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terça-feira, 14 de julho de 2020

O Bom E Velho Rock And Roll

Artigo publicado originalmente em 04 de outubro de 2014
no blog  http://acordesrecife.blogspot.com.br/
Texto de Amanda Pontual

Rock and roll é o gênero musical nascido entre o final da década de 1940 e primórdios dos anos 1950. Nascido nos subúrbios americanos, descendente do rhythm and blues e country music. O popular R&B, febre entre os anos 30 e 40, havia perdido espaço para as big bands, cujo mercado abrigava mais artistas brancos (MÁXIMO, 2003, p. 85). A reação viria com uma reinvenção do gênero, que o tornasse mais comercial para o grande público.



"O modo de consegui-lo foi separar do R&B o elemento blues - de cujos cultores se exigia certo jeito, certa bossa, certo atavismo fundamentalmente negro e, como tal, intransferível - e deixar para o jovem branco o elemento rhythm, mais assimilável, ao alcance de todos. Assim, sem deixar de existir, o R&B gerou duas vertentes, uma inspirada no blues dos negros, mais tarde denominada soul, e a outra apoiada no rhythm que os brancos eram capazes de entender, gostar, tocar e adotar: o rock'n roll." (MÁXIMO, 2003, p.86)

Embora o rock'n roll se  infiltre na juventude branca norte-americana, não foi sem resistência que o mesmo se impôs. Tido como demoníaco, o rock foi perseguido em primeiras instâncias. Mesmo com grandes expoentes brancos levantando a sua bandeira. Lembremos que o EUA tem um grande histórico de segregação racial, que gerou uma espécie de guerra civil entre 1940 e 1965, ano que se institui o direito de voto dos afro-americanos. E a música, historicamente, tem um forte papel social e político. Deixar a música negra se infiltrar nas casas dos brancos era um ato político e também de relevância social, que precisava ser combatido pelas classes conservadoras.

Uma importante característica da formação básica do rock é o seu instrumental. Diferentemente das Big bands, que necessitam de muitos instrumentistas e trazem o peso dos metais em sua formação quase totalmente acústica, o rock é plugado, utiliza-se de instrumentos elétricos e distorções. Não é necessário mais do que uma guitarra, um baixo e uma bateria. Muito embora o rock posteriormente ampliou e muito este universo sonoro.

Os primórdios da guitarra elétrica vem da década de 1920 e 1930. Porém as guitarras de madeira maciça mais semelhantes com as que encontramos hj, se popularizaram por volta da década de 1940 (http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-guitarra-eletrica). Nas primeiras formações, o trio de rock trazia a guitarra elétrica, o baixo acústico e a bateria. Porém o baixo acústico gerava um certo problema de locomoção, devido ao seu tamanho e fragilidade. Em 51, Leo Fender criou o baixo elétrico, ou Fender Bass. Criado para substituir o contrabaixo acústico, de difícil transporte. (http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baixo_el%C3%A9trico)

Em 1951, a lendária gravadora Sun Records já trazia um esboço do que seria conhecido mais tarde como rock'n roll. O lendário produtor e dono do selo, Sam Phillips, já havia feito registros de artistas de blues, tal como B.B. King. E foi da Sun Records a que hoje é conhecida como a primeira gravação de rock. "Rocket 88" de Jackie Brenston e  Delta cats (banda de Ike Turner, futuro marido de Tina Turner).

A mesma Sun Records seria a responsável por apresentar ao mercado aquele que seria mais tarde conhecido como o Rei do Rock'n Roll. Elvis Presley, um jovem caipira nascido em Tupelo, que se mudou para a cidade de Memphis com seus pais. Tendo crescido em meio a música dos negros, o R&B e o gospel, além da country Music, Elvis já dava seus passos na música desde os primórdios da sua adolescência. Mas a chance de gravar um compacto se deu no verão de 1953. A gravadora realizava gravações de acetatos pelo preço de US$ 8,25. Elvis resolveu gravar um compacto para presentear a sua mãe (JORGENSEN, 2010, p. 24).

Elvis Presley


A princípio, gravou apenas baladas como "My Hapiness". Esperou por um contato futuro da gravadora que não aconteceu. Voltou em janeiro de 1954 para gravar mais um compacto. Meses depois, em Julho de 1959, Sam Phillips decidiu investir naquele rapaz que até então cantava apenas baladas. Juntou-o com o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black e gravaram 4 musicas, dentre elas "That's All Right Mama", que definiria o som adotado pelo rockeiro topetudo Elvis (JORGENSEN, 2010, p. 27).

Elvis ditou moda, não apenas pela sua característica voz de barítono e seu estiloso topete coberto de brilhantina e suas grandes costeletas. Ditou moda e transgrediu pela forma que se mexia no palco, com suas pernas trêmulas e seu gingado de quadris. Foi apelidado de "Elvis, The Pelvis". Sua sensualidade no palco enlouquecia as garotas, que gritavam e desmaiavam com o seu rebolado. Por esse motivo, foi censurado nas tv's americanas, que apenas estavam autorizadas a filmarem o astro da cintura para cima.

Mais tarde, o contrato de Elvis passaria para as mãos da RCA Records. Porém a Sun ainda teria muito o que contribuir para o mundo do Rock, com a inclusão em seu selo de artistas como Jerry Lee Lewis, Carl Perkins (compositor de Blue Suede Shoes) e o "cantor das penitenciárias" Johnny Cash. Jerry Lee se destacava por sua personalidade explosiva e por se apresentar ao piano, enquanto boa parte dos vocalistas de rock preferia o uso das guitarras.
Jerry Lee Lewis


Grandes expoentes do mercado de rock dos anos 50, Chuck Berry, Chubby Checker e Little Richard são talvez alguns dos autênticos "inventores" do então novo estilo musical. Assim como Jerry Lee, Little Richard se destacava por se apresentar ao piano, além de manter uma aparência extravagante. O guitarrista Chuck Berry é hoje conhecido como "o pai do rock'n roll" (www.chuckberry.com). Por se tratarem de artistas negros, não obtinham muito espaço nas mídias televisivas, embora aos poucos a música quebrou esta barreira.

Chuck Berry

Little Richard

Antes mesmo de Chuck Berry e Little Richard, uma mulher negra, de posse de sua guitarra elétrica, já fazia sucesso nas rádios uma década antes. Era Rosetta Nubin, também conhecida como Sister Rosetta Tharpe. Grande influenciadora de artistas como B.B. King, Chuck Berry e até mesmo o coroado Rei do Rock Elvis Presley, que dizem não perdia um programa seu nas rádios.

Sister Rosetta Tharpe


Em 3 de fevereiro de 1959, um pequeno avião com jovens estrelas do rock sofreu um acidente, matando todos os integrantes. Dentro do avião estavam Buddy Holly, J. P. "The Big Booper" Richardson e Ritchie Vallens. Charles Hardin Holley, ou Buddy Holly, era um cantor, compositor e guitarrista que vinha alçando grandes voos no mercado musical. Tinha 22 quando seu avião caiu em um milharal. Ritchie Valens, conhecido pela balada Donna e pelo hit La Bamba, tinha 17 anos quando o trágico acidente ocorreu. O evento ficou conhecido como O Dia em que a Música Morreu, e foi imortalizado na canção de Don McClean "American Pie".
Buddy Holly

Ritchie Vallens



Nos anos 60, juntamente com o grande movimento dos direitos civis, surge em Detroit a gravadora Motown Records, cujo dono era Berry Gordy Jr. A gravadora foi responsável por lançar uma série de artistas negros de grande porte como Diana Ross e as Supremes, Stevie Wonder e Michael Jackson e os Jackson 5.
Jackson Five
Diana Ross and The Supremes

Stevie Wonder




Na década de 60 também ocorre a "primeira invasão britânica". Com a difusão do rock no mundo, a Inglaterra se tornou um dos grandes  produtores do gênero, em especial com o surgimento dos Beatles.

Os 4 rapazes de Liverpool são responsáveis pela difusão do estilo iê-iê-iê que deu origem no Brasil ao movimento da Jovem Guarda. Os Beatles permaneceram na ativa até 1970, e são responsáveis pelos álbuns mais icônicos de todos os tempo.

The Beatles

Obstinados, os Beatles possuíam um grande empresário que soube colocar os rapazes na linha de frente da música mundial. Seu nome era Brian Epstein. Também contaram com os arranjos do compositor e maestro George Martin, que tornou ainda mais icônica a produção musical do grupo.
Os Beatles tinham uma excessiva agenda de shows entre os anos de 1962/63 e se lançaram em turnê pelos EUA em 1964.

34 dias de turnê, com 24 shows e estava instaurada a Beatlemania nos EUA. Exaustos da rotina de shows, os Beatles decidiram entre 1965/66 dedicar-se mais aos estúdios do que às apresentações ao vivo. Alguns dos maiores legados de álbuns da história do rock foram produzidos nesta fase, como Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band e o White Álbum.

Era de se esperar que após anos de convivência intensa, a parceria musical ficasse desgastada. Com Let It Be de 1970, encerra-se a banda, porém o mito perdura até os dias atuais. Cada integrante seguiu carreira solo. (THOMAS, 2010, p. 7)

Nos EUA a banda concorrente dos Beatles eram os Beach Boys. Comandada pelo gênio Brian Wilson, tendo seus irmãos e primos como formadores da banda, se destacavam pela temática de praia e surf e os vocais elaborados e uso de falsete. O álbum Pet Sounds é o destaque desse grupo.
Beach Boys - Capa do Pet Sounds


Na segunda metade da década de 60, experiências com o ácido lisergico, a droga LSD, trazem o psicodélico para a música. Outras drogas como a canabis, a cocaína e a heroína se tornam cada vez mais presentes no universo do rock.

O uso de LSD foi amplamente difundido por artistas como os Beatles. Também foi responsável por agravar problemas mentais, como aconteceu no caso de Brian Wilson dos Beach Boys e Syd Barret do Pink Floyd, ambos portadores de esquizofrenia.

Influenciados pela luta contra a violência, contra as guerras e exaltando os problemas das "pessoas simples" surge na metade dos anos 60 o movimento Folk Rock. Dentre alguns dos artistas desse movimento, destacam-se Bob Dylan, Joni Mitchell, Joan Baez e Peter, Paul and Mary.
Joan Baez e Bob Dylan

Joni Mitchell



Entre 15 e 18 de agosto de 1969 acontece o festival de woodstock. Um festival pela música, paz e que difundiu o movimento hippie do amor livre. Sexo, drogas e rock and roll são as palavras de ordem.

Os anos foram se passando e o rock foi sofrendo modificações e experimentações. O rock progressivo se difundiu na década de 70, misturando elementos da música erudita com elementos do rock clássico. Os concertos se tornaram mega shows. Alguns com características de composições sinfônicas.

Nasce a ópera rock, narrativa musical em forma de álbum que gerou grandes concertos ao vivo e filmes de sucesso. Entre essas obras, destacamos Tommy do grupo The Who, lançado como álbum em 1969 e como obra cinematográfica em 1975, e The Wall, mega projeto do Pink Floyd lançado em 1979 com versão para o cinema de 1982.
Capa da ópera rock Tommy
Capa do filme The Wall



Entre os anos 1970 e 1980, surgem o Hard Rock e o Heavy Metal, algumas das vertentes mais agressivas do rock. O punk rock surge também em 80 com bandas como Sex Pistols e The Clash, e tinha como intuito fazer uma música simples na questão harmônica, porém barulhenta e política.
The Clash


Outros vários gêneros foram se formando ao longo dos anos, como o Grunge, o Indie, Nu Metal, Metal Melódico, Gothic Metal e tantos outros.

A verdade é que ninguém mais fica imune ao impacto causado pelo rock no mundo. O rock não morre, se renova. Tal qual a Hidra de Lerna da mitologia grega, ao tentar se cortar uma cabeça, nascem duas em seu lugar. E assim, passam anos e décadas. Mas o bom e velho Rock and Roll continua a existir e arrastar multidões mundo afora.

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

JORGENSEN, Ernest. Elvis Presley: a vida na música: as sessões de gravações completas; tradução Estúdio Candombá. São Paulo, Larrousse do Brasil, 2010.

MÁXIMO, João. A Música do Cinema: Os 100 primeiros anos Vol. 2. Rio de Janeiro, Rocco, 2003.

THOMAS, Garret. Beatles: a história ilustrada. Tradução Heitor Pitombo. São Paulo, Editora Escala, 2010.

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baixo_el%C3%A9trico

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-guitarra-eletrica

www.chuckberry.com

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Rock_and_roll

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Is This Love? (Dia Internacional do Reggae)


No dia 1º de Julho é comemorado o Dia Internacional do Reggae, ou Internacional Reggae Day (IRD). A data foi sugerida por Winnie Mandela, esposa de Nelson Mandela, na ocasião de sua visita ao país em 1991.
O Reggae

O ritmo Reggae nasceu na década de 60 de uma derivação do Ska e do Rocksteady. Sua característica principal é a acentuação do tempo fraco, conhecido como Skank. É um ritmo mais lento do que o Ska e o Rocksteady e possui acentuação no 2º e 4º tempos. A guitarra base também enfatiza o 3º tempo e as linhas de baixo são mais complexas do que no rocksteady.



O nome reggae vem provavelmente de rege ou rege-rege, que significaria "farrapo" ou "roupa rasgada" ou mesmo "confusão", segundo a edição de 1967 do Dictionary of Jamaican English (dicionário de inglês jamaicano).

Ao que parece, não há um criador oficial do Reggae, nem tampouco que o nomeou. Existem várias teorias para o nome empregado na música. Uma delas data de 1968 com o single "DO The Reggay" do grupo The Maytals. Mas, segundo Derrick Morgan, o termo já era utilizado na capital da Jamaica, Kingston


"Não gostávamos do nome 'rock steady' ("rock constante"), então tentei algo diferente numa versão de "Fat Man". A batida foi mudada novamente, e o órgão usado para assustar. Bunny Lee, o produtor, gostou daquilo. Ele criou o som com o órgão e a guitarra base. Soava como 'reggae, reggae', e aquele nome pegou. Bunny Lee começou a usar a palavra e logo todos os músicos estavam dizendo 'reggae, reggae, reggae'."

Bob Marley, no entanto, afirmava que a palavra vinha do espanhol e que significaria "música de rei".

Aliás, Bob Marley se tornou o maior ícone deste estilo, levando-o para o mundo, juntamente com os fundamentos da religião Rastafari, o uso do dreadloks (penteados de emaranhados de cachos) e chamando a atenção para as comunidades negras e pobres da periferia jamaicana, tornando-se um símbolo contra a segregação racial ao redor do mundo.



Cores do Reggae

As cores do Reggae se baseiam na bandeira da Etiópia, durante o reinado de Hailé Selassié, posteriomente conhecido como Ras Tafari. Cada cor possui um significado material e outro espiritual.

CorValor físico/material Valor metafísico/espiritual
VermelhaO sangue que os mártires deram pelo próximo.Fé, no sentido de persistência rumo a um objetivo. Poder, no sentido de capacidade de realização de metas, de transformar sonhos em realidades.
VerdeOs campos férteis, fonte de prosperidade, e a natureza em geral da ÁfricaEsperança, pois esta cor está ligada, nas tradições esotéricas mais antigas, aos fenômenos de renovação.
AmarelaRiqueza natural (ouro e minerais), como fonte de prosperidade.Espiritualidade e amor, como elementos sociais de união entre os povos.
Dia Internacional do Reggae

O Dia Internacional do Reggae foi instituído em 1994 após sugestão de Winnie Mandela, que em sua visita à Jamaica em 1991 falou da importância do gênero na África do Sul na época do apartheid e de como ele influenciou positivamente a cultura afro ao redor do Mundo.

Andrea Davis organizou o primeiro festival do IRD (Internacional Reggae Day) em 1º de Julho de 1994. 

Desde o ano 200 o festival tem acontecido anualmente.

No Brasil, o dia 11 de maio é conhecido como o Dia Nacional do Reggae, e foi sancionado pela então presidente Dilma Roussef em 2012, em homenagem à Bob Marley em sua data de falecimento.

Referências:



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

História da Guitarra: Parte 1

Texto de Amanda Pontual

Publicado originalmente no Blog
 http://acordesrecife.blogspot.com.br/
em 05/11/2014
Guitarra, um instrumento musical que virou ícone, moda. Que se tornou símbolo de um movimento, sinônimo de mudança, de rebeldia, de subversão. Criado a partir da junção de música, tecnologia e eletrônica.

Sua origem é tão misteriosa quanto à de seu irmão mais velho, o violão. A guitarra clássica, que aqui chamamos de violão por razões que não serão abordadas nesse post, tem possível origem na península ibérica, provavelmente no século XV. A origem do nome guitarra pode ser atribuída ao músico italiano Leonardo Del Chitarino, que tocava um instrumento chamado de mandora ou Chitarino.
Mandora ou Chitarino

Mandora ou Chitarino
A guitarra elétrica surgiu da necessidade de impor um maior volume de som ao violão. Surgiu na década de 30 e não existe uma autoria da "invenção" do instrumento.

"A ideia era, além do mais, que soasse mais forte, obtendo uma imitação o mais fiel possível do som da música havaiana, muito em moda nos Estados Unidos naquele momento" (SALVAT, 2009)

As primeiras guitarras foram, portanto, as havaianas. Possuíam um braço comprido e corpo chato de alumínio. Ligada a um amplificador, a guitarra assumiu um papel de protagonista no conjunto instrumental.

A guitarra elétrica soa por vibração eletromagnética. Utiliza pedais de distorção e amplificadores. Embora não exista um "criador" do instrumento, dois nomes se destacam na elaboração de modelos e melhorias no instrumento. São eles Leo Fender e Les Paul.

Adolph Rickenbacker foi um dos pioneiros na construção de guitarras elétricas, provavelmente no ano de 1931. Fundou, juntamente com George Beauchamp e Paul Barth a Rickenbacker International Company (RIC), empresa que iniciou a fabricação de guitarras elétricas havaianas.

A primeira linha de guitarras da Rickenbacker foi a Frying Pan, projetada por Beauchamp. Possuía corpo de alumínio e podia vir com 6 ou 7 cordas. O nome oficial do instrumento é Rickenbacker Electro A-22, e seu apelido se deve à semelhança do instrumento com uma frigideira. A guitarra ainda possuía um certo problema de afinação e sua produção se estendeu de 1931 à 1939.

Rickenbacker Electro A-22 "Frying Pan"
Outros modelos célebres das décadas de 30-40 da Rickenbacker foram a Electro Spanish e Rickenbacker Electro Modelo B.

Electro Spanish

Model B

A Rickenbacker continua produzindo guitarras e baixos elétricos até os dias atuais. Os Beatles foram um dos grupos que preferiam o uso de instrumentos desta marca.
As guitarras de corpo maciço começaram a ser comercializadas entre as décadas de 30/40. Muitos foram os responsáveis pelos avanços obtidos na produção de um instrumento que, ao ser amplificado, mantivesse tanto sua afinação como uma boa qualidade sonora e de ressonância.
George Harrison com a sua Rickenbacker


Em 1936 a marca Gibson lança a ES150. A guitarra espanhola elétrica da Gibson foi o primeiro modelo de sucesso comercial. O nome ES refere-se à Eletricidade Spanish e 150 está relacionado ao preço cobrado pelo instrumento com cabo e amplificador, que girava em torno de US$ 150,00.
 Foi desenvolvido por Montgomery Ward e Spiegel May Stern. O modelo clássico possui os chamados F's presentes na família dos violinos. Um dos músicos mais famosos por utilizar este instrumento foi o guitarrista de Jazz Charlie Christian.

Gibson ES150


A fábrica Gibson Guitar Corporation descende da Gibson Brands, fundada em 1902 por Orville Gibson e que fabricava inicialmente bandolins. As guitarras Gibson são também conhecidas como Guitarras Semi Acústicas. São até os dias atuas, preferências do universo do Jazz e Blues.

Já na década de 40, a história da Gibson e de Lester William Polfus, mais conhecido como Les Paul, iriam se fundir. Les Paul criou nesta década a famosa guitarra "Log" que recebe este nome por ser formada de um bloco de madeira. Foi a primeira guitarra elétrica de corpo maciço.
Les Paul teve sua primeira experiência com a formulação de guitarras elétricas com 12 anos de idade. Ele introduziu um microfone de telefone nas cordas e uma cabeça de toca-discos no interior da guitarra acústica, ligando ao rádio dos seus pais. Fez essa experiência para conseguir amplificar o som do instrumento, pois ele tocava numa rede de fast-food e não era bem ouvido.

A sua “Log” foi apresentada à Gibson, mas inicialmente foi rejeitada. Les Paul foi ridicularizado e chamado de “o rapaz do pau de vassoura com pickups” (SALVAT, 2009). Uma década mais tarde, a Gibson lançaria as primeiras guitarras de corpo maciço em parceria com Les Paul.

Les Paul Log


Ainda na década de 40, Clarence Leo Fender funda a companhia K & F e passa a desenhar modelos de guitarra para a Rickenbacker.
Em 1946, Leo Fender funda a Fender Eletric Instruments Company. Dois anos mais tarde, associa-se a George Fullerton que irá contribuir nos designs das guitarras Telecaster ou Broadcaster, que serão largamente comercializadas na década de 50.
Este é apenas o início da comercialização de guitarras elétricas. Nas décadas seguintes, especialmente com a difusão do rock mundialmente, este instrumento passa a se tornar cada vez mais presente na música, e sendo aperfeiçoado ao longo dos anos.
Telecaster


Continua...

Parceiro: Casa da Musika

Bibliografia:

Coleção Instrumentos Musicais: Guitarra. Editora Salvat do Brasil Ltda. São Paulo – SP, 2012.

http://www.patguitar.com/images/Fender_Telecaster_229020/Fender_Telecaster_229020_01.jpg

http://www.fretboardjournal.com/files/u7/frying-pan-guitar.jpg

http://en.m.wikipedia.org/wiki/Guitar#

http://www.fredmeijer.nl/Portals/0/Rickenbacker%20Frying%20Pan.jpg

http://www.rickenbacker.com/history_early.asp

http://www.metmuseum.org/toah/images/h2/h2_64.101.1409.jpg

http://en.m.wikipedia.org/wiki/Frying_pan_(guitar)

http://www.vintagemartin.com/Rick_SpanishVibrolaGold_B011.jpg

http://www.earlymartin.com/RicknonoB_084.jpg

http://benbethea.files.wordpress.com/2013/07/georgeharrisonrickenbacker.jpg

http://www.12fret.com/wordpress/wp-content/gallery/gibson_es150_1949/Gibson_es150_1949_full_1.jpg

http://en.wikipedia.org/wiki/Gibson_ES-150

http://invention.smithsonian.org/centerpieces/electricguitar/pop-ups/02-07.htm

http://www.laparola.com.br/wp-content/uploads/2013/08/Log-Les-Paul1.jpg

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fender_Telecaster

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

15 de Setembro: Dia do Musicoterapeuta



DIA DO MUSICOTERAPEUTA


A Musicoterapia é uma arte e um ofício. É uma profissão, ao mesmo tempo que é um ato de amor. Em tempos em que nos vemos cada vez mais em uma sociedade adoecida pelas urgências diárias, pela pressa e pelas exigências, em que não temos tempo de nos conectar conosco, as terapias tem sido cada vez mais necessárias na nossa vida.

Uma grande aliada no nosso cotidiano tem sido a música, elemento artístico e de expressão cada vez mais presente na nossa sociedade. A Musicoterapia vem aliar a necessidade terapêutica e a linguagem musical, canal que tem sido um facilitador em muitas formas de terapia, sejam elas de reabilitação, paliativas ou psicológicas, exatamente pelo forte laço que une os seres humanos e a música.

Porém a profissão do Musicoterapeuta ainda enfrenta diversos desafios. Desde a luta pelo reconhecimento da profissão perante as esferas públicas até às lições populares para instruir que apenas pode exercer a Musicoterapia aquele profissional cuja formação englobe o curso superior ou pós graduação.

O dia 15 de setembro representa uma luta da UBAM - União Brasileira das Associações de Musicoterapia, que gerou o Projeto de Lei Nº 386 de 1988 do Estado de São Paulo, escrito pelo Deputado Moisés Lipnik. Em 30 de abril de 1991, o então governador de São Paulo Antônio Fleury Filho tornou oficial por meio da Lei 7177/91 o dia 15 de setembro como o Dia do Musicoterapeuta, data que mais tarde se tornaria nacional.

Apesar da data ter sido instituída em 1991, apenas em 2010 a profissão de Musicoterapeuta foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Atualmente, o profissional Musicoterapeuta atua com o CBO (Código Brasileiro de Ocupações) número 2263-05, como subárea de “Profissionais das terapias criativas, equoterápicas e naturológicas”, como consta no Portal do Trabalho e Emprego, do Governo Federal (2015). É reconhecido o profissional com graduação em Musicoterapia e os portadores de especialização na referida área.

Está em tramitação na Câmara dos Deputados Federal o Projeto de Lei 6379/2019 de autoria da deputada federal Marília Arraes que visa a regulamentação da profissão do Musicoterapeuta. 

Ainda há muito o que galgar na profissão de Musicoterapeuta. Seguimos na luta. Enquanto isto, parabenizamos a todos os profissionais desta bela e árdua profissão.

Parceiro: Casa da Musika