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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Família dos Instrumentos: Madeiras

As madeiras.



Inicialmente, as madeiras não eram muito importantes para o conjunto. Porém, ainda que timidamente, elas passaram a fazer parte importante da orquestra. O fagote e o oboé foram os primeiros a serem incorporados, seguidos do traversso (antiga flauta transversa). O clarinete e os auxiliares só apareceram mais tarde. Embora hoje estes instrumentos sejam fabricados de metal, tiveram suas origens como sendo feitos de madeira, portanto prevaleceu a origem nesta classificação.


Oboé: Instrumento antiquíssimo, o tipo utilizado hoje nas orquestras sinfônicas surgiu na França, na segunda metade do século XVII, a partir do desenvolvimento das charamelas medievais e renascentistas. Os primeiros modelos foram fabricados pelos franceses Jean Hotteterre e Michel Philidor, e eram usados pelos músicos da corte de Luís XIV.

Chamarela Medieval
Oboé D'Amore


A forma do moderno oboé, data do período de Haydn e Mozart, embora tenha sofrido algumas importantes modificações no decorrer dos séculos XVIII e XIX, como, por exemplo, o aumento de sua extensão.
Constitui-se de um tubo cônico e palheta dupla, sendo o som controlado por orifícios e chaves. De timbre anasalado, distingue-se perfeitamente dentro da massa orquestral. Seu alcance é de 2 oitavas e meia, começando no si, uma oitava abaixo do dó médio.Utilizado, sobretudo como integrante da orquestra sinfônica, onde é indispensável. Há também considerável literatura para solo do instrumento.
Oboé Moderno

Palheta do Oboé


Corne inglês: De estrutura semelhante à do oboé, distingue-se deste pelo tubo mais longo e por um esférico pavilhão em forma de pêra. Desenvolveu-se a partir do oboé da Caccia (de caça), no século XVII. A origem do nome é desconhecida.
Oboé da Caccia

De timbre suave, soa uma quinta abaixo do oboé e é próprio para melodias tristes e melancólicas. Embora Haydn e Beethoven tenham escrito obras para este instrumento, suas potencialidades só foram amplamente desenvolvidas por Berlioz, Wagner e Dvorák.O corne-inglês não é utilizado com muita freqüência na orquestra sinfônica.
Corne Inglês
Corne Inglês em comparação ao Oboé


Fagote: O fagote é o baixo do grupo das madeiras (flauta, oboé, clarineta, fagote) e, dentre esses instrumentos, é aquele que tem a mais ampla tessitura. São três oitavas e meia, abrangendo do sib –1 até o mi 4 (tomando-se como base o dó central = dó 3). O som do fagote é produzido, tal como na bombarda renascentista, por uma palheta dupla aplicada a um bocal em forma de “S” e feita vibrar pela boca do instrumentista através do sopro.
Fagote antigo

Ele se compõe de uma parte construída de metal (bocal) e de quatro partes construídas de madeira (asa, culatra, baixo e campana), que se encaixam uma na outra e que, quando montadas, perfazem um tubo cônico de 235 cm, tendo um diâmetro inicial de 4 mm. e finalizando em 4 cm.
No tocante às partes de madeira, quando o sistema é alemão, o fagote é quase sempre construído em ácer (em alemão: Ahorn; em inglês: maple wood); quando seu sistema é francês, a madeira usada é tradicionalmente o jacarandá.  Como o ácer é uma madeira muito clara, quase branca, o fagote é normalmente tingido com alguma coloração que lembre a nobreza da cor do mogno. O jacarandá, por ser já de natureza mais escuro, não recebe corante e tende automaticamente ao marrom.

Fagote Moderno

Contrafagote: Este instrumento soa uma oitava abaixo do fagote. Surgiu em 1714, criado por Andreas Eichentopf, em Leipzig, sendo ocasionalmente utilizado pelos compositores clássicos.
O moderno contrafagote segue o desenho idealizado, em 1870, pelo alemão Johann Heckel. De estrutura semelhante ao fagote, seu tubo, no entanto, se curva 4 vezes sobre si mesmo. Distingue-se também por um pavilhão de metal voltado para baixo.
O instrumento alcança 3 oitavas, sendo o si bemol a sua nota mais grave. Nas raras vezes em que aparece como solo dentro da massa orquestral, tem por função criar atmosferas lúgubres ou grotescas.



Flauta transversa: Um dos instrumentos mais antigos, a flauta transversal, utilizada regularmente na moderna orquestra sinfônica, surgiu no século IX, antes de Cristo, provavelmente na Ásia. Introduzida na Europa ocidental através da cultura bizantina, no século XII depois de Cristo, era geralmente associada à música militar. Somente na segunda metade do século XVII é que passou a integrar a orquestra.
A moderna flauta transversal nasceu das transformações operadas no antigo instrumento pelo alemão Theobald Boehm, por volta de 1840. Feita em metal, geralmente prata, constitui-se de um tubo cilíndrico de 67 cm. de comprimento por 19 mm. de diâmetro. Divide-se em 3 partes: cabeça ou bocal, corpo e pé.

O bocal tem por função manter rigorosamente o equilíbrio da afinação; o corpo e o pé contêm orifícios e chaves, cuja finalidade é diminuir ou aumentar o comprimento da coluna de ar no interior do tubo. Soprada lateralmente, seu alcance é de 3 oitavas (dó3 a dó6). Tem sido tratada como instrumento solista e como instrumento da orquestra, sendo o mais agudo entre os membros regulares do grupo das madeiras.
Existiram na Antigüidade diversos outros tipos de flauta. No entanto, a única que coexistiu com a flauta transversal foi a flauta doce, soprada pela ponta, muito usada pelos músicos renascentistas e barrocos.
Família de Flautas Doce

O flautim ou piccolo, versão menor da flauta transversal, cujo tubo tem aproximadamente metade do comprimento da flauta. É o instrumento mais agudo da orquestra, da qual não é, entretanto, um elemento essencial. Alcança quase 3 oitavas (ré4 a dó7).

Há ainda a flauta baixa, que se usa para sons mais graves. Prolonga-se o comprimento do tubo ou em alguns casos, constrói-se com um cotovelo pelo qual o tubo se aproxima, no outro extremo, à posição da boquilha.


Clarinete: Surgiu no final do século XVII, a partir do aperfeiçoamento da charamela, levado a cabo por Johann Christopher Denner, conhecido fabricante de flautas de Niremberg. No século seguinte, passou a integrar a orquestra sinfônica. Por volta de 1840, atingiu sua estrutura definitiva, com a introdução do sistema de chaves de Theobald Boehm, que já havia sido aplicado com sucesso na flauta.
Ao logo dos tempos, foram criados clarinetes de dimensões e timbres variados. Há cinco modelos ainda em uso:
-   Em mi bemol - o soprano da família, também denominado “requinta”;
-   Em dó – de timbre brilhante;
-   Em si bemol – o mais usado na atualidade;
-   Em lá – de pouco uso;
-   Clarinete-baixo em si bemol – uma oitava abaixo do outro de mesma tonalidade.

Constitui-se de um tubo cilíndrico dividido em 4 partes: pavilhão, corpo inferior, corpo superior e barrilete. Neste está embutida a boquilha, na qual se adapta uma palheta simples.
Mozart foi um dos primeiros compositores a explorar o clarinete como instrumento solista, compondo um concerto e várias peças de câmara. A sua escrita para o clarinete, favorecendo a beleza do registro grave do instrumento e um equilíbrio e fluência em toda a sua ampla tessitura, faz-nos pensar na escrita vocal e não é difícil imaginar tratar-se por vezes de uma voz de soprano. O uso do clarinete obbligato como dramatis persona em La Clemenza di Tito encontra-se na linha de uma tradição vienense do início do séc. XVIII, na qual se inscrevem múltiplas óperas, evidenciando uma relação estreita entre a voz e o chalumeau que, tomado como objeto significante, é associado a sentimentos específicos de caráter amoroso ou pastoral.


Criado em 1810, o clarinete-baixo ou clarone também é utilizado na orquestra sinfônica, embora com menor freqüência. Distingue-se do clarinete propriamente dito, pelo pavilhão recurvado e pelo diapasão mais grave.


Leiam também as 2 primeiras matérias sobre a família dos instrumentos.
Família das Violas
Família dos Violinos

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Família dos Instrumentos: Violino


Dando continuidade ao tema Família dos Instrumentos, veremos a seguir um pouco da história da família dos violinos.

A família dos violinos.


Surgiu como uma evolução das violas e acabou substituído-as. Também são instrumentos de cordas friccionadas por um arco. Fazem parte da família os violinos, que ficam dispostos na orquestra em duas seções (1ºs e 2ºs violinos), o violoncelo e o contrabaixo. Uma curiosidade está no fato de que o tamanho do arco é inversamente proporcional ao tamanho do instrumento, ou seja, quanto maior o instrumento, menor o arco.

Arco do violino


Violino: Desenvolvido no século XVI pelos italianos Andrea Amati, de Cremona, e Gasparo da Salò, de Brescia, a partir do aperfeiçoamento do primitivo instrumento de 3 cordas, parece, à primeira vista, que, dessa época até os dias de hoje, o violino não sofreu transformações em sua estrutura. No século XVI, eram comuns violinos menores, como os chamados “pochette”, usados pelos mestres de dança e que eram guardados nos bolsos (poches) de suas casacas.
Na verdade, porém, a partir das inovações introduzidas por Antonio Stradivarius, por volta de 1700, o instrumento passou por pequenas, mas significativas mudanças estruturais, para que pudesse atender às necessidades das sucessivas gerações de compositores e intérpretes. No século XIX, o surgimento das grandes salas de concerto e o aparecimento da figura do “virtuose” levaram às alterações que lhe deram a feição definitiva e que redundaram num timbre mais volumoso e brilhante.
De aparência simples, é um instrumento de extraordinária complexidade, composto de quase 70 peças diferentes. Constitui-se basicamente de 4 cordas, afinadas em quintas (mi4, lá3, ré3 e sol2) e que atingem mais de 4 oitavas e meia, uma caixa de ressonância em forma de oito e um braço preso à caixa por um cepo. No interior da caixa, há uma prancheta chamada “cadeira” e um pequeno cilindro vertical denominado “alma”. Ambos têm por finalidade melhorar a sonoridade, além de dar mais solidez à parte superior da caixa de ressonância, o “tampo harmônico”, em cuja parte central encontra-se o “cavalete”, por onde passam as cordas.
O violino, o mais agudo e versátil instrumento de cordas, é indispensável na orquestra sinfônica e no quarteto de câmara.
  
                                                                                                  

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Viola: Remanescente da família das violas, também chamada de viola de arco (vide Família dos Intrumentos: Viola). É um pouco maior e mais grave do que o violino. Após ser agregado à família dos Violinos, passou a adotar os desenhos de "F" característicos desta família.


Comparação entre violino e Viola


Cello ou Violoncelo: Construído no século XVI, à maneira do violino e para ser tocado como a viola de gamba, pelos mestres italianos Andres Amati, Gasparo da Salò, Maggini e outros, esse instrumento de timbre grave e aveludado tinha a função de reforçar os baixos da orquestra.
Em seus primórdios, exercia papel secundário, sendo utilizado ora como baixo contínuo, juntamente com o cravo, ora como simples pedal da orquestra. Somente a partir do final do século XVII é que se firmou como instrumento solista, substituindo a “viola de gamba”.

De estrutura semelhante à do violino e à da viola, diferencia-se destes pelo comprimento (1,19 m.), como também pela caixa de ressonância, proporcionalmente mais funda. Possui 4 cordas afinadas uma oitava abaixo das cordas da viola, também em quintas (dó1, sol1, ré2 e lá2), e seu registro médio é de 3 oitavas e meia.
A princípio, o corpo do violoncelo variava de dimensões. O comprimento atual foi fixado no século XVII, por Stradivarius. Assim como o violino e a viola, é indispensável na orquestra sinfônica e no quarteto de cordas.
Posição para se tocar o cello


Contrabaixo: O mais grave e maior instrumento de cordas e arco, o contrabaixo surgiu também no século XVI, na Itália, modelado a partir do “violone”, instrumento de cordas medieval. No decorrer dos séculos, foram feitas várias experiências no tocante a suas dimensões, estrutura da caixa de ressonância e número de cordas.
O contrabaixo usado atualmente mede 1,82 m. de comprimento e possui 4 cordas afinadas em Quarta (mi, lá, ré e sol). Seu registro médio é de pouco mais de duas oitavas, começando pelo “mi” mais grave da escala. Para solos, utiliza-se, muitas vezes, um instrumento um pouco menor, que apareceram no século XVII. Às vezes, podem ter uma Quinta corda, afinada em Dó superior.

Para sua execução, empregam-se dois tipos de arco: o francês, mais comum, e o Simandl ou Dragonetti, de empunhadura especial, que proporciona maior peso do arco sobre as cordas do instrumento, extraindo delas um som mais forte e homogêneo. Em geral na música popular e, com menos freqüência, na erudita, é executado sem o uso do arco, com as cordas sendo dedilhadas (“pizzicato”).
Indispensável na música sinfônica, o contrabaixo tem por função básica reforçar os baixos da orquestra. Raramente funciona como solista.






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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Famílias dos Instrumentos: Violas.

Iniciando uma nova série de posts sobre a história da música, desta vez falaremos da história e evolução dos instrumentos orquestrais. Iniciando com a família das violas.

A família das violas




Consiste em instrumentos de cordas friccionadas por meio de um arco. Desta família fazem parte o violone, a viola da gamba e a viola da braccia. Foi, aos poucos, substituída pela família dos violinos, restando apenas a viola de braço, hoje conhecida simplesmente como viola.

Violone: instrumento de som grave que foi pouco utilizado na música erudita. Também chamado de rabecão, era um pouco maior que o cello e dará origem ao atual contrabaixo. Foi criado na era medieval e ficou obsoleto após a invenção do contrabaixo.


Viola da gamba: Surgiu na Península Ibérica em meados do século XV e ganhou toda a Europa. Na Itália, recebeu seu atual nome pois “gamba”, em italiano, significa perna instrumento que para ser tocado é sustentado entre as pernas. Possuíam trastes. No século XVI surgem violas de vários tamanhos como a soprano, tenor e a viola contrabaixo ou violone, constituindo uma verdadeira família. O Consort of Viols, conjunto de violas, foi a formação instrumental mais popular da Renascença. No século XVII, a tendência por uma música com sonoridade mais forte e cantante no registro agudo levou à preferência pelo violino, fazendo com que as violas soprano e tenor perdessem o seu favoritismo. Até o final do século XVIII, a viola da gamba baixo era muito estimada e conheceu um período glorioso nas cortes européias, principalmente na França, com um repertório extremamente virtuoso. Aos poucos foi perdendo a sua predileção para o violoncelo, até cair em desuso.



Viola de braço: Suas origens parecem remontar ao século XVI na Itália. As primeira violas modernas de que se tem conhecimento foram fabricadas por Andre Amati e Gasparo da Salò e possuíam dimensões um pouco maiores do que as atuais. No século seguinte, Stradivarius e Andrea Guarnerius criaram modelos de tamanho mais reduzido, que se firmaram através dos séculos. Chamada atualmente de viola, ela é um pouco maior que o violino, e timbre é ligeiramente mais grave que mesmo (uma quinta abaixo) e suas 4 cordas são, como no violino, afinadas em quintas (dó2, sol2, ré3 e lá3).

A partir de Haydn e Mozart, a viola ganhou importância como instrumento de câmara e sinfônico. No século XIX, foi valorizada por Berlioz e Richard Strauss, que compuseram solos do instrumento. No século XX, no entanto, é que surgiram as primeiras obras para viola desacompanhada, como as sonatas de Paul Hindemith.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

História da Orquestra: 4º Movimento + Coda (A Orquestra Barroca + Conclusão)


Como vimos anteriormente, Lully foi o responsável por colocar os violinos a frente da orquestra. A variedade de instrumentos teria de ser a menor possível, em parte para poder ser melhor apreciada nos palácios e em parte pela característica das peças. Nascia então a ciência musical denominada acústica.

Embora não houvesse uma formação orquestral fixa, (a escolha dos instrumentos variava segundo a vontade do compositor) as cordas eram o elemento essencial em quase todas as obras. Possuíam uma seção de violinos, violas, violoncelos ou violas da gamba e por vezes um violone ou rabecão, hoje substituído pelo contrabaixo. O acompanhamento do baixo contínuo, especialmente o cravo, é uma constante deste período.


Os tímpanos eram pouco utilizados bem como qualquer outro instrumento de percussão. Os metais são pouco vistos. A utilização de ambos variava segundo a necessidade da obra. Por exemplo, certa vez o rei da Inglaterra pediu a Handel (1685-1759) para compor uma obra que seria executada durante a queima de fogos de artifício. Handel então orquestrou sua obra “Royal Fireworks Music” com uma grande quantidade de metais como trompetes, trompas e trombones, além da percussão. Porém não utilizou as cordas pois o som das mesmas se perderia frente a massa sonora provocada pelos fogos, metais e percussão. Posteriormente ele faria um novo arranjo para ser executado em lugares menores com menos instrumentos e utilizando toda a seção de cordas.

Com o aparecimento da ópera, surge também a figura do mecenas, o patrocinador da arte, que geralmente pertencia a aristocracia ou a nobreza. Desta forma, a música tornou-se erudita, de gosto refinado e discurso elaborado para ser apreciada por um público mais seleto.

Na maior parte das obras barrocas, a melodia fica por conta dos primeiros violinos, as notas intermediárias da harmonia ficam por conta dos segundos violinos e das violas, as notas graves são de responsabilidade dos cellos e contrabaixos e a realização dos acordes ficam por conta dos instrumentos de teclado tais como o órgão ou o cravo.

As madeiras vem, inicialmente representadas pelo fagote e pelo oboé. Posteriormente é incorporada a flauta transversal e mais tarde o clarinete. Os metais vem com a trompa, trompetes e trombones.

Conclusão.


A orquestra evoluiu muito ao longo de sua existência. Aqui nos coube apenas mostrar um pouco desta evolução. A verdade é que, desde que foi consolidada, a música instrumental ganhou maior importância, tanto no conjunto como nas obras solistas.

A necessidade de se ter uma sonoridade melhor dentro desta, forçou as mudanças no material dos instrumentos e nas demais mudanças qualitativas destes. Também forçou o aperfeiçoamento das salas de concerto, buscando melhorá-las em termos de acústica.
Abaixo um esquema da orquestra moderna, bem maior e mais elaborada do que nos primórdios.



Leiam também as 3 primeiras partes deste trabalho:




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terça-feira, 27 de setembro de 2016

A História da Orquestra: 3º Movimento (Lully e os 24 violinos do Rei)


Jean-Baptiste Lully aparece na história da música como o notório compositor francês que deu ao violino a característica de ser o carro chefe de uma orquestra. Ele era, na verdade, italiano, nascido em Florença em 28 de novembro de 1632 e batizado com o nome de Giovanni Battista Lully.
Embora pouco se conheça de sua infância, sabe-se que aprendeu a tocar violino sozinho, apesar de seu pai não ter ligação com a música. Aos 14 anos ele foi levado pelo Duque de Guise para a França para trabalhar como cozinheiro. Logo seus talentos como violinista e bailarino foram percebidos e ele passou a incorporar a orquestra.

Em 1653 ele passou a integrar como músico nos “Petit Violons du Roi” onde logo conseguiu o lugar de 1º violino. Casou-se com Madeleine Lambert, filha do compositor Michel Lambert e naturalizou-se francês com o nome de Jean-Baptiste Lully. Na corte real, formou os 24 Violons du Roi (esta contava, por vezes, com o apoio de uma orquestra de 10 oboés e 2 fagotes) que é o primeiro conjunto especialmente criado para fins de concertos regulares para animar os balés da corte.
Em 1661 foi nomeado para o posto de compositor oficial do rei. No ano seguinte tornou-se mestre de música da família real. Criou, mais tarde a Academie Royale de Musique, que se tornaria a Grand Opera. Ainda foi o responsável por organizar as arcadas dos instrumentos de corda numa só direção, dando fim à antiga confusão de arcos desencontrados.
Criou a ópera francesa. Introduziu a overture française, conhecidas como aberturas lullianas, utilizadas por vários compositores de óperas e oratórios. Criou uma peça exclusivamente instrumental, em duas partes. A primeira em estilo homorrítmico, lenta e majestosa. A segunda mais rápida, contrapontística, ou começando em estilo fugado e com desfecho lento.
Se aproveitando do gosto do rei Luís XIV pela dança e seu exibicionismo nesta arte, Lully ampliou o papel da orquestra nos balés e adicionou a cena dançada por bailarinas. Introduziu o minueto e danças mais rápidas. Evoluiu a suíte barroca para o concerto e a ópera. Criou assim o gênero comédia-ballet, com números dramáticos e dançantes para apresentar na corte. O primeiro foi “O burguês fidalgo” de Moliére, além de obras inspiradas nas tragédias de Corneille e Racine, cujos temas exaltavam o rei da França.
Parou de tocar e passou a coordenar o pulso da orquestra batendo no chão com sua bengala, que utilizava por ser coxo. Numa de suas regências, mais especificamente durante a execução de um Te Deum, bateu ferozmente no pé com sua bengala e morreu 15 dias depois por septicemia, em 22/03/1687.

Principais obras: a pastoral “Le temple de La paix” (1685) e as óperas “Le Triomphe d’Alcide”(1674); “Athis”(1676); “Thésée”(1675); “Amadis de Gaula”(1684); “Roland”(1685) e “Acis et Galatée”(1686).

Leia também as duas primeiras partes da História da Orquestra.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A História da Orquestra: 2º Movimento (Monteverdi)

Monteverdi e a primeira orquestra.



Claudio Monteverdi foi um compositor italiano cujo aprendizado musical que obteve era fundamentado na composição contrapontística e modal, característica do século XVI. Ele, porém, optou pelo caminho da homofonia e deu início a um estilo de composição tonal. Mas os seus principais feitos no campo musical ainda estariam por vir.
Monteverdi decidiu aliar o teatro ao canto com a ajuda de uma grande massa instrumental. Nascia então a ópera. Nesta atmosfera inovadora é que, em 1607 “Orfeu” é apresentada ao público. Trata-se da primeira ópera conhecida, bem como o primeiro agrupamento orquestral de que se tem noticia. Monteverdi também criou a grade de orquestra para o regente.

O tema da ópera é uma história de origem grega. O corpo orquestral é formado por 40 músicos aproximadamente e instrumentos dos mais variados. Na lista anexada à partitura constam os seguintes instrumentos: 2 cravos; 2 violas contrabaixo (que equivale ao contrabaixo moderno); um grupo de 10 cordas (provavelmente violinos, violas e violoncelos); 1 harpa dupla; 2 violinos piccolo; 2 alaúdes baixos; 2 órgãos portáteis de tubos de madeira; 3 violas da gamba; 4 trombones; 1 órgão de palheta; 2 trombetas (hoje equivale ao trompete); 1 flauta doce e 1 clarino (trompete agudo).
Essa formação orquestral nos parece bem confusa, para muitos é caótica. Porém sua importância não pode ser negada, uma vez que das melhorias que surgiram à partir dela, é que se originaram as grandes composições tanto no campo da ópera como da música puramente orquestral.
Monteverdi é o grande inovador da música do renascimento. Além de empregar os acompanhamentos instrumentais, ele se utilizou de dissonâncias e cromatismos em suas obras. Sua vida pessoal, no entanto é repleta de tragédias. Perdeu a mulher e os dois filhos devido à peste, e acabou por ordenar-se padre em 1632. Foi professor de G. B. Rovetta, de Schütz e de Cavalli, entre outros.
Suas principais obras são as religiosas “Madrigais Espirituais” de 1583 e “Vésperas da Virgem” de 1610; e as profanas “Canzonette” de 1584 e “Scherzi Musicali” de 1607, além de nove livros de madrigais (1587-1615) e óperas como “Orfeu” de 1607; “L’arianna” de 1608; “Il ballo delle ingrate” de 1608; “Tirsi e Clori” de 1616; “Il combattimento de Tancredi e Clorinda” de 1624; “Il ritorno d’Ulisses in pátria” de 1641 e “L’incoromazione de Poppea” de 1624.

Monteverdi foi o último dos grandes compositores polifonistas e aquele que abriu o caminho para a música homofônica, tonal e dramática do período barroco. A partir dele, a música instrumental foi ganhando importância cada vez maior que culminou em grandes concertos. Da mesma forma, as evoluções dos instrumentos se deu com a finalidade de se buscar uma melhor sonoridade ao que ele criou, a orquestra.

Leiam também o 1º capítulo: Primórdios

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

A História da Orquestra: 1º Movimento (Primórdios)



Ao adentrarmos uma sala de concerto, nos deparamos com as cortinas fechadas e um som um pouco confuso vindo do fosso do palco. É o momento em que a orquestra afina seus instrumentos para dar início à execução de uma determinada obra. Esse ritual tem-se repetido através dos séculos e encantado diversas gerações.
É dado o crédito pela invenção desta maravilha ao compositor renascentista Claudio Monteverdi que, em 1607 reuniu um considerável número de instrumentos para a montagem daquela que seria a primeira ópera da história, “Orfeu”, inspirada numa peça grega de mesmo nome.
Vem da Grécia, também, a origem do nome orquestra. A orquestra grega, cujo nome quer dizer “lugar para dançar” era o espaço ocupado pelo coro e onde as danças eram realizadas. Separava o público da cena. Da mesma forma ficou disposta a orquestra renascentista, que recebeu esse nome devido ao espaço que ocupa e não pelo significado da palavra.

Orquestra grega


Inicialmente, as orquestras não possuíam uma forma definida. Os instrumentos variavam segundo a intenção do compositor. Porém, ao contrário do que muitos pensam, não se tratava de uma pequena quantidade de instrumentos. Orquestras gigantescas foram usadas entre os séculos XVII e XVIII, porém apenas se multiplicavam os instrumentos, a estrutura era, ainda, menos complexa em termos de orquestração.
Nos séculos seguintes, a orquestra modificou-se consideravelmente. Foram escritas diversas peças com caráter instrumental, os violinos se tornaram a espinha dorsal do conjunto orquestral, a família das violas ficou obsoleta e foi substituída pela dos violinos, outros instrumentos (especialmente os de sopro e percussão) foram incorporados e as obras ganharam maior complexidade ao longo dos séculos.

Aqui desenvolvemos um pequeno estudo de como se deu essa evolução em meados do século XVII, quando foi criada, e século XVIII quando as mais profundas melhorias foram feitas nas mesmas.

Aguardem os próximos capítulos...

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