sexta-feira, 30 de abril de 2021

30 de Abril: Dia Internacional do Jazz



 Falar sobre jazz não é falar apenas sobre um estilo musical. O jazz é uma expressão artística e política. É uma manifestação cultural de uma parcela da sociedade oprimida, perseguida e esnobada. Mas que ganhou ares de elitismo devido à influencia branca que  retirou o jazz dos guetos e levou às salas de concerto, o que  fez com que o jazz virasse consumo de uma parcela da população dita mais culta e esnobe.



O jazz nasceu no sul dos Estados Unidos, mais precisamente em Nova Orleans no estado da Louisiana, terra de grande atividade agrícola no século XVIII e que dependia muito do trabalho escravo. Fundada por colonos franceses em 1718, a cidade é um berço multicultural, com a influencia francesa, espanhola, indígenas e afro-americanas. E foi justamente da atividade agrícola que as bases do jazz e de outro gêneros musicais nasceram.


Os negro spirituals, são canções acompanhadas movimentos rítmicos e corporais cujo texto se baseia nos textos bíblicos. Os escravos americanos já entoavam estes cantos antes da Revolução Americana de 1776, e tinham um tom de lamento e uma ideia política de luta contra a escravidão. Porém, os primeiros spirituals só foram catalogados em meados de 1860. Dos spirituals nasceu o Blues e da mistura do Blues e do Ragtime, nasceu o jazz. Outra forte influência são os cantos de trabalho que utilizam a forma de pergunta e resposta e que também influenciaria o estilo folk americano.


Por volta dos anos de 1900, começam a surgir as primeiras orquestras negras e em 1917 aparecem os primeiros discos de blues, ragtime e outras jass musics, como consta em CANDÉ, (2001, pag. 400). O termo jass apareceu por volta de 1917-1920 de uma gíria dos negros americanos relativa ao sexo. A Europa logo neste início se interessou pelo estilo, com turnês de conjuntos negros, como do clarinetista Sidney Bechet em 1919. Mas logo as orquestras brancas foram surgindo e tomando o lugar das orquestras negras, modificando suas raízes. A primeira gravação de jazz coube ao grupo branco Original Dixieland Jass Band, com a faixa "Livery Stable Blues"



Sidney Bechet


O Jazz se caracteriza pela improvização, polirritimia, pelo uso do blue note, chamadas e respostas e forma sincopada. Os instrumentos mais utilizados são os metais, a bateria e os instrumentos de palheta. Atualmente os baixos e guitarras também tem sido bastante utilizados, além do piano. É comum dentro de uma apresentação de jazz que cada componente da banda realize um solo improvisado dentro da apresentação.


Os Vários Estilos de Jazz.

Dixieland é um dos primeiros estilos de jazz que se tem notícia. É chamado também de Jazz Tradicional. O estilo foi criado em 1910 e foge do refinamento, além de utilizar muita irreverência. Alguns dos principais grupos e autores do gênero são Buddy Bolden, Louis Armstrong, Sidney Bechet e a Original Dixieland Jass Band.




Swing e Big Bands. O Swing surgiu nos anos 1930 e foi responsável pela crescente onda das Big Bands (orquestras que utilizam em sua maioria instrumentos de metais). Um dos primeiros estilos de jazz de grande destaque, foi responsável pela popularização do estilo na sociedade americana e, posteriormente, produto de exportação para o mundo. Destacam-se mais uma vez Louis Armstrong (conhecido como o "Rei do Jazz"), Ella Fitzgerald e Billie Holiday





Bebop e Hard Bop. São estilos mais radicais de jazz, com sonoridade mais rápida e complexa. Estilo mais rebuscado, apareceu nos anos de 1950 e inicia o processo de elitização do jazz. Dentre os destaques do estilo estão Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Bill Evans.




Cool Jazz e Soul Jazz. Este estilo vem como uma oposição aos demais estilos de jazz. De sonoridade calma e grande influência do Blues. Seu grande destaque é Miles Davis.



Free Jazz é mais experimental, livre e descompromissado com a simetria sonora. Surgiu no final dos anos 1950. Destaque para John Coltrane.



Fusion Jazz inicia uma nova etapa em que o jazz passa a fundir-se com outros estilos, em especial com o Rock. Destacam-se Herbie Hancock e Frank Zappa.



Jazz Latino mistura o Jazz americano com estilos como Mambo, Samba, Merengue e Salsa.




Destaco também a Bossa Nova, estilo brasileiro dos anos 1950 que mistura a improvisação do jazz com a cadência do samba.


Dia Internacional do Jazz

Celebrada pela primeira vez em 2012, a data foi anunciada pela UNESCO e pelo embaixador da Boa Vontade Herbie Hancock como forma de celebrar o estilo. A data foi sugerida por Hancock. Ao longo de 10 edições, apresentações musicais promovidas pela UNESCO e por outros grupos são realizados anualmente.

No ano de 2021 terá a participação de Herbie Hancock, Andra Day, Diane Reeves, Joe Lovano, Melissa Aldano e Ivan Lins.

Referências:


CANDÉ, Roland de. História Universal da Música: vol. 2. Tradução: Eduardo Brandão: revisão de tradução Marina Appenzeller. São Paulo: Martins Fontes, 2001

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jazz

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Orle%C3%A3es

https://brasilescola.uol.com.br/artes/jazz.htm

https://epoca.globo.com/cultura/noticia/2017/03/ha-um-seculo-o-jazz-comecou-conquistar-o-mundo.html#:~:text=Os%20cr%C3%ADticos%20acreditam%20que%20o,ritmo%20sincopado%20ent%C3%A3o%20na%20moda.

https://www.calendarr.com/portugal/dia-internacional-do-jazz/

https://pt.unesco.org/news/celebracao-do-dia-internacional-do-jazz-2020

https://pt.wikipedia.org/wiki/Luisiana#:~:text=Atualmente%2C%20a%20economia%20do%20estado,distribui%C3%A7%C3%A3o%20de%20petr%C3%B3leo%20e%20derivados.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Spiritual

https://en.wikipedia.org/wiki/Work_song

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sidney_Bechet

https://www.todamateria.com.br/jazz/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dixieland#:~:text=O%20Dixieland%20ou%20Jazz%20tradicional,em%201910%2C%20em%20Nova%20Orleans.

https://en.wikipedia.org/wiki/International_Jazz_Day


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

The Wall - A Ópera Rock do Pink Floyd. Parte 2

 "Eu estava sentado à mesa comendo algo e me senti muito mal. De repente, foi como tudo tivesse pegado outra dimensão. Tudo espalhou0se, tudo. Pensei: 'Diabo! Estou ficando louco. Deve ser assim.". De repente a realidade mudou completamente".

Um colapso nervoso de um homem que estava recentemente separado de sua esposa. Uma crise de pânico social invadiu Roger Waters que chegou a cuspir em um fã durante uma apresentação. Então a ideia de criar um muro entre ele e o público surgiu em sua caminhada ao hospital, após machucar o pé em um golpe de caratê errado, desferido contra um empresário. Faltava apenas o tema, o script de um concerto espetáculo com toques de tragédia grega e reviravoltas de um drama de ficção.


Waters veio ao estúdio com a demo de Bricks in the Wall. Sacramentou que este só funcionaria como álbum duplo. As opiniões foram divididas. Nick Mason disse que "era como um esqueleto com vários ossos faltando", mas no geral, gostou da ideia. David Gilmour achou "depressivo e chato", mas aprovou o conceito básico.

Bob Ezrin ficou com a incumbência de arrumar o roteiro que acreditava ser de um filme imaginário. Escreveu um livro de 40 páginas em uma noite, montando uma trama com a história pessoal de Waters e tentando enquadrar com as músicas já produzidas. "No dia seguinte, no estúdio, fizemos uma leitura de mesa, como seria feito com uma peça, mas com a banda inteira, e seus olhos brilhavam, porque conseguiram enxergar o álbum pronto" (BLAKE, pág. 292).

Uma vez aprovado, era hora de produzir história.


Uma Epopeia em Três Atos. Ato 1: Infância, Juventude e Vida Pessoal.



A primeira parte da história é baseada na vida pessoal de Waters. O personagem principal, nomeado de Pink, está rememorando sua vida. A primeira parte começa com a morte de seu pai na Segunda Guerra Mundial (o primeiro "tijolo no muro").

Faixa 1: In The Flesh? Uma apresentação ao público de que esta é uma obra tensa. Após algumas notas de um toque militar fúnebre, a banda entra com um som mais pesado. "Então você pensou que iria gostar de ir ao show. Para sentir aquele calafrio quente da confusão. Aquele ardor de um astronauta". Pink não está bem, nas palavras do locutor, que diz ser a banda substituta da noite. A música termina com o choro de um bebê.

Faixa 2: The Thin Ice. "Mamãe ama você. E papai ama você". Um acalanto para um órfão, que perceberá que passará a vida esquiando no gelo fino.

Faixa 3: Another Brick In The Wall (parte 1). Aqui a história começa a tomar corpo. É revelado que seu pai foi para a guerra e não retornou de lá. Este é o primeiro tijolo no muro que levará o jovem Pink a isolar-se do mundo.

Faixa 4: The Happiest Days Of Our Lives. Nesta faixa, Pink relata sobre o bullying sofrido na escola por parte de professores autoritários e que menosprezavam suas produções em sala de aula. Uma prática que ajudou a diminuir a auto estima do jovem Pink (ou seria o jovem Waters?).

Faixa 5: Another Brick In The Wall (parte 2).

  Neste momento, ainda falando sobre sua experiência ruim na escola, Pink diz que não precisamos deste tipo de educação e faz um apelo: deixem as crianças em paz. Aqui vemos uma crítica também ao modelo de sociedade que procura empurrar todos dentro de um padrão, e quem não se encaixar, será excluído dessa sociedade.

Faixa 6: Mother. Terminando o Lado A do primeiro disco da obra, Mother fala da relação entre mãe e filho. Sendo Pink órfão de pai, sua mãe se torna super protetora, Pink se torna dependente e aos poucos este excesso de zelo vai minando a capacidade de Pink em enfrentar o mundo. O muro vai se erguendo mais forte, sendo a mãe sua fonte de salvação contra o mundo cruel que está do lado de fora do muro.



Faixa 7: Goodbye Blue Sky. Ainda remetendo aos traumas causados pela guerra. Os bombardeios, o medo das bombas caindo. Atualmente, Waters usa esse momento para falar de outras guerras, passadas e presentes da nossa história.

Faixa 8: Empty Spaces. "O que devemos usar para preencher espaços vazios? Onde costumávamos falar? Como devo preencher os últimos lugares? Como posso completar o muro?" Reflexões de um homem atormentado pelo passado e presente.

Faixa 9: Young Lust. Neste momento da peça, Pink busca a luxúria como forma de encontrar prazeres na vida. Talvez em busca de uma mulher que seja o oposto de sua mãe. Os conflitos amorosos começam a ser abordados aqui. Para fechar de vez o muro imaginário da mente do personagem e o muro real do concerto, os relacionamentos entre Pink, sua mãe, seus professores e suas mulheres são apresentados como peças chave de uma receita que o levará a loucura.



Faixa 10: One Of My Turns. Intitulado de "Uma das minhas crises", este capitulo fala de um casamento se deteriorando, das crises de violência do marido e, consequentemente, do fim do relacionamento.

Faixa 11: Don't Leave Me Now. Pink apela para que sua esposa não o deixe.

Faixa 12: Another Brick In The Wall (parte 3). "Eu não preciso de braços ao meu redor. E eu não preciso de nenhuma droga para me acalmar. Eu vi a escrita na parede. Não acho que eu preciso nada. Não! Não acho que vou precisar de nada. No final, tudo era apenas tijolos no muro. No final, vocês eram apenas tijolos no muro". Pink se revolta com sua sorte e decide pelo fim de sua relação com a sociedade.

Faixa 13: Goodbye Cruel World. O último tijolo do muro é colocado. Pink se isola de vez da realidade da vida, das dores e decepções. É a sua loucura instalada.


Continua...


Leia também a primeira parte: The Wall - A Ópera Rock do Pink Floyd. Parte 1 

Bibliografia:

Pink Floyd: Behind The Waal. DVD. Dirigido por Bob Smeaton. 2000

BLAKE, Mark. Nos Bastidores do Pink Floyd. Tradução: Alexandre Callari. São Paulo: Évora, 2012






terça-feira, 1 de setembro de 2020

The Wall - A Ópera Rock do Pink Floyd. Parte 1


"Papai voou através do oceano deixando apenas uma memória. Uma foto no álbum de família. Papai, o que você deixou para mim? PAPAI, O QUE VOCÊ DEIXOU PARA TRÁS PARA MIM? No final, era só um tijolo no muro. No final,  eram apenas tijolos no muro."

Assim começa um dos álbuns mais icônicos da história do rock. com o desabafo de um homem de 36 anos que não conheceu o pai. Um homem cujo sucesso começava a deixar marcas negativas em seus relacionamentos pessoais e profissionais, trazendo à tona todos os traumas de um garoto marcado pela guerra direta e indiretamente. Seu avô, um mineiro de 26 anos, morreu na 1ª Guerra Mundial, na França. Seu pai, Eric Fletcher Waters, um comunista que acabou se tornando Tenente do 8º Batalhão dos Fuzileiros Reais, desapareceu na praia de Anzio, Itália na 2ª Guerra Mundial. "Presumidamente morto" era o que estava escrito na carta enviada à sua esposa e seu filho recém nascido. George Roger Waters leva o nome do seu avô e um legado de homens que naõ conheceram suas famílias.

O Tenente Eric Fletcher Waters, sua esposa Mary e seus 2 filhos, John e o bebê Roger
O Tenente Eric Fletcher Waters, sua esposa Mary e seus 2 filhos, John e o bebê Roger

Túmulo de G. H. Waters, avô de Roger Waters

Hoje, Roger Waters é um senhor. Pai e avô. De cabelos brancos, rosto marcado pelo tempo e muitos milhões em sua conta bancária. Mas ainda carrega a carta consigo. Ainda chora a morte de um pai que não conheceu. e este é o prólogo de sua semi autobiografia musical. Uma obra que atinge 3 esferas da arte: música, teatro e cinema. Uma ópera rock com todos os elementos dramáticos de um Mozart ou Puccini.
Roger Waters

Um Muro à Beira do Abismo

O Pink Floyd já era uma banda calejada no final dos anos 70. Sofreu um grande revés logo no início da carreira quando um dos seus fundadores e maiores mentes sucumbiu à loucura e ao vício em LSD. Syd Barret foi "convidado a sair" do Floyd depois de faltar shows, tocar com instrumento desafinado, tocar uma única nota durante todo um concerto, entre outras peripécias. David Gilmour foi chamado para ocupar a vaga do "diamante louco".
Syd Barret


E o Floyd prosperou. Sua obra Dark Side Of The Moon é um dos álbuns mais aclamados da história do Rock.tocavam em estádios lotados, com os mais caros efeitos de luz, cor e som. A banda elevou a experiencia musical a um nível de transcendentalidade, inspirados pelos Ragas hindus e a música de Ravi Shankhar.
Dark Side Of The Moon

Da esquerda para a direita, Richard Wright, Roger Waters, Nick Mason e David Gilmour


Mas 10 discos depois a banda se encontrava em um beco sem saída. Gilmour e Waters discordavam em quase tudo. Richard Wright havia sido demitido da banda que ajudou a construir, e depois recontratado como músico de apoio. Waters era tido como um ditador na banda, da mesma forma que acusa seus colegas de impedirem que ele cantasse por achá-lo muito desafinado. 

Financeiramente, a banda também não ia bem. Problemas com a Receita Federal e com contratos empresariais e uma série de erros gerenciais arrastaram a banda para uma situação desesperadora. Eles precisavam fazer dinheiro. Muito dinheiro. E de preferência, fora da Inglaterra. Isso obrigaria a banda a arrumar as malas com suas famílias e deixarem o Reino Unido, passando por uma experiência nômade, nas palavras de Gilmour.

O temperamento de Waters começava a piorar. Explosões de fúria aconteciam em shows e no estúdio. Seu casamento fracassado contribuía para o problema. Desde cuspe na cara de um fã durante um show da turnê In The Flesh até um golpe de caratê errado contra um empresário, que resultou num ferimento no pé, eram as atitudes de Waters mais difíceis.

Porém, destes eventos surgiram a centelha do The Wall. No caminho para o hospital, Roger, alguns amigos e um psiquiatra conversavam e Waters teria dito que imaginava criando um muro entre ele e o público. EUREKA! Nascia o embrião da obra prima de Waters.


Bibliografia:

Pink Floyd: Behind The Waal. DVD. Dirigido por Bob Smeaton. 2000

BLAKE, Mark. Nos Bastidores do Pink Floyd. Tradução: Alexandre Callari. São Paulo: Évora, 2012






terça-feira, 14 de julho de 2020

O Bom E Velho Rock And Roll

Artigo publicado originalmente em 04 de outubro de 2014
no blog  http://acordesrecife.blogspot.com.br/
Texto de Amanda Pontual

Rock and roll é o gênero musical nascido entre o final da década de 1940 e primórdios dos anos 1950. Nascido nos subúrbios americanos, descendente do rhythm and blues e country music. O popular R&B, febre entre os anos 30 e 40, havia perdido espaço para as big bands, cujo mercado abrigava mais artistas brancos (MÁXIMO, 2003, p. 85). A reação viria com uma reinvenção do gênero, que o tornasse mais comercial para o grande público.



"O modo de consegui-lo foi separar do R&B o elemento blues - de cujos cultores se exigia certo jeito, certa bossa, certo atavismo fundamentalmente negro e, como tal, intransferível - e deixar para o jovem branco o elemento rhythm, mais assimilável, ao alcance de todos. Assim, sem deixar de existir, o R&B gerou duas vertentes, uma inspirada no blues dos negros, mais tarde denominada soul, e a outra apoiada no rhythm que os brancos eram capazes de entender, gostar, tocar e adotar: o rock'n roll." (MÁXIMO, 2003, p.86)

Embora o rock'n roll se  infiltre na juventude branca norte-americana, não foi sem resistência que o mesmo se impôs. Tido como demoníaco, o rock foi perseguido em primeiras instâncias. Mesmo com grandes expoentes brancos levantando a sua bandeira. Lembremos que o EUA tem um grande histórico de segregação racial, que gerou uma espécie de guerra civil entre 1940 e 1965, ano que se institui o direito de voto dos afro-americanos. E a música, historicamente, tem um forte papel social e político. Deixar a música negra se infiltrar nas casas dos brancos era um ato político e também de relevância social, que precisava ser combatido pelas classes conservadoras.

Uma importante característica da formação básica do rock é o seu instrumental. Diferentemente das Big bands, que necessitam de muitos instrumentistas e trazem o peso dos metais em sua formação quase totalmente acústica, o rock é plugado, utiliza-se de instrumentos elétricos e distorções. Não é necessário mais do que uma guitarra, um baixo e uma bateria. Muito embora o rock posteriormente ampliou e muito este universo sonoro.

Os primórdios da guitarra elétrica vem da década de 1920 e 1930. Porém as guitarras de madeira maciça mais semelhantes com as que encontramos hj, se popularizaram por volta da década de 1940 (http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-guitarra-eletrica). Nas primeiras formações, o trio de rock trazia a guitarra elétrica, o baixo acústico e a bateria. Porém o baixo acústico gerava um certo problema de locomoção, devido ao seu tamanho e fragilidade. Em 51, Leo Fender criou o baixo elétrico, ou Fender Bass. Criado para substituir o contrabaixo acústico, de difícil transporte. (http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baixo_el%C3%A9trico)

Em 1951, a lendária gravadora Sun Records já trazia um esboço do que seria conhecido mais tarde como rock'n roll. O lendário produtor e dono do selo, Sam Phillips, já havia feito registros de artistas de blues, tal como B.B. King. E foi da Sun Records a que hoje é conhecida como a primeira gravação de rock. "Rocket 88" de Jackie Brenston e  Delta cats (banda de Ike Turner, futuro marido de Tina Turner).

A mesma Sun Records seria a responsável por apresentar ao mercado aquele que seria mais tarde conhecido como o Rei do Rock'n Roll. Elvis Presley, um jovem caipira nascido em Tupelo, que se mudou para a cidade de Memphis com seus pais. Tendo crescido em meio a música dos negros, o R&B e o gospel, além da country Music, Elvis já dava seus passos na música desde os primórdios da sua adolescência. Mas a chance de gravar um compacto se deu no verão de 1953. A gravadora realizava gravações de acetatos pelo preço de US$ 8,25. Elvis resolveu gravar um compacto para presentear a sua mãe (JORGENSEN, 2010, p. 24).

Elvis Presley


A princípio, gravou apenas baladas como "My Hapiness". Esperou por um contato futuro da gravadora que não aconteceu. Voltou em janeiro de 1954 para gravar mais um compacto. Meses depois, em Julho de 1959, Sam Phillips decidiu investir naquele rapaz que até então cantava apenas baladas. Juntou-o com o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black e gravaram 4 musicas, dentre elas "That's All Right Mama", que definiria o som adotado pelo rockeiro topetudo Elvis (JORGENSEN, 2010, p. 27).

Elvis ditou moda, não apenas pela sua característica voz de barítono e seu estiloso topete coberto de brilhantina e suas grandes costeletas. Ditou moda e transgrediu pela forma que se mexia no palco, com suas pernas trêmulas e seu gingado de quadris. Foi apelidado de "Elvis, The Pelvis". Sua sensualidade no palco enlouquecia as garotas, que gritavam e desmaiavam com o seu rebolado. Por esse motivo, foi censurado nas tv's americanas, que apenas estavam autorizadas a filmarem o astro da cintura para cima.

Mais tarde, o contrato de Elvis passaria para as mãos da RCA Records. Porém a Sun ainda teria muito o que contribuir para o mundo do Rock, com a inclusão em seu selo de artistas como Jerry Lee Lewis, Carl Perkins (compositor de Blue Suede Shoes) e o "cantor das penitenciárias" Johnny Cash. Jerry Lee se destacava por sua personalidade explosiva e por se apresentar ao piano, enquanto boa parte dos vocalistas de rock preferia o uso das guitarras.
Jerry Lee Lewis


Grandes expoentes do mercado de rock dos anos 50, Chuck Berry, Chubby Checker e Little Richard são talvez alguns dos autênticos "inventores" do então novo estilo musical. Assim como Jerry Lee, Little Richard se destacava por se apresentar ao piano, além de manter uma aparência extravagante. O guitarrista Chuck Berry é hoje conhecido como "o pai do rock'n roll" (www.chuckberry.com). Por se tratarem de artistas negros, não obtinham muito espaço nas mídias televisivas, embora aos poucos a música quebrou esta barreira.

Chuck Berry

Little Richard

Antes mesmo de Chuck Berry e Little Richard, uma mulher negra, de posse de sua guitarra elétrica, já fazia sucesso nas rádios uma década antes. Era Rosetta Nubin, também conhecida como Sister Rosetta Tharpe. Grande influenciadora de artistas como B.B. King, Chuck Berry e até mesmo o coroado Rei do Rock Elvis Presley, que dizem não perdia um programa seu nas rádios.

Sister Rosetta Tharpe


Em 3 de fevereiro de 1959, um pequeno avião com jovens estrelas do rock sofreu um acidente, matando todos os integrantes. Dentro do avião estavam Buddy Holly, J. P. "The Big Booper" Richardson e Ritchie Vallens. Charles Hardin Holley, ou Buddy Holly, era um cantor, compositor e guitarrista que vinha alçando grandes voos no mercado musical. Tinha 22 quando seu avião caiu em um milharal. Ritchie Valens, conhecido pela balada Donna e pelo hit La Bamba, tinha 17 anos quando o trágico acidente ocorreu. O evento ficou conhecido como O Dia em que a Música Morreu, e foi imortalizado na canção de Don McClean "American Pie".
Buddy Holly

Ritchie Vallens



Nos anos 60, juntamente com o grande movimento dos direitos civis, surge em Detroit a gravadora Motown Records, cujo dono era Berry Gordy Jr. A gravadora foi responsável por lançar uma série de artistas negros de grande porte como Diana Ross e as Supremes, Stevie Wonder e Michael Jackson e os Jackson 5.
Jackson Five
Diana Ross and The Supremes

Stevie Wonder




Na década de 60 também ocorre a "primeira invasão britânica". Com a difusão do rock no mundo, a Inglaterra se tornou um dos grandes  produtores do gênero, em especial com o surgimento dos Beatles.

Os 4 rapazes de Liverpool são responsáveis pela difusão do estilo iê-iê-iê que deu origem no Brasil ao movimento da Jovem Guarda. Os Beatles permaneceram na ativa até 1970, e são responsáveis pelos álbuns mais icônicos de todos os tempo.

The Beatles

Obstinados, os Beatles possuíam um grande empresário que soube colocar os rapazes na linha de frente da música mundial. Seu nome era Brian Epstein. Também contaram com os arranjos do compositor e maestro George Martin, que tornou ainda mais icônica a produção musical do grupo.
Os Beatles tinham uma excessiva agenda de shows entre os anos de 1962/63 e se lançaram em turnê pelos EUA em 1964.

34 dias de turnê, com 24 shows e estava instaurada a Beatlemania nos EUA. Exaustos da rotina de shows, os Beatles decidiram entre 1965/66 dedicar-se mais aos estúdios do que às apresentações ao vivo. Alguns dos maiores legados de álbuns da história do rock foram produzidos nesta fase, como Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band e o White Álbum.

Era de se esperar que após anos de convivência intensa, a parceria musical ficasse desgastada. Com Let It Be de 1970, encerra-se a banda, porém o mito perdura até os dias atuais. Cada integrante seguiu carreira solo. (THOMAS, 2010, p. 7)

Nos EUA a banda concorrente dos Beatles eram os Beach Boys. Comandada pelo gênio Brian Wilson, tendo seus irmãos e primos como formadores da banda, se destacavam pela temática de praia e surf e os vocais elaborados e uso de falsete. O álbum Pet Sounds é o destaque desse grupo.
Beach Boys - Capa do Pet Sounds


Na segunda metade da década de 60, experiências com o ácido lisergico, a droga LSD, trazem o psicodélico para a música. Outras drogas como a canabis, a cocaína e a heroína se tornam cada vez mais presentes no universo do rock.

O uso de LSD foi amplamente difundido por artistas como os Beatles. Também foi responsável por agravar problemas mentais, como aconteceu no caso de Brian Wilson dos Beach Boys e Syd Barret do Pink Floyd, ambos portadores de esquizofrenia.

Influenciados pela luta contra a violência, contra as guerras e exaltando os problemas das "pessoas simples" surge na metade dos anos 60 o movimento Folk Rock. Dentre alguns dos artistas desse movimento, destacam-se Bob Dylan, Joni Mitchell, Joan Baez e Peter, Paul and Mary.
Joan Baez e Bob Dylan

Joni Mitchell



Entre 15 e 18 de agosto de 1969 acontece o festival de woodstock. Um festival pela música, paz e que difundiu o movimento hippie do amor livre. Sexo, drogas e rock and roll são as palavras de ordem.

Os anos foram se passando e o rock foi sofrendo modificações e experimentações. O rock progressivo se difundiu na década de 70, misturando elementos da música erudita com elementos do rock clássico. Os concertos se tornaram mega shows. Alguns com características de composições sinfônicas.

Nasce a ópera rock, narrativa musical em forma de álbum que gerou grandes concertos ao vivo e filmes de sucesso. Entre essas obras, destacamos Tommy do grupo The Who, lançado como álbum em 1969 e como obra cinematográfica em 1975, e The Wall, mega projeto do Pink Floyd lançado em 1979 com versão para o cinema de 1982.
Capa da ópera rock Tommy
Capa do filme The Wall



Entre os anos 1970 e 1980, surgem o Hard Rock e o Heavy Metal, algumas das vertentes mais agressivas do rock. O punk rock surge também em 80 com bandas como Sex Pistols e The Clash, e tinha como intuito fazer uma música simples na questão harmônica, porém barulhenta e política.
The Clash


Outros vários gêneros foram se formando ao longo dos anos, como o Grunge, o Indie, Nu Metal, Metal Melódico, Gothic Metal e tantos outros.

A verdade é que ninguém mais fica imune ao impacto causado pelo rock no mundo. O rock não morre, se renova. Tal qual a Hidra de Lerna da mitologia grega, ao tentar se cortar uma cabeça, nascem duas em seu lugar. E assim, passam anos e décadas. Mas o bom e velho Rock and Roll continua a existir e arrastar multidões mundo afora.

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

JORGENSEN, Ernest. Elvis Presley: a vida na música: as sessões de gravações completas; tradução Estúdio Candombá. São Paulo, Larrousse do Brasil, 2010.

MÁXIMO, João. A Música do Cinema: Os 100 primeiros anos Vol. 2. Rio de Janeiro, Rocco, 2003.

THOMAS, Garret. Beatles: a história ilustrada. Tradução Heitor Pitombo. São Paulo, Editora Escala, 2010.

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baixo_el%C3%A9trico

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-guitarra-eletrica

www.chuckberry.com

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Rock_and_roll

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Abbey Road 50 anos


Abbey Road é o 12º álbum de estúdio do Fab Four, The Beatles. Embora seja o penúltimo disco a ser lançado, é o último registro fonográfico do quarteto. Gravado Entre os meses de fevereiro à agosto de 1969, acabou sendo lançado primeiro do que o álbum Let It Be, cujos registros aconteceram em janeiro do mesmo ano, mas o álbum só seria finalizado em 1970.

Quando iniciaram as gravações, o componentes dos Beatles já haviam rompido em muitas áreas, e já realizavam trabalhos solo ou com outras bandas. O produtor Brian Epstein já havia falecido e os integrantes não entraram em consenso sobre que deveria assumir em seu lugar. Enquanto Paul McCartney queria que seu sogro Lee Eastman assumisse o posto, os demais integrantes queriam o empresário dos Stones, Allen Klein, e acabaram ganhando a disputa. Nesse clima desfavorável, a dupla dinâmica Lennon E McCartney já não se entrosava mais. Algumas músicas como A Day In The Live, Ainda no Sgt Peppers, mostrava duas canções completamente distintas que foram unidas em uma só. Uma trazia uma melodia calma e história trágica, escrita por John, e outra uma canção alegre e despretensiosa, escrita por Paul. Mas os Beatles eram tão geniais que até discordando, tudo que faziam dava certo. E foi assim com Abbey Road.

O mundo mudava em 1969. Kennedy já havia sido assassinado, a guerra do Vietnã estava crítica, o movimento hippie era uma realidade e o maior festival ao ar livre daquela época havia acontecido em Woodstock. John Lennon havia se casado com a artista plástica Yoko Ono e estava cada vez mais imerso no experimentalismo musical e artístico e nas questões políticas. Paul havia se casado com a fotógrafa Linda Eastman e bastante focado em questões contratuais e financeiras. George adotara o hinduísmo suas composições seguiram o modelo dos mantras e do microtonalismo hindu. Já Ringo, tentava assimilar todas as mudanças e ainda colaborar, mesmo que timidamente com a produção do grupo.

Era o "canto do cisne" dos Beatles tomando forma. E que forma. Complexa, dura e profética. Com o fechamento da faixa The End, uma frase sela o destino dos Beatles. "E no final, o amor que que você recebe é igual ao amor que você doa". É quase um consenso que duas das melhores canções são de autoria de George Harrisson. Here Comes The Sun e Something são obras primas. A segunda, regravada por ninguém menos do que Frank Sinatra, foi elogiada pelo próprio Blue Eyes como sendo uma das maiores canções de amor já escritas. E sem precisar dizer "eu te amo" na letra. Algumas canções inacabadas, acabaram "coladas" sendo um dos melhores meddleys da história do Rock, com Golden Slumbers, Carry That Weigh e The End. Vamos a lista de músicas.

1ª- Come Togheter

A música foi na realidade uma ideia aproveitada de um pedido de campanha do candidato ao governo da CaliforniaTimothy Leary, guru do LSD cujo slogan de campanha era "come togheter, join The party". A ideia do "venham" foi proveniente do I Ching e tinha haver com a celebração da vida. Quando Leary foi preso e deixou de concorrer, John pegou os versos e transformou em música, anexando-a ao álbum Abbey Road.

2ª- Something

A canção foi inspirado no estilo de Ray Charles, e foi pensado para que Joe Cocker cantasse, mas acabou sendo gravada pelos Beatles e se tornou o primeiro lado A de George. Se cogita que ele tenha escrito para Pattie, sua esposa na época, fato que ele contestou anos depois. A canção seria regravado por nomes como Frankenstein Sinatra, Elvis Presley e Ray Charles.

3ª- Maxwell's Silver Hammer

Disfarçada em um ritmo alegre, a canção fala de um médico que, com seu martelo de prata, mata sua namorada, uma professora e um juiz. Segundo John Lennon, a música seria uma metáfora sobre o carma. A ideia da música é que "no minuto que você fizer algo de errado, o martelo de prata de Maxwell vai bater na sua cabeça".

4ª- Oh! Darling

Uma canção simples, inspirado nas baladas dos anos 50. Um detalhe curioso é que Paul queria que sua voz estivesse áspera "como se estivesse cantando na palco há uma semana". Então ele cantou repetidas vezes durante uma semana até decidir por gravá-la.

5ª- Octopus's Garden

Canção de Ringo Star, aparentemente despretensiosa, mas recheada de significado. Durante suas férias em Sardenha, em 1968, Ringo foi almoçar e recusou uma oferta de polvo. O capitão da embarcação começou a falar o que sabia sobre polvos, que estes ficam no fundo mar "recolhendo pedras e objetos brilhantes para construir jardins. Ringo achou a história fabulosa e contou que na época, "tudo o que queria era ficar embaixo d'água também. Eu queria sumir por um tempo". 

6ª- I Want You (She's Só Heavy)

Escrita como uma canção de amor de John para Yoko, foi tida como banal por apenas repetir uma frase. Na verdade a inspiração veio de um poema de 1964 de Yoko que só utilizava a palavra Water. O segundo refrão, she's so heavy, é inspiração para o heavy metal que surgiria anos depois.

7ª- Here Comes The Sun

Segunda música de George no álbum, e uma de suas melhores composições. Tem haver com a libertação dos inúmeros compromissos com os Beatles. Uma das proféticas canções sobre o fim da banda. Na época em que os integrantes discutiam sobre quem deveria assumir o posto de empresário, após a morte prematura de Epstein, George se desligou por uns dias e foi para a casa de seu amigo Eric Clapton. Pegou um dos violões do amigo e, caminhando ao sol, sentiu uma súbita onda de otimismo que o inspirou a compor a canção.

8ª- Because

Um dia, Yoko estava tocando a Sonata para Piano nº 14 (Sonata ao Luar) de Beethoven e John pediu que ela tocasse a mesma sequência, invertida. Daí surgiu a inspiração para compor Because, que na verdade é uma cópia direta, e não invertida como John pediu. Uma aproximação do Rock com a música clássica.

9ª- You Never Give Me Your Money

Formada de fragmentos de música, também é parte integrante do medley que se segue em Golden Slumbers. É feita de 3 fragmentos distintos, unidos por Paul. O primeiro fragmento era uma alusão aos problemas financeiros do grupo. O segundo trecho tinha haver com lembranças do tempo da faculdade e o último com sua relação com Linda Eastman, sobre recomeço e deixar as preocupações para trás.

10ª- Sun King

A canção nasceu de um sonho que o John teve. Historicamente, o rei Sol foi Luís XIV da França, mas não se saba ao certo se foi com ele que Lennon sonhou. A música contaria sobre o rei sol entrando em seu palácio e vendo seus súditos rindo felizes. Segundo Harrison, a inspiração musical foi Albatross do Fleetwood Mac. A canção chega a ser engraçada no final, por trazer palavras aleatórias em italiano, espanhol e português. Originalmente, se chamaria Los Paranoias.

11ª- Mean Mr Mustard

Foi composta como parte de Sun King. Algumas pessoas achavam que tinha haver com cheirar cocaina, algo rebatido pelos Beatles. Uma das inspirações parece ter sido uma mulher que carregava seus pertences em sacos plásticos e dormia nos parques do Hyde Park.

12ª- Polythene Pam

A versão oficial de John era de que Polythene Pam era sobre uma Groupie promíscua. Mas na verdade era uma garota real. Pat Dawson conheceu os Beatles Ainda na época do Cavern Club. Ela tinha o hábito de comer polietileno, daí nasceu o apelido de Polythene Pam. 

13ª- She Came In Through The Bathroom Window

Canção de Lennon e McCartney inspirada pelas atividades de uma integrante da Apple Scruff que entrou pela janela do banheiro de Paul quando este não estava em casa.

14ª- Golden Slumbers

A primeira do medley de inacabadas. Paul estava na casa de seu pai e viu uma música ao piano. Era uma canção de ninar chamada Golden Slumbers, de Thomás Dekker, contemporâneo de Shakespeare. Ele não conseguia ler a partitura, portanto, criou sua própria melodia e adicionou novas palavras.

15ª- Carry That Weight

Inicialmente não era para ser parte do medley. Mas acabou se encaixando bem. A canção revelava os medos e angústias de Paul em relação ao futuro financeiro dos Beatles, o fardo de ser um superastro e o medo pelo iminente fim da banda. As discussões sobre as finanças do grupo são, segundo Paul, "o momento mais sombrio de sua vida".

16ª- The End

A profética faixa final do medley chega pondo fim ao FabFour com a frase "o amor que você recebe é igual ao amor que você doa". Termina a histórica banda que Ainda influência gerações inteiras de músicos.

17ª- Her Majesty

Não é uma grande canção e originalmente faria parte do medley. Tem apenas 23 segundos e encerra de forma no mínimo curiosa aquele que seria o último trabalho de estúdio a ser gravado pelos Beatles.

Referências:

TURNER, Steve. The Beatles: A História Por atras das Cancōes. Tradução: Alyne Azuma. São Paulo, Cosac Naify, 2009.

THOMAS, Gareth. Beatles: A História Ilustrada. Tradução: Heitor Pitombo. São Paulo: Ed. Escala, 2010.

DEROGATIS, Jim e KOT, Greg. The Beatles vs. Rolling Stones: a grande rivalidade do Rock n' Roll. Tradução: Cristina Yamagami. São Paulo: Globo, 2011.









quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Woodstock 50 anos: Um hino de paz, amor e música

Woodstock 50 anos: Um Hino de Paz, Amor e Música

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Em um dia 15 de agosto de 1969, a pacata cidade de Bethel amanheceu diferente. Quilômetros de carros enfileirados, uma multidão diferente, colorida, de cabelos longos, óculos redondos e postura mansa invadiram a cidade onde, em uma fazenda próxima, se realizaria um despretensioso festival de música e arte. Muitos moradores locais sequer tinham entrado em contato com um hippie antes. Obviamente, a multidão assustava. Seriam desordeiros? Traficantes? Ladrōes? Estamos seguros desta multidão?


Acontece que estava para se iniciar um marco histórico. Algo que nem mesmo o idealizador mais otimista esperava. A reunião de quase meio milhão de pessoas de todas as idades com o único intuito de celebrar a vida. Mesmo quando as condições do festival, que não fora pensado para tamanha multidão, ficarem insalubres, com falta de água, comida, condições de higiene, policiamento e assistência médica.


A ideia surgiu dos investidores John P. Roberts e Artie Kornfeld que colocaram um anúncio no New York Times e Wall Street Journal que dizia "jovens com capital ilimitado buscam oportunidades de investimento legítimas e interessantes propostas de negócios". Responderam ao anúncio Joel Rosenman e Michael Lang. A primeira ideia era de montar um estúdio de gravação, mas logo evoluiu para um festival de música e artes ao ar livre.

John Roberts, Joel Rosenman (acima), Artie Kornfeld e Michael Lang (abaixo)

O arriscado investimento previa um retorno financeiro. Ingressos foram colocados à venda em lojas de disco em Nova York e também via correio, e custavam 18 dólares antecipados e 24 dólares no dia do festival. Em média, 186.000 ingressos foram vendidos, e os investidores esperavam um público de no máximo  200.000 pessoas. Este número mais do que dobrou, o público excedente derrubou as cercas e invadiu a propriedade, tornando Woodstock em um evento gratuito. Este primeiro ato de vandalismo foi, no entanto, o único incidente da multidão. Outros casos isolados de overdose de drogas ocorreram, mas os 3 dias de festival foram pacíficos.



Mesmo com o caos gerado pela multidão, os investidores resolveram manter o festival acontecendo. Uma chuva torrencial atrasou muitas das apresentações e tornou o campo em um imenso lamaçal. Não haviam banheiros suficientes e nem locais para comer que suportassem todo o contingente humano que acampou durante os 3 dias ao relento. Ao final, montanhas de lixo foram deixadas, mas nada disso interferiu no sentimento de comunhão que nasceu em Woodstock e nem tampouco nas 32 atrações musicais que seguiram nos 3 dias.



Alguns shows icônicos, como do The Who, Janis Joplin, Joel Cocker e Jimi Hendrix são verdadeiras pérolas da música.

Janis Joplin

Crosby, Stills e Nash

Jimi Hendrix


O festival foi reprisado nos anos de 1979, 1989, 1994, 1999 e 2009. Porém sem o mesmo impacto cultural que o festival de 1969 teve. Woodstock é o retrato da cultura hippie, do movimento de paz e amor. É o registro que nos mostra que, mesmo passando por adversidades, podemos viver em comunidade.

Referências: