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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Abbey Road 50 anos


Abbey Road é o 12º álbum de estúdio do Fab Four, The Beatles. Embora seja o penúltimo disco a ser lançado, é o último registro fonográfico do quarteto. Gravado Entre os meses de fevereiro à agosto de 1969, acabou sendo lançado primeiro do que o álbum Let It Be, cujos registros aconteceram em janeiro do mesmo ano, mas o álbum só seria finalizado em 1970.

Quando iniciaram as gravações, o componentes dos Beatles já haviam rompido em muitas áreas, e já realizavam trabalhos solo ou com outras bandas. O produtor Brian Epstein já havia falecido e os integrantes não entraram em consenso sobre que deveria assumir em seu lugar. Enquanto Paul McCartney queria que seu sogro Lee Eastman assumisse o posto, os demais integrantes queriam o empresário dos Stones, Allen Klein, e acabaram ganhando a disputa. Nesse clima desfavorável, a dupla dinâmica Lennon E McCartney já não se entrosava mais. Algumas músicas como A Day In The Live, Ainda no Sgt Peppers, mostrava duas canções completamente distintas que foram unidas em uma só. Uma trazia uma melodia calma e história trágica, escrita por John, e outra uma canção alegre e despretensiosa, escrita por Paul. Mas os Beatles eram tão geniais que até discordando, tudo que faziam dava certo. E foi assim com Abbey Road.

O mundo mudava em 1969. Kennedy já havia sido assassinado, a guerra do Vietnã estava crítica, o movimento hippie era uma realidade e o maior festival ao ar livre daquela época havia acontecido em Woodstock. John Lennon havia se casado com a artista plástica Yoko Ono e estava cada vez mais imerso no experimentalismo musical e artístico e nas questões políticas. Paul havia se casado com a fotógrafa Linda Eastman e bastante focado em questões contratuais e financeiras. George adotara o hinduísmo suas composições seguiram o modelo dos mantras e do microtonalismo hindu. Já Ringo, tentava assimilar todas as mudanças e ainda colaborar, mesmo que timidamente com a produção do grupo.

Era o "canto do cisne" dos Beatles tomando forma. E que forma. Complexa, dura e profética. Com o fechamento da faixa The End, uma frase sela o destino dos Beatles. "E no final, o amor que que você recebe é igual ao amor que você doa". É quase um consenso que duas das melhores canções são de autoria de George Harrisson. Here Comes The Sun e Something são obras primas. A segunda, regravada por ninguém menos do que Frank Sinatra, foi elogiada pelo próprio Blue Eyes como sendo uma das maiores canções de amor já escritas. E sem precisar dizer "eu te amo" na letra. Algumas canções inacabadas, acabaram "coladas" sendo um dos melhores meddleys da história do Rock, com Golden Slumbers, Carry That Weigh e The End. Vamos a lista de músicas.

1ª- Come Togheter

A música foi na realidade uma ideia aproveitada de um pedido de campanha do candidato ao governo da CaliforniaTimothy Leary, guru do LSD cujo slogan de campanha era "come togheter, join The party". A ideia do "venham" foi proveniente do I Ching e tinha haver com a celebração da vida. Quando Leary foi preso e deixou de concorrer, John pegou os versos e transformou em música, anexando-a ao álbum Abbey Road.

2ª- Something

A canção foi inspirado no estilo de Ray Charles, e foi pensado para que Joe Cocker cantasse, mas acabou sendo gravada pelos Beatles e se tornou o primeiro lado A de George. Se cogita que ele tenha escrito para Pattie, sua esposa na época, fato que ele contestou anos depois. A canção seria regravado por nomes como Frankenstein Sinatra, Elvis Presley e Ray Charles.

3ª- Maxwell's Silver Hammer

Disfarçada em um ritmo alegre, a canção fala de um médico que, com seu martelo de prata, mata sua namorada, uma professora e um juiz. Segundo John Lennon, a música seria uma metáfora sobre o carma. A ideia da música é que "no minuto que você fizer algo de errado, o martelo de prata de Maxwell vai bater na sua cabeça".

4ª- Oh! Darling

Uma canção simples, inspirado nas baladas dos anos 50. Um detalhe curioso é que Paul queria que sua voz estivesse áspera "como se estivesse cantando na palco há uma semana". Então ele cantou repetidas vezes durante uma semana até decidir por gravá-la.

5ª- Octopus's Garden

Canção de Ringo Star, aparentemente despretensiosa, mas recheada de significado. Durante suas férias em Sardenha, em 1968, Ringo foi almoçar e recusou uma oferta de polvo. O capitão da embarcação começou a falar o que sabia sobre polvos, que estes ficam no fundo mar "recolhendo pedras e objetos brilhantes para construir jardins. Ringo achou a história fabulosa e contou que na época, "tudo o que queria era ficar embaixo d'água também. Eu queria sumir por um tempo". 

6ª- I Want You (She's Só Heavy)

Escrita como uma canção de amor de John para Yoko, foi tida como banal por apenas repetir uma frase. Na verdade a inspiração veio de um poema de 1964 de Yoko que só utilizava a palavra Water. O segundo refrão, she's so heavy, é inspiração para o heavy metal que surgiria anos depois.

7ª- Here Comes The Sun

Segunda música de George no álbum, e uma de suas melhores composições. Tem haver com a libertação dos inúmeros compromissos com os Beatles. Uma das proféticas canções sobre o fim da banda. Na época em que os integrantes discutiam sobre quem deveria assumir o posto de empresário, após a morte prematura de Epstein, George se desligou por uns dias e foi para a casa de seu amigo Eric Clapton. Pegou um dos violões do amigo e, caminhando ao sol, sentiu uma súbita onda de otimismo que o inspirou a compor a canção.

8ª- Because

Um dia, Yoko estava tocando a Sonata para Piano nº 14 (Sonata ao Luar) de Beethoven e John pediu que ela tocasse a mesma sequência, invertida. Daí surgiu a inspiração para compor Because, que na verdade é uma cópia direta, e não invertida como John pediu. Uma aproximação do Rock com a música clássica.

9ª- You Never Give Me Your Money

Formada de fragmentos de música, também é parte integrante do medley que se segue em Golden Slumbers. É feita de 3 fragmentos distintos, unidos por Paul. O primeiro fragmento era uma alusão aos problemas financeiros do grupo. O segundo trecho tinha haver com lembranças do tempo da faculdade e o último com sua relação com Linda Eastman, sobre recomeço e deixar as preocupações para trás.

10ª- Sun King

A canção nasceu de um sonho que o John teve. Historicamente, o rei Sol foi Luís XIV da França, mas não se saba ao certo se foi com ele que Lennon sonhou. A música contaria sobre o rei sol entrando em seu palácio e vendo seus súditos rindo felizes. Segundo Harrison, a inspiração musical foi Albatross do Fleetwood Mac. A canção chega a ser engraçada no final, por trazer palavras aleatórias em italiano, espanhol e português. Originalmente, se chamaria Los Paranoias.

11ª- Mean Mr Mustard

Foi composta como parte de Sun King. Algumas pessoas achavam que tinha haver com cheirar cocaina, algo rebatido pelos Beatles. Uma das inspirações parece ter sido uma mulher que carregava seus pertences em sacos plásticos e dormia nos parques do Hyde Park.

12ª- Polythene Pam

A versão oficial de John era de que Polythene Pam era sobre uma Groupie promíscua. Mas na verdade era uma garota real. Pat Dawson conheceu os Beatles Ainda na época do Cavern Club. Ela tinha o hábito de comer polietileno, daí nasceu o apelido de Polythene Pam. 

13ª- She Came In Through The Bathroom Window

Canção de Lennon e McCartney inspirada pelas atividades de uma integrante da Apple Scruff que entrou pela janela do banheiro de Paul quando este não estava em casa.

14ª- Golden Slumbers

A primeira do medley de inacabadas. Paul estava na casa de seu pai e viu uma música ao piano. Era uma canção de ninar chamada Golden Slumbers, de Thomás Dekker, contemporâneo de Shakespeare. Ele não conseguia ler a partitura, portanto, criou sua própria melodia e adicionou novas palavras.

15ª- Carry That Weight

Inicialmente não era para ser parte do medley. Mas acabou se encaixando bem. A canção revelava os medos e angústias de Paul em relação ao futuro financeiro dos Beatles, o fardo de ser um superastro e o medo pelo iminente fim da banda. As discussões sobre as finanças do grupo são, segundo Paul, "o momento mais sombrio de sua vida".

16ª- The End

A profética faixa final do medley chega pondo fim ao FabFour com a frase "o amor que você recebe é igual ao amor que você doa". Termina a histórica banda que Ainda influência gerações inteiras de músicos.

17ª- Her Majesty

Não é uma grande canção e originalmente faria parte do medley. Tem apenas 23 segundos e encerra de forma no mínimo curiosa aquele que seria o último trabalho de estúdio a ser gravado pelos Beatles.

Referências:

TURNER, Steve. The Beatles: A História Por atras das Cancōes. Tradução: Alyne Azuma. São Paulo, Cosac Naify, 2009.

THOMAS, Gareth. Beatles: A História Ilustrada. Tradução: Heitor Pitombo. São Paulo: Ed. Escala, 2010.

DEROGATIS, Jim e KOT, Greg. The Beatles vs. Rolling Stones: a grande rivalidade do Rock n' Roll. Tradução: Cristina Yamagami. São Paulo: Globo, 2011.









quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Woodstock 50 anos: Um hino de paz, amor e música

Woodstock 50 anos: Um Hino de Paz, Amor e Música

Casa da Musika, Woodstock, 50 anos, História da música, Rock, 1969, Movimento Hippie, Festival de Música



Em um dia 15 de agosto de 1969, a pacata cidade de Bethel amanheceu diferente. Quilômetros de carros enfileirados, uma multidão diferente, colorida, de cabelos longos, óculos redondos e postura mansa invadiram a cidade onde, em uma fazenda próxima, se realizaria um despretensioso festival de música e arte. Muitos moradores locais sequer tinham entrado em contato com um hippie antes. Obviamente, a multidão assustava. Seriam desordeiros? Traficantes? Ladrōes? Estamos seguros desta multidão?


Acontece que estava para se iniciar um marco histórico. Algo que nem mesmo o idealizador mais otimista esperava. A reunião de quase meio milhão de pessoas de todas as idades com o único intuito de celebrar a vida. Mesmo quando as condições do festival, que não fora pensado para tamanha multidão, ficarem insalubres, com falta de água, comida, condições de higiene, policiamento e assistência médica.


A ideia surgiu dos investidores John P. Roberts e Artie Kornfeld que colocaram um anúncio no New York Times e Wall Street Journal que dizia "jovens com capital ilimitado buscam oportunidades de investimento legítimas e interessantes propostas de negócios". Responderam ao anúncio Joel Rosenman e Michael Lang. A primeira ideia era de montar um estúdio de gravação, mas logo evoluiu para um festival de música e artes ao ar livre.

John Roberts, Joel Rosenman (acima), Artie Kornfeld e Michael Lang (abaixo)

O arriscado investimento previa um retorno financeiro. Ingressos foram colocados à venda em lojas de disco em Nova York e também via correio, e custavam 18 dólares antecipados e 24 dólares no dia do festival. Em média, 186.000 ingressos foram vendidos, e os investidores esperavam um público de no máximo  200.000 pessoas. Este número mais do que dobrou, o público excedente derrubou as cercas e invadiu a propriedade, tornando Woodstock em um evento gratuito. Este primeiro ato de vandalismo foi, no entanto, o único incidente da multidão. Outros casos isolados de overdose de drogas ocorreram, mas os 3 dias de festival foram pacíficos.



Mesmo com o caos gerado pela multidão, os investidores resolveram manter o festival acontecendo. Uma chuva torrencial atrasou muitas das apresentações e tornou o campo em um imenso lamaçal. Não haviam banheiros suficientes e nem locais para comer que suportassem todo o contingente humano que acampou durante os 3 dias ao relento. Ao final, montanhas de lixo foram deixadas, mas nada disso interferiu no sentimento de comunhão que nasceu em Woodstock e nem tampouco nas 32 atrações musicais que seguiram nos 3 dias.



Alguns shows icônicos, como do The Who, Janis Joplin, Joel Cocker e Jimi Hendrix são verdadeiras pérolas da música.

Janis Joplin

Crosby, Stills e Nash

Jimi Hendrix


O festival foi reprisado nos anos de 1979, 1989, 1994, 1999 e 2009. Porém sem o mesmo impacto cultural que o festival de 1969 teve. Woodstock é o retrato da cultura hippie, do movimento de paz e amor. É o registro que nos mostra que, mesmo passando por adversidades, podemos viver em comunidade.

Referências:

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band: 50 anos depois


Sons de público. Uma banda começa a tocar. É a banda do sargento Pimenta, liderada por Billy Shears. Surge então um dos maiores álbuns do Fab Four, envolto em um mistério e com uma teoria da conspiração que se tornou uma das maiores (senão a maior) da história do Rock. Paul McCartney estava morto e foi substituído por um sósia, chamado Billy Shears.



Polêmicas e teorias malucas à parte, Sgt. Pepper's é um prelúdio da era hippie, que iria entrar em seu auge 2 anos depois, no Festival de Woodstock em 1969. Já na capa, o álbum traz uma série de referências da cultura Pop, com colagens de fotos de celebridades como Karl Marx, Marilyn Monroe, Fred Astaire, Marlon Brando, Oscar Wilde, entre outros. Rico em seu colorido e trazendo à frente a banda em duas representações: a clássica banda Beatles, com seus cabelos "a lá" Romeu e terninhos, e a Banda do Sgt. Pimenta ao centro.

Celebridades na capa do Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band


Lançado em 1º de Junho de 1967, é o 8º álbum de estúdio dos Beatles, já em uma época em que o grupo abdicou das apresentações ao vivo para se dedicar aos álbuns, que se tornaram obras de arte. O "sumiço" dos palcos, aliado a um acidente sofrido por Paul foram os motes para a criação do mito "Paul is Dead". Na verdade, Billy Shears foi um pseudônimo usado por Ringo Starr, que logo após ser anunciado na música de abertura, entoa a música With A Little Help From My Friends. A canção, que teria uma famosa versão na voz do saudoso Joe Cocker no Festival de Woodstock, traz uma brincadeira sobre Ringo ser "desafinado", mas que conseguia cantar com a ajuda de seus amigos. A música originalmente se chamaria Bad Finger Boogie, e foi escrita por Paul após este e John Lennon conversarem sobre a necessidade de se ter uma canção para Ringo.

Joe Cocker canta With A Little Help From My Friends em Woodstock


O álbum como todo demorou 105 horas para ser gravado, um marco para a época, além de 5 meses para ser terminado. Lançado no que foi chamado de "Verão do Amor", em que a cultura Hippie começava a se espalhar pelo mundo, o álbum é cheio de referências ao movimento, bem como a temas cotidianos de sociabilidade, autoaperfeiçoamento e questões urbanas, como relata Turner (2009).

"O espírito de 1967 tomou o álbum de modo significativo. Foi fruto da crença de que os limites para a imaginação eram impostos culturalmente e, assim sendo, deveriam ser desafiados. Tentava-se de tudo o que parecesse tecnicamente possível: do frenesi orquestral de "A Day In The Life" até a inclusão de notas de frequência tão altas que só um cachorro poderia perceber." Turner, 2009


Erroneamente Sgt. Pepper's é tido com álbum conceitual. Na verdade, não há elementos que o caracterizem desta forma, sendo as únicas canções que ligadas a faixa título e "With A Little Help...". Porém o álbum traz inovações, como um encarte com letras e a própria arte de capa.

A capa foi de autoria de Peter Blake, juntamente com o diretor de arte Robert Fraser. Custou na época 2800 libras e consistia em um cenário de flores e manequins de Madame Tusseuds, com recortes em tamanho natural dos ídolos dos 4 Beatles. Na teoria "Paul Is Dead", acredita-se que a capa apresenta um funeral (de Paul), no qual pode-se ver em um dos arranjos de flores o baixo Hoffner com 3 cordas e onde se lê Beatles deveria se ler "Be At Leso". Leso é uma ilha grega na qual Paul estaria enterrado.

Representação do Baixo de Paul

O que os fãs da teoria de que Paul está morto chamam de "Be At Leso"


Polêmicas e conspirações à parte, Sgt.Pepper's Lonely Hearts Club Band é um dos álbuns mais importantes da história do Rock e merece nossa reverência nestes 50 anos de seu lançamento. Vale muito a pena entrar no mundo envolto em psicodelia e elementos extraídos da música hindu, que George Harrisson tão bem representa na música "Within You Without You".

A viagem é um prelúdio aos seguintes "Magical Mystery Tour e Yellow Submarine. E rendeu homenagens como o longa metragem Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band, produzido por Robert Stigwood e estrelado por Peter Frampton e os irmãos Bee Gees em 1978.

Bee Gees e Peter Frampton no filme inspirado no álbum dos Beatles
Parceiro: Casa da Musika

Referências:

THOMAS, Gareth. Beatles: a história ilustrada. Ed. Escala, São Paulo, 2010.

TURNER, Steve. The Beatles: a história por trás de todas as canções. Tradução: Alyne Azuma. Cosac Naify. São Paulo, 2009. 4ª reimpressão 2014.

http://www.guitarworld.com/sites/default/files/public/sgt-pepper_1.jpg

http://g1.globo.com/musica/noticia/sgt-peppers-album-dos-beatles-que-marcou-a-historia-da-musica-completa-50-anos.ghtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sgt._Pepper%27s_Lonely_Hearts_Club_Band

http://baudoedubillyshears-edu.blogspot.com.br/2008/11/eu-fui-o-primeiro-e-nico-billy-shears.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Sgt._Pepper%27s_Lonely_Hearts_Club_Band_(film)

https://ogimg.infoglobo.com.br/in/18376160-8dd-728/FT1086A/2011-387880904-2011050272914.jpg_20110502.jpg

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