicularizado e chamado de “o rapaz do pau de vassoura com pickups” (SALVAT, 2009). Uma década mais tarde, a Gibson lançaria as primeiras guitarras de corpo maciço em parceria com Les Paul.

Les Paul Log


Ainda na década de 40, Clarence Leo Fender funda a companhia K & F e passa a desenhar modelos de guitarra para a Rickenbacker.
Em 1946, Leo Fender funda a Fender Eletric Instruments Company. Dois anos mais tarde, associa-se a George Fullerton que irá contribuir nos designs das guitarras Telecaster ou Broadcaster, que serão largamente comercializadas na década de 50.
Este é apenas o início da comercialização de guitarras elétricas. Nas décadas seguintes, especialmente com a difusão do rock mundialmente, este instrumento passa a se tornar cada vez mais presente na música, e sendo aperfeiçoado ao longo dos anos.
Telecaster


Continua...

Parceiro: Casa da Musika

Bibliografia:

Coleção Instrumentos Musicais: Guitarra. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo – SP, 2012.

http://www.patguitar.com/images/Fender_Telecaster_229020/Fender_Telecaster_229020_01.jpg

http://www.fretboardjournal.com/files/u7/frying-pan-guitar.jpg

http://en.m.wikipedia.org/wiki/Guitar#

http://www.fredmeijer.nl/Portals/0/Rickenbacker%20Frying%20Pan.jpg

http://www.rickenbacker.com/history_early.asp

http://www.metmuseum.org/toah/images/h2/h2_64.101.1409.jpg

http://en.m.wikipedia.org/wiki/Frying_pan_(guitar)

http://www.vintagemartin.com/Rick_SpanishVibrolaGold_B011.jpg

http://www.earlymartin.com/RicknonoB_084.jpg

http://benbethea.files.wordpress.com/2013/07/georgeharrisonrickenbacker.jpg

http://www.12fret.com/wordpress/wp-content/gallery/gibson_es150_1949/Gibson_es150_1949_full_1.jpg

http://en.wikipedia.org/wiki/Gibson_ES-150

http://invention.smithsonian.org/centerpieces/electricguitar/pop-ups/02-07.htm

http://www.laparola.com.br/wp-content/uploads/2013/08/Log-Les-Paul1.jpg

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fender_Telecaster

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

15 de Setembro: Dia do Musicoterapeuta



DIA DO MUSICOTERAPEUTA


A Musicoterapia é uma arte e um ofício. É uma profissão, ao mesmo tempo que é um ato de amor. Em tempos em que nos vemos cada vez mais em uma sociedade adoecida pelas urgências diárias, pela pressa e pelas exigências, em que não temos tempo de nos conectar conosco, as terapias tem sido cada vez mais necessárias na nossa vida.

Uma grande aliada no nosso cotidiano tem sido a música, elemento artístico e de expressão cada vez mais presente na nossa sociedade. A Musicoterapia vem aliar a necessidade terapêutica e a linguagem musical, canal que tem sido um facilitador em muitas formas de terapia, sejam elas de reabilitação, paliativas ou psicológicas, exatamente pelo forte laço que une os seres humanos e a música.

Porém a profissão do Musicoterapeuta ainda enfrenta diversos desafios. Desde a luta pelo reconhecimento da profissão perante as esferas públicas até às lições populares para instruir que apenas pode exercer a Musicoterapia aquele profissional cuja formação englobe o curso superior ou pós graduação.

O dia 15 de setembro representa uma luta da UBAM - União Brasileira das Associações de Musicoterapia, que gerou o Projeto de Lei Nº 386 de 1988 do Estado de São Paulo, escrito pelo Deputado Moisés Lipnik. Em 30 de abril de 1991, o então governador de São Paulo Antônio Fleury Filho tornou oficial por meio da Lei 7177/91 o dia 15 de setembro como o Dia do Musicoterapeuta, data que mais tarde se tornaria nacional.

Apesar da data ter sido instituída em 1991, apenas em 2010 a profissão de Musicoterapeuta foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Atualmente, o profissional Musicoterapeuta atua com o CBO (Código Brasileiro de Ocupações) número 2263-05, como subárea de “Profissionais das terapias criativas, equoterápicas e naturológicas”, como consta no Portal do Trabalho e Emprego, do Governo Federal (2015). É reconhecido o profissional com graduação em Musicoterapia e os portadores de especialização na referida área.

Está em tramitação na Câmara dos Deputados Federal o Projeto de Lei 6379/2019 de autoria da deputada federal Marília Arraes que visa a regulamentação da profissão do Musicoterapeuta. 

Ainda há muito o que galgar na profissão de Musicoterapeuta. Seguimos na luta. Enquanto isto, parabenizamos a todos os profissionais desta bela e árdua profissão.

Parceiro: Casa da Musika