terça-feira, 14 de julho de 2020

O Bom E Velho Rock And Roll

Artigo publicado originalmente em 04 de outubro de 2014
no blog  http://acordesrecife.blogspot.com.br/
Texto de Amanda Pontual

Rock and roll é o gênero musical nascido entre o final da década de 1940 e primórdios dos anos 1950. Nascido nos subúrbios americanos, descendente do rhythm and blues e country music. O popular R&B, febre entre os anos 30 e 40, havia perdido espaço para as big bands, cujo mercado abrigava mais artistas brancos (MÁXIMO, 2003, p. 85). A reação viria com uma reinvenção do gênero, que o tornasse mais comercial para o grande público.



"O modo de consegui-lo foi separar do R&B o elemento blues - de cujos cultores se exigia certo jeito, certa bossa, certo atavismo fundamentalmente negro e, como tal, intransferível - e deixar para o jovem branco o elemento rhythm, mais assimilável, ao alcance de todos. Assim, sem deixar de existir, o R&B gerou duas vertentes, uma inspirada no blues dos negros, mais tarde denominada soul, e a outra apoiada no rhythm que os brancos eram capazes de entender, gostar, tocar e adotar: o rock'n roll." (MÁXIMO, 2003, p.86)

Embora o rock'n roll se  infiltre na juventude branca norte-americana, não foi sem resistência que o mesmo se impôs. Tido como demoníaco, o rock foi perseguido em primeiras instâncias. Mesmo com grandes expoentes brancos levantando a sua bandeira. Lembremos que o EUA tem um grande histórico de segregação racial, que gerou uma espécie de guerra civil entre 1940 e 1965, ano que se institui o direito de voto dos afro-americanos. E a música, historicamente, tem um forte papel social e político. Deixar a música negra se infiltrar nas casas dos brancos era um ato político e também de relevância social, que precisava ser combatido pelas classes conservadoras.

Uma importante característica da formação básica do rock é o seu instrumental. Diferentemente das Big bands, que necessitam de muitos instrumentistas e trazem o peso dos metais em sua formação quase totalmente acústica, o rock é plugado, utiliza-se de instrumentos elétricos e distorções. Não é necessário mais do que uma guitarra, um baixo e uma bateria. Muito embora o rock posteriormente ampliou e muito este universo sonoro.

Os primórdios da guitarra elétrica vem da década de 1920 e 1930. Porém as guitarras de madeira maciça mais semelhantes com as que encontramos hj, se popularizaram por volta da década de 1940 (http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-guitarra-eletrica). Nas primeiras formações, o trio de rock trazia a guitarra elétrica, o baixo acústico e a bateria. Porém o baixo acústico gerava um certo problema de locomoção, devido ao seu tamanho e fragilidade. Em 51, Leo Fender criou o baixo elétrico, ou Fender Bass. Criado para substituir o contrabaixo acústico, de difícil transporte. (http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baixo_el%C3%A9trico)

Em 1951, a lendária gravadora Sun Records já trazia um esboço do que seria conhecido mais tarde como rock'n roll. O lendário produtor e dono do selo, Sam Phillips, já havia feito registros de artistas de blues, tal como B.B. King. E foi da Sun Records a que hoje é conhecida como a primeira gravação de rock. "Rocket 88" de Jackie Brenston e  Delta cats (banda de Ike Turner, futuro marido de Tina Turner).

A mesma Sun Records seria a responsável por apresentar ao mercado aquele que seria mais tarde conhecido como o Rei do Rock'n Roll. Elvis Presley, um jovem caipira nascido em Tupelo, que se mudou para a cidade de Memphis com seus pais. Tendo crescido em meio a música dos negros, o R&B e o gospel, além da country Music, Elvis já dava seus passos na música desde os primórdios da sua adolescência. Mas a chance de gravar um compacto se deu no verão de 1953. A gravadora realizava gravações de acetatos pelo preço de US$ 8,25. Elvis resolveu gravar um compacto para presentear a sua mãe (JORGENSEN, 2010, p. 24).

Elvis Presley


A princípio, gravou apenas baladas como "My Hapiness". Esperou por um contato futuro da gravadora que não aconteceu. Voltou em janeiro de 1954 para gravar mais um compacto. Meses depois, em Julho de 1959, Sam Phillips decidiu investir naquele rapaz que até então cantava apenas baladas. Juntou-o com o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black e gravaram 4 musicas, dentre elas "That's All Right Mama", que definiria o som adotado pelo rockeiro topetudo Elvis (JORGENSEN, 2010, p. 27).

Elvis ditou moda, não apenas pela sua característica voz de barítono e seu estiloso topete coberto de brilhantina e suas grandes costeletas. Ditou moda e transgrediu pela forma que se mexia no palco, com suas pernas trêmulas e seu gingado de quadris. Foi apelidado de "Elvis, The Pelvis". Sua sensualidade no palco enlouquecia as garotas, que gritavam e desmaiavam com o seu rebolado. Por esse motivo, foi censurado nas tv's americanas, que apenas estavam autorizadas a filmarem o astro da cintura para cima.

Mais tarde, o contrato de Elvis passaria para as mãos da RCA Records. Porém a Sun ainda teria muito o que contribuir para o mundo do Rock, com a inclusão em seu selo de artistas como Jerry Lee Lewis, Carl Perkins (compositor de Blue Suede Shoes) e o "cantor das penitenciárias" Johnny Cash. Jerry Lee se destacava por sua personalidade explosiva e por se apresentar ao piano, enquanto boa parte dos vocalistas de rock preferia o uso das guitarras.
Jerry Lee Lewis


Grandes expoentes do mercado de rock dos anos 50, Chuck Berry, Chubby Checker e Little Richard são talvez alguns dos autênticos "inventores" do então novo estilo musical. Assim como Jerry Lee, Little Richard se destacava por se apresentar ao piano, além de manter uma aparência extravagante. O guitarrista Chuck Berry é hoje conhecido como "o pai do rock'n roll" (www.chuckberry.com). Por se tratarem de artistas negros, não obtinham muito espaço nas mídias televisivas, embora aos poucos a música quebrou esta barreira.

Chuck Berry

Little Richard

Antes mesmo de Chuck Berry e Little Richard, uma mulher negra, de posse de sua guitarra elétrica, já fazia sucesso nas rádios uma década antes. Era Rosetta Nubin, também conhecida como Sister Rosetta Tharpe. Grande influenciadora de artistas como B.B. King, Chuck Berry e até mesmo o coroado Rei do Rock Elvis Presley, que dizem não perdia um programa seu nas rádios.

Sister Rosetta Tharpe


Em 3 de fevereiro de 1959, um pequeno avião com jovens estrelas do rock sofreu um acidente, matando todos os integrantes. Dentro do avião estavam Buddy Holly, J. P. "The Big Booper" Richardson e Ritchie Vallens. Charles Hardin Holley, ou Buddy Holly, era um cantor, compositor e guitarrista que vinha alçando grandes voos no mercado musical. Tinha 22 quando seu avião caiu em um milharal. Ritchie Valens, conhecido pela balada Donna e pelo hit La Bamba, tinha 17 anos quando o trágico acidente ocorreu. O evento ficou conhecido como O Dia em que a Música Morreu, e foi imortalizado na canção de Don McClean "American Pie".
Buddy Holly

Ritchie Vallens



Nos anos 60, juntamente com o grande movimento dos direitos civis, surge em Detroit a gravadora Motown Records, cujo dono era Berry Gordy Jr. A gravadora foi responsável por lançar uma série de artistas negros de grande porte como Diana Ross e as Supremes, Stevie Wonder e Michael Jackson e os Jackson 5.
Jackson Five
Diana Ross and The Supremes

Stevie Wonder




Na década de 60 também ocorre a "primeira invasão britânica". Com a difusão do rock no mundo, a Inglaterra se tornou um dos grandes  produtores do gênero, em especial com o surgimento dos Beatles.

Os 4 rapazes de Liverpool são responsáveis pela difusão do estilo iê-iê-iê que deu origem no Brasil ao movimento da Jovem Guarda. Os Beatles permaneceram na ativa até 1970, e são responsáveis pelos álbuns mais icônicos de todos os tempo.

The Beatles

Obstinados, os Beatles possuíam um grande empresário que soube colocar os rapazes na linha de frente da música mundial. Seu nome era Brian Epstein. Também contaram com os arranjos do compositor e maestro George Martin, que tornou ainda mais icônica a produção musical do grupo.
Os Beatles tinham uma excessiva agenda de shows entre os anos de 1962/63 e se lançaram em turnê pelos EUA em 1964.

34 dias de turnê, com 24 shows e estava instaurada a Beatlemania nos EUA. Exaustos da rotina de shows, os Beatles decidiram entre 1965/66 dedicar-se mais aos estúdios do que às apresentações ao vivo. Alguns dos maiores legados de álbuns da história do rock foram produzidos nesta fase, como Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band e o White Álbum.

Era de se esperar que após anos de convivência intensa, a parceria musical ficasse desgastada. Com Let It Be de 1970, encerra-se a banda, porém o mito perdura até os dias atuais. Cada integrante seguiu carreira solo. (THOMAS, 2010, p. 7)

Nos EUA a banda concorrente dos Beatles eram os Beach Boys. Comandada pelo gênio Brian Wilson, tendo seus irmãos e primos como formadores da banda, se destacavam pela temática de praia e surf e os vocais elaborados e uso de falsete. O álbum Pet Sounds é o destaque desse grupo.
Beach Boys - Capa do Pet Sounds


Na segunda metade da década de 60, experiências com o ácido lisergico, a droga LSD, trazem o psicodélico para a música. Outras drogas como a canabis, a cocaína e a heroína se tornam cada vez mais presentes no universo do rock.

O uso de LSD foi amplamente difundido por artistas como os Beatles. Também foi responsável por agravar problemas mentais, como aconteceu no caso de Brian Wilson dos Beach Boys e Syd Barret do Pink Floyd, ambos portadores de esquizofrenia.

Influenciados pela luta contra a violência, contra as guerras e exaltando os problemas das "pessoas simples" surge na metade dos anos 60 o movimento Folk Rock. Dentre alguns dos artistas desse movimento, destacam-se Bob Dylan, Joni Mitchell, Joan Baez e Peter, Paul and Mary.
Joan Baez e Bob Dylan

Joni Mitchell



Entre 15 e 18 de agosto de 1969 acontece o festival de woodstock. Um festival pela música, paz e que difundiu o movimento hippie do amor livre. Sexo, drogas e rock and roll são as palavras de ordem.

Os anos foram se passando e o rock foi sofrendo modificações e experimentações. O rock progressivo se difundiu na década de 70, misturando elementos da música erudita com elementos do rock clássico. Os concertos se tornaram mega shows. Alguns com características de composições sinfônicas.

Nasce a ópera rock, narrativa musical em forma de álbum que gerou grandes concertos ao vivo e filmes de sucesso. Entre essas obras, destacamos Tommy do grupo The Who, lançado como álbum em 1969 e como obra cinematográfica em 1975, e The Wall, mega projeto do Pink Floyd lançado em 1979 com versão para o cinema de 1982.
Capa da ópera rock Tommy
Capa do filme The Wall



Entre os anos 1970 e 1980, surgem o Hard Rock e o Heavy Metal, algumas das vertentes mais agressivas do rock. O punk rock surge também em 80 com bandas como Sex Pistols e The Clash, e tinha como intuito fazer uma música simples na questão harmônica, porém barulhenta e política.
The Clash


Outros vários gêneros foram se formando ao longo dos anos, como o Grunge, o Indie, Nu Metal, Metal Melódico, Gothic Metal e tantos outros.

A verdade é que ninguém mais fica imune ao impacto causado pelo rock no mundo. O rock não morre, se renova. Tal qual a Hidra de Lerna da mitologia grega, ao tentar se cortar uma cabeça, nascem duas em seu lugar. E assim, passam anos e décadas. Mas o bom e velho Rock and Roll continua a existir e arrastar multidões mundo afora.

Parceiro: Casa da Musika

Referências:

JORGENSEN, Ernest. Elvis Presley: a vida na música: as sessões de gravações completas; tradução Estúdio Candombá. São Paulo, Larrousse do Brasil, 2010.

MÁXIMO, João. A Música do Cinema: Os 100 primeiros anos Vol. 2. Rio de Janeiro, Rocco, 2003.

THOMAS, Garret. Beatles: a história ilustrada. Tradução Heitor Pitombo. São Paulo, Editora Escala, 2010.

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Baixo_el%C3%A9trico

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-inventou-a-guitarra-eletrica

www.chuckberry.com

http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Rock_and_roll

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Abbey Road 50 anos


Abbey Road é o 12º álbum de estúdio do Fab Four, The Beatles. Embora seja o penúltimo disco a ser lançado, é o último registro fonográfico do quarteto. Gravado Entre os meses de fevereiro à agosto de 1969, acabou sendo lançado primeiro do que o álbum Let It Be, cujos registros aconteceram em janeiro do mesmo ano, mas o álbum só seria finalizado em 1970.

Quando iniciaram as gravações, o componentes dos Beatles já haviam rompido em muitas áreas, e já realizavam trabalhos solo ou com outras bandas. O produtor Brian Epstein já havia falecido e os integrantes não entraram em consenso sobre que deveria assumir em seu lugar. Enquanto Paul McCartney queria que seu sogro Lee Eastman assumisse o posto, os demais integrantes queriam o empresário dos Stones, Allen Klein, e acabaram ganhando a disputa. Nesse clima desfavorável, a dupla dinâmica Lennon E McCartney já não se entrosava mais. Algumas músicas como A Day In The Live, Ainda no Sgt Peppers, mostrava duas canções completamente distintas que foram unidas em uma só. Uma trazia uma melodia calma e história trágica, escrita por John, e outra uma canção alegre e despretensiosa, escrita por Paul. Mas os Beatles eram tão geniais que até discordando, tudo que faziam dava certo. E foi assim com Abbey Road.

O mundo mudava em 1969. Kennedy já havia sido assassinado, a guerra do Vietnã estava crítica, o movimento hippie era uma realidade e o maior festival ao ar livre daquela época havia acontecido em Woodstock. John Lennon havia se casado com a artista plástica Yoko Ono e estava cada vez mais imerso no experimentalismo musical e artístico e nas questões políticas. Paul havia se casado com a fotógrafa Linda Eastman e bastante focado em questões contratuais e financeiras. George adotara o hinduísmo suas composições seguiram o modelo dos mantras e do microtonalismo hindu. Já Ringo, tentava assimilar todas as mudanças e ainda colaborar, mesmo que timidamente com a produção do grupo.

Era o "canto do cisne" dos Beatles tomando forma. E que forma. Complexa, dura e profética. Com o fechamento da faixa The End, uma frase sela o destino dos Beatles. "E no final, o amor que que você recebe é igual ao amor que você doa". É quase um consenso que duas das melhores canções são de autoria de George Harrisson. Here Comes The Sun e Something são obras primas. A segunda, regravada por ninguém menos do que Frank Sinatra, foi elogiada pelo próprio Blue Eyes como sendo uma das maiores canções de amor já escritas. E sem precisar dizer "eu te amo" na letra. Algumas canções inacabadas, acabaram "coladas" sendo um dos melhores meddleys da história do Rock, com Golden Slumbers, Carry That Weigh e The End. Vamos a lista de músicas.

1ª- Come Togheter

A música foi na realidade uma ideia aproveitada de um pedido de campanha do candidato ao governo da CaliforniaTimothy Leary, guru do LSD cujo slogan de campanha era "come togheter, join The party". A ideia do "venham" foi proveniente do I Ching e tinha haver com a celebração da vida. Quando Leary foi preso e deixou de concorrer, John pegou os versos e transformou em música, anexando-a ao álbum Abbey Road.

2ª- Something

A canção foi inspirado no estilo de Ray Charles, e foi pensado para que Joe Cocker cantasse, mas acabou sendo gravada pelos Beatles e se tornou o primeiro lado A de George. Se cogita que ele tenha escrito para Pattie, sua esposa na época, fato que ele contestou anos depois. A canção seria regravado por nomes como Frankenstein Sinatra, Elvis Presley e Ray Charles.

3ª- Maxwell's Silver Hammer

Disfarçada em um ritmo alegre, a canção fala de um médico que, com seu martelo de prata, mata sua namorada, uma professora e um juiz. Segundo John Lennon, a música seria uma metáfora sobre o carma. A ideia da música é que "no minuto que você fizer algo de errado, o martelo de prata de Maxwell vai bater na sua cabeça".

4ª- Oh! Darling

Uma canção simples, inspirado nas baladas dos anos 50. Um detalhe curioso é que Paul queria que sua voz estivesse áspera "como se estivesse cantando na palco há uma semana". Então ele cantou repetidas vezes durante uma semana até decidir por gravá-la.

5ª- Octopus's Garden

Canção de Ringo Star, aparentemente despretensiosa, mas recheada de significado. Durante suas férias em Sardenha, em 1968, Ringo foi almoçar e recusou uma oferta de polvo. O capitão da embarcação começou a falar o que sabia sobre polvos, que estes ficam no fundo mar "recolhendo pedras e objetos brilhantes para construir jardins. Ringo achou a história fabulosa e contou que na época, "tudo o que queria era ficar embaixo d'água também. Eu queria sumir por um tempo". 

6ª- I Want You (She's Só Heavy)

Escrita como uma canção de amor de John para Yoko, foi tida como banal por apenas repetir uma frase. Na verdade a inspiração veio de um poema de 1964 de Yoko que só utilizava a palavra Water. O segundo refrão, she's so heavy, é inspiração para o heavy metal que surgiria anos depois.

7ª- Here Comes The Sun

Segunda música de George no álbum, e uma de suas melhores composições. Tem haver com a libertação dos inúmeros compromissos com os Beatles. Uma das proféticas canções sobre o fim da banda. Na época em que os integrantes discutiam sobre quem deveria assumir o posto de empresário, após a morte prematura de Epstein, George se desligou por uns dias e foi para a casa de seu amigo Eric Clapton. Pegou um dos violões do amigo e, caminhando ao sol, sentiu uma súbita onda de otimismo que o inspirou a compor a canção.

8ª- Because

Um dia, Yoko estava tocando a Sonata para Piano nº 14 (Sonata ao Luar) de Beethoven e John pediu que ela tocasse a mesma sequência, invertida. Daí surgiu a inspiração para compor Because, que na verdade é uma cópia direta, e não invertida como John pediu. Uma aproximação do Rock com a música clássica.

9ª- You Never Give Me Your Money

Formada de fragmentos de música, também é parte integrante do medley que se segue em Golden Slumbers. É feita de 3 fragmentos distintos, unidos por Paul. O primeiro fragmento era uma alusão aos problemas financeiros do grupo. O segundo trecho tinha haver com lembranças do tempo da faculdade e o último com sua relação com Linda Eastman, sobre recomeço e deixar as preocupações para trás.

10ª- Sun King

A canção nasceu de um sonho que o John teve. Historicamente, o rei Sol foi Luís XIV da França, mas não se saba ao certo se foi com ele que Lennon sonhou. A música contaria sobre o rei sol entrando em seu palácio e vendo seus súditos rindo felizes. Segundo Harrison, a inspiração musical foi Albatross do Fleetwood Mac. A canção chega a ser engraçada no final, por trazer palavras aleatórias em italiano, espanhol e português. Originalmente, se chamaria Los Paranoias.

11ª- Mean Mr Mustard

Foi composta como parte de Sun King. Algumas pessoas achavam que tinha haver com cheirar cocaina, algo rebatido pelos Beatles. Uma das inspirações parece ter sido uma mulher que carregava seus pertences em sacos plásticos e dormia nos parques do Hyde Park.

12ª- Polythene Pam

A versão oficial de John era de que Polythene Pam era sobre uma Groupie promíscua. Mas na verdade era uma garota real. Pat Dawson conheceu os Beatles Ainda na época do Cavern Club. Ela tinha o hábito de comer polietileno, daí nasceu o apelido de Polythene Pam. 

13ª- She Came In Through The Bathroom Window

Canção de Lennon e McCartney inspirada pelas atividades de uma integrante da Apple Scruff que entrou pela janela do banheiro de Paul quando este não estava em casa.

14ª- Golden Slumbers

A primeira do medley de inacabadas. Paul estava na casa de seu pai e viu uma música ao piano. Era uma canção de ninar chamada Golden Slumbers, de Thomás Dekker, contemporâneo de Shakespeare. Ele não conseguia ler a partitura, portanto, criou sua própria melodia e adicionou novas palavras.

15ª- Carry That Weight

Inicialmente não era para ser parte do medley. Mas acabou se encaixando bem. A canção revelava os medos e angústias de Paul em relação ao futuro financeiro dos Beatles, o fardo de ser um superastro e o medo pelo iminente fim da banda. As discussões sobre as finanças do grupo são, segundo Paul, "o momento mais sombrio de sua vida".

16ª- The End

A profética faixa final do medley chega pondo fim ao FabFour com a frase "o amor que você recebe é igual ao amor que você doa". Termina a histórica banda que Ainda influência gerações inteiras de músicos.

17ª- Her Majesty

Não é uma grande canção e originalmente faria parte do medley. Tem apenas 23 segundos e encerra de forma no mínimo curiosa aquele que seria o último trabalho de estúdio a ser gravado pelos Beatles.

Referências:

TURNER, Steve. The Beatles: A História Por atras das Cancōes. Tradução: Alyne Azuma. São Paulo, Cosac Naify, 2009.

THOMAS, Gareth. Beatles: A História Ilustrada. Tradução: Heitor Pitombo. São Paulo: Ed. Escala, 2010.

DEROGATIS, Jim e KOT, Greg. The Beatles vs. Rolling Stones: a grande rivalidade do Rock n' Roll. Tradução: Cristina Yamagami. São Paulo: Globo, 2011.









quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Woodstock 50 anos: Um hino de paz, amor e música

Woodstock 50 anos: Um Hino de Paz, Amor e Música

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Em um dia 15 de agosto de 1969, a pacata cidade de Bethel amanheceu diferente. Quilômetros de carros enfileirados, uma multidão diferente, colorida, de cabelos longos, óculos redondos e postura mansa invadiram a cidade onde, em uma fazenda próxima, se realizaria um despretensioso festival de música e arte. Muitos moradores locais sequer tinham entrado em contato com um hippie antes. Obviamente, a multidão assustava. Seriam desordeiros? Traficantes? Ladrōes? Estamos seguros desta multidão?


Acontece que estava para se iniciar um marco histórico. Algo que nem mesmo o idealizador mais otimista esperava. A reunião de quase meio milhão de pessoas de todas as idades com o único intuito de celebrar a vida. Mesmo quando as condições do festival, que não fora pensado para tamanha multidão, ficarem insalubres, com falta de água, comida, condições de higiene, policiamento e assistência médica.


A ideia surgiu dos investidores John P. Roberts e Artie Kornfeld que colocaram um anúncio no New York Times e Wall Street Journal que dizia "jovens com capital ilimitado buscam oportunidades de investimento legítimas e interessantes propostas de negócios". Responderam ao anúncio Joel Rosenman e Michael Lang. A primeira ideia era de montar um estúdio de gravação, mas logo evoluiu para um festival de música e artes ao ar livre.

John Roberts, Joel Rosenman (acima), Artie Kornfeld e Michael Lang (abaixo)

O arriscado investimento previa um retorno financeiro. Ingressos foram colocados à venda em lojas de disco em Nova York e também via correio, e custavam 18 dólares antecipados e 24 dólares no dia do festival. Em média, 186.000 ingressos foram vendidos, e os investidores esperavam um público de no máximo  200.000 pessoas. Este número mais do que dobrou, o público excedente derrubou as cercas e invadiu a propriedade, tornando Woodstock em um evento gratuito. Este primeiro ato de vandalismo foi, no entanto, o único incidente da multidão. Outros casos isolados de overdose de drogas ocorreram, mas os 3 dias de festival foram pacíficos.



Mesmo com o caos gerado pela multidão, os investidores resolveram manter o festival acontecendo. Uma chuva torrencial atrasou muitas das apresentações e tornou o campo em um imenso lamaçal. Não haviam banheiros suficientes e nem locais para comer que suportassem todo o contingente humano que acampou durante os 3 dias ao relento. Ao final, montanhas de lixo foram deixadas, mas nada disso interferiu no sentimento de comunhão que nasceu em Woodstock e nem tampouco nas 32 atrações musicais que seguiram nos 3 dias.



Alguns shows icônicos, como do The Who, Janis Joplin, Joel Cocker e Jimi Hendrix são verdadeiras pérolas da música.

Janis Joplin

Crosby, Stills e Nash

Jimi Hendrix


O festival foi reprisado nos anos de 1979, 1989, 1994, 1999 e 2009. Porém sem o mesmo impacto cultural que o festival de 1969 teve. Woodstock é o retrato da cultura hippie, do movimento de paz e amor. É o registro que nos mostra que, mesmo passando por adversidades, podemos viver em comunidade.

Referências:

terça-feira, 2 de julho de 2019

Cinebiografias da Música (Histórias Trágicas)

Sabemos que em sua maioria as histórias de quem venceu no mundo da música são recheadas de conflitos, dramas e muitas vezes finais tristes. Hoje estamos listando algumas das histórias mais trágicas que abalaram o mundo da música. Preparem seus corações, pois as emoções são fortes.

1) Selena (Selena - 1997)


O Filme Selena conta a história da cantora mexicana Selena Quintanilla-Pérez, e tem em seu elenco a cantora e atriz Jennifer Lopez no papel principal. Selena já era uma cantora de fama no Texas e no México. Porém ganhou fama mundial após seu assassinato. Yolanda Saldivar era a presidente do seu fã clube, possuia uma relação forte e quase obsessiva por Selena. Porém, ao mesmo tempo que comandava o fã clube, desviava dinheiro do mesmo, ação descoberta por Selena que, ao confrontar Yolanda, leva um tiro nas costas e morre. O filme obteve grande sucesso, tendo em sua premier a presença de artistas como Madonna e Michael Jackson, e ajudou a alavancar a carreira da então desconhecida Jennifer Lopez.

2) La Bamba (La Bamba - 1987)


Ritchie Valens era um jovem cantor mexicano que começava a fazer sucesso no mundo da música. Sua carreira foi curta, teve 3 grandes sucessos com La Bamba, Donna e Come On, Let's Go. Da infância e juventude humilde para o sucesso, Valens viu sua carreira e vida acabarem ao lançar a sorte em um jogo de cara ou coroa para decidir quem ocuparia a última vaga no avião do famoso cantor Buddy Holly. Durante uma tempestade de neve, o avião cai, matando Vallens, Holly e The Big Bopper. O acidente ficou conhecido como "o dia em que a música morreu", e foi eternizado na canção American Pie, de Don McLean. Ritchie Vallens é interpretado por Lou Diamond Phillips.

3) Sid And Nancy - O Amor Mata (Sid And Nancy - 1986)


Sid Vicius foi o baixista da banda de punk rock Sex Pistols. Rebelde, polêmico e problemático, Sid se envolve romanticamente com Nancy Spungen e ambos entram numa perigosa relação de drogas, violência e escândalos. Nancy foi assassinada com uma facada no abdômen e Sid é acusado de seu assassinato. Até hoje as circunstâncias da morte de Nancy não foram esclarecidas, assim como o papel de Sid, uma vez que ele veio a falecer 4 meses após Nancy, vítima de overdose. Sid Vicius é interpretado pelo fabuloso ator Gary Oldman, enquanto o papel de Nancy Spungen ficou à cargo de Chloe Webb.

4) Capítulo 27 - O Assassinato de John Lennon (Chapter 27 - 2007)


Diferentemente das demais biografias que listamos, Capítulo 27 se baseia não na biografia do músico, mas de seu assassino. Mark David Chapman é um homem aparentemente simples e sem histórico de violência. Após ler o livro O Apanhador Nos Campos de Centeio, e tendo a ideia de que John Lennon traiu seus fãs e se tornou um herege, Chapman decide matá-lo. O filme conta os 3 dias em que Chapman esteve em frente ao edifício Dakota em Nova York até finalmente atingir seu objetivo e assassinar John Lennon. Chapman é interpretado por Jared Leto, que engordou bastante para o papel. A atriz Lindsey Lohan também integra o elenco.

5) The Doors (The Doors -1991)


O aclamado diretor hollywoodiano Oliver Stone narra fatos da vida do cantor Jim Morrisson, interpretado por Val Kilmer. O "Rei Lagarto" era cantor, poeta e líder da banda de rock The Doors. Complicado e muitas vezes depressivo, Jim Morrisson recorre à heroína para fugir das pressões da fama. Morre aos 27 anos de overdose, em circunstâncias misteriosas, sendo um dos artistas que dá origem ao mito da "Maldição dos 27". Na mesma época, morrem, Janis Joplin e Jimmy Hendrix, ambos de overdose e ambos aos 27, que juntamente com o fato de todos os nomes começarem com a letra "J", dão início à uma teoria da conspiração envolvendo as 3 mortes.

6) Cazuza - O Tempo Não Para (2004)


Agenor de Miranda Araújo Neto foi um cantor e compositor brasileiro, mais conhecido pelo nome de Cazuza. Filho de pais privilegiados, Cazuza não teve dificuldades em entrar no mercado fonográfico como muitos outros artistas. Porém, sua personalidade explosiva, seu ego inflado e sua vida promíscua o levaram não apenas a romper com sua banda de origem, o Barão Vermelho, como também teve problemas com sua família. Sua vida de excessos culminou com Cazuza contraindo AIDS, na época uma doença que veio de forma epidêmica e mortal. Cazuza foi uma das primeiras personalidades brasileiras a admitirem publicamente terem o vírus da AIDS. Faleceu em 1990 aos 32 anos, vítima da doença.


Acompanhem as 3 postagens anteriores sobre cinebiografias da música, coloquem a pipoca no microondas, o lenço de papel do lado do sofá e se emocionem.




Referências:






segunda-feira, 1 de julho de 2019

Is This Love? (Dia Internacional do Reggae)


No dia 1º de Julho é comemorado o Dia Internacional do Reggae, ou Internacional Reggae Day (IRD). A data foi sugerida por Winnie Mandela, esposa de Nelson Mandela, na ocasião de sua visita ao país em 1991.
O Reggae

O ritmo Reggae nasceu na década de 60 de uma derivação do Ska e do Rocksteady. Sua característica principal é a acentuação do tempo fraco, conhecido como Skank. É um ritmo mais lento do que o Ska e o Rocksteady e possui acentuação no 2º e 4º tempos. A guitarra base também enfatiza o 3º tempo e as linhas de baixo são mais complexas do que no rocksteady.



O nome reggae vem provavelmente de rege ou rege-rege, que significaria "farrapo" ou "roupa rasgada" ou mesmo "confusão", segundo a edição de 1967 do Dictionary of Jamaican English (dicionário de inglês jamaicano).

Ao que parece, não há um criador oficial do Reggae, nem tampouco que o nomeou. Existem várias teorias para o nome empregado na música. Uma delas data de 1968 com o single "DO The Reggay" do grupo The Maytals. Mas, segundo Derrick Morgan, o termo já era utilizado na capital da Jamaica, Kingston


"Não gostávamos do nome 'rock steady' ("rock constante"), então tentei algo diferente numa versão de "Fat Man". A batida foi mudada novamente, e o órgão usado para assustar. Bunny Lee, o produtor, gostou daquilo. Ele criou o som com o órgão e a guitarra base. Soava como 'reggae, reggae', e aquele nome pegou. Bunny Lee começou a usar a palavra e logo todos os músicos estavam dizendo 'reggae, reggae, reggae'."

Bob Marley, no entanto, afirmava que a palavra vinha do espanhol e que significaria "música de rei".

Aliás, Bob Marley se tornou o maior ícone deste estilo, levando-o para o mundo, juntamente com os fundamentos da religião Rastafari, o uso do dreadloks (penteados de emaranhados de cachos) e chamando a atenção para as comunidades negras e pobres da periferia jamaicana, tornando-se um símbolo contra a segregação racial ao redor do mundo.



Cores do Reggae

As cores do Reggae se baseiam na bandeira da Etiópia, durante o reinado de Hailé Selassié, posteriomente conhecido como Ras Tafari. Cada cor possui um significado material e outro espiritual.

CorValor físico/material Valor metafísico/espiritual
VermelhaO sangue que os mártires deram pelo próximo.Fé, no sentido de persistência rumo a um objetivo. Poder, no sentido de capacidade de realização de metas, de transformar sonhos em realidades.
VerdeOs campos férteis, fonte de prosperidade, e a natureza em geral da ÁfricaEsperança, pois esta cor está ligada, nas tradições esotéricas mais antigas, aos fenômenos de renovação.
AmarelaRiqueza natural (ouro e minerais), como fonte de prosperidade.Espiritualidade e amor, como elementos sociais de união entre os povos.
Dia Internacional do Reggae

O Dia Internacional do Reggae foi instituído em 1994 após sugestão de Winnie Mandela, que em sua visita à Jamaica em 1991 falou da importância do gênero na África do Sul na época do apartheid e de como ele influenciou positivamente a cultura afro ao redor do Mundo.

Andrea Davis organizou o primeiro festival do IRD (Internacional Reggae Day) em 1º de Julho de 1994. 

Desde o ano 200 o festival tem acontecido anualmente.

No Brasil, o dia 11 de maio é conhecido como o Dia Nacional do Reggae, e foi sancionado pela então presidente Dilma Roussef em 2012, em homenagem à Bob Marley em sua data de falecimento.

Referências:



quarta-feira, 12 de junho de 2019

Cinebiografias da Música (Compositores)

Entramos na terceira parte das cinebiografias do mundo da música, mostrando alguns dos melhores filmes sobre compositores da música erudita.

1) Sonata de Amor (Song Of Love - 1947)


Contando em seu elenco a maravilhosa atriz Katharine Hepburn (recordista em Oscares, com 4 estatuetas vencidas), Sonata de Amor fala sobre o casal Clara Schumann, Robert Schumann e o pupilo Johannes Brahms. O filme já se inicia em um período em que a exímia pianista Clara havia se afastado dos palcos para se dedicar ao famoso marido e seus 7 filhos. Acometido pela sífilis, Schumann (Paul Henreid) também se distancia dos palcos e passa a lecionar, recebendo em sua casa o jovem compositor Brahms (Robert Walker). Brahms passa a nutrir um amor platônico por Clara. O desenrolar da trama segue com Clara voltando aos palcos para pagar as contas, enquanto seu marido começa a lidar com a doença.

2) Sonho de Amor (Song Without End - 1960)


Sonho de Amor conta a história do famoso pianista e compositor húngaro Franz Liszt, aqui interpretado por Dirk Bogarde. O filme fala de sua carreira como famoso pianista, enquanto tenta se afirmar também como compositor. Durante a trama, Liszt se vê envolto em escândalos pessoais, envolvendo-se com uma condessa francesa e se apaixona por uma princesa russa. A veracidade dos fatos do filme podem ser questionadas. Liszt abraçou a vida religiosa, morrendo pobre e solitário.

3) À Noite Sonhamos (A Song To Remember - 1945)


Chopin, assim como Liszt, era um famoso pianista e também compositor. Interpretado por Cornel Wilde, Chopin é expulso da Polônia por se recusar a tocar para o governador Czarista. Refugiado na França, conhece a escritora Aurore Dupin (Merle Oberon), conhecida pelo psudônimo de George Sand. Os dois se apaixonam e se refugiam em Majorca, onde a tuberculose passa a atacar o compositor. O filme ganhou 6 indicações ao Oscar, incluíndo melhor ator para Wilde, e Roteiro Adaptado.

4) Minha Amada Imortal (Immortal Beloved - 1994)


Após a morte de Ludwig Van Beethoven (Gary Oldman), seu amigo de longa data, Anton Felix Schindler (Jeroen Krabbé) inicia uma luta para cumprir o testamento do mestre, que deixou tudo para sua "Amada Imortal". Sem revelar o nome desta, Schindler deve investigar o passado de seu amigo, seus inúmeros romances, e desvendar a identidade sa misteriosa mulher. Mais uma vez a necessidade hollywoodiana de surpreender o público se faz presente, em detrimento dos fato. Embora com floreios, boa parte da narrativa é real, incluindo os problemas com o pai, sua surdez e seu conturbado relacionamento com o irmão, sua cunhada e seu sobrinho, de quem foi tutor após a morte do irmão. 

5) Amadeus (Amadeus - 1984)


Um dos mais aclamados filmes de todos os tempos é a cinebiografia de Wolfgang Amadeus Mozart. Porém, é uma obra mais fictícia do que verdadeira. Hollywood é obcecada pela relação mocinho/bandido, e neste filme não é diferente. O escalado para ser o "bandido" é o compositor italiano Antonio Salieri (F. Murray Abraham, em papel que lhe rendeu um Oscar). Salieri era o compositor da corte austríaca e fã da obra de Mozart (Tom Hulce). O filme se inicia com o já idoso Salieri tentando suicídio e alegando ter matado Mozart. Passado em flashbacks, sob a narração de Salieri, o filme conta como Mozart chegou à Viena como uma grande promessa e foi aos poucos descartado pelos nobres, passando por problemas financeiros e de saúde que culminaram com sua precoce morte aos 35 anos. Apesar da história não ser 100% verídica, o filme do diretor Milos Forman é uma preciosidade, com excelentes atuações, um roteiro muito bem escrito e uma produção fantástica, sendo indicado a 11 Oscar e recebido 8, incluindo Melhor Filme.

6) Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão (2000)


Não poderíamos deixar de fora o maior compositor brasileiro. Heitor Villa-Lobos também foi homenageado nas telonas. Destaque para o filme de Zelito Viana, Villa-Lobos: Uma Vida de Paixão, que narra a história do pequeno Villa, sua relação com a tia Fifina (Lucinha Lins) seus dois casamentos com a pianista Lucília (Ana Beatriz Nogueira) e Mindinha (Letícia Spiller), suas obras e sua atuação como educador. Villa-Lobos é interpretado por Marcus Palmeira (fase jovem) e Antônio Fagundes (fase mais velha).

Acompanhem também as duas primeiras postagens sobre cinebiografias do mundo da música.



Referências:







segunda-feira, 3 de junho de 2019

Cinebiografias da Música (cont.)

Continuando com a nossa séria de postagens sobre cinebiografias do mundo da Música. Iniciaremos com filmes que, além de contarem a história de personalidades da música, são também filmes musicais, ou seja, cuja história é contada através da música, substituindo diálogos pelo canto.

1 - Rocketman (Rocketman - 2019)



O filme lançado na última semana de maio conta a história do cantor Elton John, seus traumas familiares, envolvimento com drogas, casos homossexuais e sua amizade com o parceiro de composição Bernie Taupin. Um belíssimo filme musical, que aproveita as letras de Bernie de forma magnífica, fazendo paralelo com os acontecimentos do filme. Além de trazer um belo visual, números musicais bem coreografados e uma história profunda e bem contada, o filme se destaca por não ser uma biografia convencional (Elton John não é um artista convencional), optando mais pelo gênero Musical, porém sem abandonar o gênero Drama.

2 - De-Lovely - Vida e Amores de Cole Porter (De-Lovely - 2004)


O filme de 2004 conta a história do compositor Cole Porter, sua relação com a esposa linda, seus casos homossexuais e tragédias pessoais. Repleto de participações especiais, contando com artistas como Alanis Morissette, Robbie Williams, Elvis Costelo, Sheryl Crow, entre outros, além da performance incrível de Kevin Kline, o filme percorre o caminho do já compositor Porter, do quase anonimato até a fama com os musicais e filmes de Hollywood. É contado como um flashback, do Cole Porter em seu delírio de morte à uma espécie de anjo ou ceifeiro, interpretado pelo excelente Jonathan Pryce.

3 - O Show Deve Continuar (All That Jazz - 1979)


Mais um filme do gênero Musical, O Show Deve Continuar é o único da lista que não representa uma biografia comum. Na verdade é um relato semi autobiográfico da vida e carreira do diretor Bob Fosse, e sua relação com a morte. Dirigido pelo próprio Fosse, ele profetiza acerca de sua morte devido aos excessos promovidos pelo showbusiness, alcóol, drogas lícitas e ilícitas, problemas com mulheres e rotina desgastante de ensaios, que o levam ao colapso cardíaco. O filme tem como principal fio os 5 estágios do luto (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação). O personagem central passa pelos estágios até a conclusão com sua morte. Embora o filme tenha estreado em 1979, Bob Fosse só viria a falecer em 1987, curiosamente de infarto, pouco antes de estrear uma produção de Sweet Charity em Washington.

Seguiremos com nossa série de postagens sobre cinebiografias do mundo da música. Leiam a primeira parte em: Cinebiografias da Música: parte 1

Referências: